Da Redação

Rafael Fonteles é cotado para a Fazenda, enquanto Camilo Santana ganha força para a Casa Civil; André Janones, João Campos e Silvio Costa Filho também aparecem nas negociações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a articular a formação de sua equipe para o quarto mandato, previsto para começar em janeiro de 2027. Após conquistar mais de 64 milhões de votos e vencer a disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL), o petista enfrenta o desafio de definir os nomes que ocuparão os principais ministérios e acomodar aliados que contribuíram para sua reeleição.

As conversas em Brasília envolvem a escolha de integrantes para áreas estratégicas, como Economia, articulação política, comunicação e segurança pública. A composição do novo governo também deverá considerar a necessidade de ampliar o diálogo com o Congresso Nacional, onde os partidos de oposição terão presença expressiva a partir de fevereiro de 2027.

Entre os nomes que ganharam força nas negociações estão o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), o senador e ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE) e o deputado federal André Janones (Rede-MG). Apesar das especulações, Lula ainda não confirmou oficialmente as indicações.

Rafael Fonteles aparece entre os favoritos para a Fazenda

Rafael Fonteles é apontado como um dos principais candidatos ao comando do Ministério da Fazenda. Reeleito governador do Piauí, o petista tem experiência na área econômica, tendo ocupado anteriormente a Secretaria da Fazenda do estado durante a gestão de Wellington Dias.

A avaliação de aliados do presidente é de que Fonteles reúne conhecimento técnico e capacidade de articulação política para conduzir a equipe econômica. Durante a campanha presidencial, ele também participou da coordenação da comunicação de Lula, especialmente na estratégia voltada às redes sociais no segundo turno.

Para assumir o ministério, o governador precisaria deixar o comando do Executivo piauiense. Nesse cenário, o vice-governador eleito, Washington Bandeira (PT), poderia assumir o governo estadual.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também aparece entre as alternativas para a Fazenda. A possibilidade é vista como uma forma de transmitir segurança ao mercado financeiro, devido à experiência do político na área econômica e à interlocução que mantém com representantes do setor produtivo.

Outros nomes mencionados nas discussões são Bruno Moretti, atual ministro do Planejamento e Orçamento, e Dario Durigan, que ocupa o comando da Fazenda. A definição dependerá das prioridades econômicas e políticas estabelecidas por Lula para o próximo mandato.

Camilo Santana ganha força para a Casa Civil

O senador Camilo Santana é apontado como um dos favoritos para assumir a Casa Civil, ministério responsável pela coordenação do governo e pelo acompanhamento das principais ações da Presidência da República.

Ex-governador do Ceará e ex-ministro da Educação, Camilo ganhou espaço nas articulações políticas durante a campanha de reeleição de Lula. Sua atuação na coordenação eleitoral e a influência que mantém no cenário político cearense são consideradas fatores favoráveis à indicação.

Inicialmente, o nome do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) também era mencionado para a função. Entretanto, após a derrota na disputa pelo governo de São Paulo, Camilo passou a ser considerado uma alternativa com maior força política entre os aliados do presidente.

A Casa Civil tem papel estratégico na administração federal, pois coordena ações entre ministérios e acompanha a execução das prioridades do governo. A escolha de seu titular será importante para a organização interna do Executivo e para a relação com o Congresso.

André Janones pode assumir função no Planalto

O deputado federal André Janones, reeleito por Minas Gerais, também aparece entre os possíveis integrantes da próxima equipe ministerial. O parlamentar ganhou projeção na campanha de Lula pela atuação nas redes sociais e pela mobilização de apoiadores em torno do canal de WhatsApp conhecido como “Exército de Lula”, que ultrapassou 10 milhões de inscritos.

Entre as possibilidades discutidas por aliados estão a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) e a Secretaria-Geral da Presidência.

A eventual escolha de Janones seria uma forma de reconhecer sua participação na estratégia de comunicação digital da campanha. No entanto, a definição sobre seu papel no próximo governo ainda depende das negociações internas.

A Secom é responsável pela comunicação institucional do governo federal, enquanto a Secretaria-Geral atua na relação da Presidência com movimentos sociais e organizações da sociedade civil, entre outras atribuições.

João Campos é cotado para Ciência e Tecnologia

O ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), derrotado na disputa pelo governo de Pernambuco, também é citado nas conversas sobre a composição do novo ministério.

O político é cotado para assumir o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A eventual indicação representaria espaço para o PSB na estrutura federal e permitiria ao partido manter participação relevante na administração petista.

A pasta também tem um significado familiar para João Campos. Seu pai, Eduardo Campos, que morreu em um acidente aéreo em 2014, ocupou o Ministério da Ciência e Tecnologia durante o primeiro mandato de Lula.

Além da trajetória política, João Campos é considerado um dos nomes de destaque de uma geração mais jovem de lideranças nacionais. Sua eventual entrada no governo também poderia contribuir para ampliar a presença do PSB na Esplanada dos Ministérios.

Silvio Costa Filho aparece na articulação com o Congresso

A Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela interlocução do governo com deputados e senadores, também está no centro das negociações.

Entre os nomes cogitados está o de Silvio Costa Filho (Republicanos), que comandou o Ministério de Portos e Aeroportos durante o atual mandato de Lula. A escolha de um político com trânsito entre partidos de centro é considerada uma alternativa para ampliar a base de apoio do governo no Legislativo.

O Congresso eleito em 2026 terá uma composição mais favorável à oposição, o que deve aumentar a necessidade de negociação para a aprovação de projetos de interesse do Executivo.

Nesse contexto, a distribuição de cargos entre partidos aliados e siglas que não apoiaram Lula durante a campanha poderá ser decisiva para a governabilidade. A definição da equipe deverá considerar tanto a proximidade dos indicados com o presidente quanto a capacidade de construir acordos políticos.

Segurança Pública pode ganhar ministério próprio

Outra possibilidade discutida para o próximo mandato é a criação de um Ministério da Segurança Pública, separado da estrutura atualmente responsável pela Justiça e Segurança Pública.

Um dos nomes cogitados para comandar a nova pasta é o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, conhecido pela atuação no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das principais organizações criminosas do país.

Gakiya ganhou reconhecimento nacional por investigações relacionadas ao crime organizado e já havia sido convidado pelo então presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) para assumir uma função semelhante em um eventual governo.

O promotor afirmou, em entrevista à Folha de S.Paulo, que ainda não havia recebido convite do governo federal, mas demonstrou disposição para assumir o cargo. Sua possível indicação também é discutida em razão da proximidade de sua aposentadoria no Ministério Público de São Paulo.

Camilo Santana é outra alternativa mencionada para a área de segurança. Aliados avaliam que o senador poderia assumir uma função de maior projeção política no setor, embora seu nome também esteja entre os favoritos para a Casa Civil.

A eventual criação do ministério dependerá da definição da estrutura administrativa do próximo governo e das prioridades que Lula estabelecer para o enfrentamento à criminalidade.

Governabilidade será um dos principais desafios do novo mandato

Além de escolher os ministros, Lula precisará negociar com um Congresso em que o PL, partido de Flávio Bolsonaro, terá as maiores bancadas nas duas Casas a partir de fevereiro de 2027.

Na Câmara dos Deputados, o PL contará com 121 parlamentares, enquanto o PT terá 70. No Senado, a legenda de oposição terá 29 das 81 cadeiras, contra dez do partido do presidente.

A configuração amplia a importância da articulação política e deve exigir negociações com partidos de centro e outras siglas que não participaram formalmente da campanha petista no segundo turno.

Na segunda-feira (26), Lula se reuniu no Palácio da Alvorada com os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A conversa ocorreu um dia após o resultado eleitoral e faz parte das articulações para o próximo período legislativo.

Os dois parlamentares também têm interesse na própria sucessão no comando das Casas, o que torna o diálogo com o Executivo relevante para a organização política de 2027.

A escolha dos ministros deverá avançar nas próximas semanas, à medida que o presidente definir quais aliados terão prioridade e quais partidos poderão receber espaço na administração federal. Até lá, os nomes citados permanecem no campo das possibilidades, sem confirmação oficial de Lula.