Da Redação

Prefeito de Goiânia questiona saída do senador após a eleição, critica politização do Judiciário e diz que permaneceria no país para lidar com as circunstâncias

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), criticou a decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL) de viajar para os Estados Unidos após a derrota na eleição presidencial de 2026. Em declaração nesta quarta-feira (28), o chefe do Executivo municipal afirmou que, se estivesse na mesma situação, permaneceria no Brasil para enfrentar as circunstâncias.

“Eu, particularmente, não sairia. Eu enfrentaria”, declarou Mabel ao comentar a viagem do parlamentar.

Apesar da crítica, o prefeito também questionou a atuação do Poder Judiciário e afirmou que há politização em setores da Justiça brasileira, especialmente nos tribunais superiores. Para ele, o país precisa avançar em diferentes áreas, incluindo o funcionamento das instituições judiciais.

“Infelizmente, muitas áreas da Justiça, principalmente tribunais superiores, estão politizadas”, afirmou.

Prefeito critica politização do Judiciário

Ao comentar o cenário político após as eleições, Mabel defendeu que medidas judiciais envolvendo candidatos e agentes públicos respeitem os direitos individuais e a segurança jurídica.

O prefeito demonstrou preocupação com o que considera uma atuação politizada de setores do Judiciário e afirmou que restrições impostas após uma disputa eleitoral precisam observar os limites legais.

A avaliação ocorre em meio à repercussão da viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e à discussão sobre as decisões judiciais relacionadas ao senador.

Mabel, no entanto, não apresentou detalhes sobre quais medidas específicas considera inadequadas no caso do parlamentar.

Mabel diz desconhecer motivos da viagem

Questionado sobre a saída de Flávio Bolsonaro do país, o prefeito afirmou não conhecer as razões que levaram o senador a viajar para os Estados Unidos. Ainda assim, disse que optaria por permanecer no Brasil e enfrentar eventuais consequências políticas ou judiciais.

“Eu não sei os motivos dele. Eu, particularmente, não sairia, eu enfrentaria. Mas eu gosto de enfrentar a confusão”, declarou.

Mabel também afirmou que, em sua avaliação, Flávio não teria deixado o território brasileiro de maneira ilegal. A declaração foi feita em meio às notícias sobre o deslocamento do senador e às dúvidas em torno do percurso realizado até os Estados Unidos.

A saída do parlamentar ocorreu após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que ele entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF) e não deixasse o país. Como os documentos não foram apresentados no prazo estabelecido, a Polícia Federal informou que os cancelou.

O caso está relacionado a uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. Os investigados têm direito à defesa e à contestação das acusações no decorrer do processo.

Prefeito apoiou Flávio Bolsonaro no segundo turno

Sandro Mabel apoiou Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial, disputada contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mesmo tendo apoiado o senador durante a campanha, o prefeito fez ressalvas à decisão de deixar o Brasil após o resultado das urnas.

A manifestação evidencia uma diferença entre o apoio político dado ao candidato e a avaliação pessoal de Mabel sobre a maneira como ele lidou com a situação após a derrota eleitoral.

A viagem do senador provocou reações de integrantes de diferentes campos políticos e ampliou o debate sobre as decisões judiciais, a liberdade de circulação e a relação entre os Poderes.

Ao afirmar que permaneceria no país, Mabel sustentou que preferiria enfrentar diretamente as circunstâncias, embora tenha mantido as críticas à atuação de setores do Judiciário.