Da Redação
A Polícia Federal (PF) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para investigar suspeitas de tráfico internacional de mulheres para fins de exploração sexual e favorecimento da prostituição em festas promovidas pelo empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O pedido foi encaminhado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, na semana passada, e tem como base mensagens extraídas do celular do empresário.
De acordo com informações divulgadas nesta sexta-feira, 23 de outubro, a investigação pretende esclarecer se havia uma estrutura organizada para recrutar, transportar e contratar mulheres, inclusive estrangeiras e refugiadas, para participar de eventos privados no Brasil e no exterior.
Os investigadores também buscam verificar se houve exploração de situações de vulnerabilidade, violência ou coação contra as participantes. Outro ponto a ser apurado é se os encontros eram utilizados por Vorcaro para ampliar o acesso a autoridades políticas e empresariais.
O pedido ainda precisa ser analisado, e as suspeitas não representam uma conclusão sobre a responsabilidade criminal do empresário.
Mensagens apreendidas estão no centro da apuração
As suspeitas surgiram a partir de conversas encontradas no celular de Vorcaro durante investigações relacionadas ao Banco Master. Segundo relatos publicados pela imprensa, os diálogos mencionam a organização de festas com mulheres de diferentes nacionalidades, além de discussões sobre seleção de participantes, pagamentos, viagens e hospedagens.
Entre as mulheres citadas nas mensagens estariam brasileiras, ucranianas, russas, lituanas, holandesas, mexicanas e venezuelanas. A PF pretende identificar as participantes e ouvi-las para compreender as condições em que eram recrutadas e levadas aos eventos.
Os investigadores também apuram a atuação de intermediários responsáveis pela organização das festas e pela logística internacional. As mensagens indicariam a participação de produtores de eventos e prestadores de serviços na contratação de mulheres, no transporte e na organização dos encontros.
A corporação busca esclarecer se os serviços contratados envolviam apenas a presença das mulheres nos eventos ou se havia exploração sexual e abuso de vulnerabilidade. Também pretende verificar se existiam mecanismos de controle sobre as participantes e como os pagamentos eram realizados.
Festas reuniam mulheres de diferentes países
Segundo informações reunidas pelos investigadores, os eventos eram realizados em imóveis privados em São Paulo e também em destinos internacionais. Entre os locais mencionados estão Londres, Trancoso, na Bahia, e outros destinos no exterior.
Uma das conversas analisadas pela PF indica que 99 mulheres teriam sido levadas a Londres para um evento realizado em 2024, com participação de autoridades. Os diálogos também mencionam a divisão das participantes em grupos distintos, conforme o tipo e o tamanho dos encontros.
As mensagens apontam ainda que um produtor de eventos ligado à organização recebia cerca de R$ 120 mil mensais. A polícia pretende esclarecer a natureza dos pagamentos, a relação entre os envolvidos e a origem dos recursos utilizados para financiar as festas.
Outro ponto da apuração envolve possíveis tentativas de impedir registros dos encontros. De acordo com os relatos sobre as mensagens, havia orientações para que as participantes não utilizassem celulares em determinadas ocasiões.
Possível participação de mulheres refugiadas
Entre as principais linhas de investigação está a suspeita de que mulheres em situação de vulnerabilidade, incluindo refugiadas ucranianas que deixaram o país em razão da guerra, tenham sido recrutadas para os eventos.
Mensagens atribuídas a Vorcaro e a interlocutores fazem referências a mulheres estrangeiras e à organização de viagens. Os investigadores querem verificar se a condição dessas participantes foi explorada e se houve algum tipo de pressão para que aceitassem participar dos encontros.
A apuração também deverá examinar se existia uma estrutura financeira destinada ao recrutamento e à contratação das mulheres, bem como a atuação de empresas e intermediários.
A presença de mulheres estrangeiras ou refugiadas, por si só, não comprova a ocorrência de tráfico de pessoas. Para caracterizar o crime, será necessário apurar as circunstâncias do recrutamento, do transporte e da eventual exploração.
Investigação será separada do caso Banco Master
O pedido relacionado às festas deverá tramitar separadamente das investigações sobre possíveis fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
O caso foi encaminhado a Edson Fachin porque o ministro determinou anteriormente que procedimentos relacionados ao banco e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) fossem enviados à Presidência do STF. André Mendonça continua como relator dos casos.
A PF pretende identificar as mulheres que participaram dos eventos, colher depoimentos e analisar documentos, mensagens e registros financeiros. A investigação também poderá envolver cooperação com autoridades estrangeiras, caso sejam confirmadas conexões internacionais.
Entre os pontos que precisam ser esclarecidos estão a existência de uma rede organizada, a eventual exploração sexual das participantes e a possível utilização dos encontros para estabelecer relações com autoridades públicas.
Defesa de Vorcaro contesta investigação
A defesa de Daniel Vorcaro rejeitou as suspeitas e classificou como injustificada a abertura de uma investigação sobre o tema. Em manifestação divulgada após a apresentação do pedido, o advogado Sérgio Leonardo afirmou que as acusações se baseiam em reportagens que considera sensacionalistas.
O empresário também havia negado anteriormente ter explorado ou desrespeitado mulheres. Segundo sua manifestação, as acusações não correspondem à sua conduta pessoal.
A defesa sustenta que a associação de Vorcaro a crimes dessa natureza é indevida e afirma que o caso está inserido em um contexto de difamação.
Até o momento, o pedido da Polícia Federal busca autorização para aprofundar a apuração. A eventual abertura de inquérito deverá permitir a coleta de novos elementos para confirmar ou descartar as suspeitas.
A investigação pretende esclarecer as condições em que as mulheres eram contratadas para as festas, a atuação dos intermediários e a eventual existência de crimes relacionados ao tráfico de pessoas e à exploração sexual. <Cite refs={[“turn823756view0″,”turn823756view1″,”turn136909search1”]}/>








