Matéria completa
Novas informações divulgadas nesta quinta-feira (24) colocaram sob escrutínio a origem de parte dos recursos destinados à produção de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a empresa envolvida na movimentação de valores relacionados ao longa recebeu recursos provenientes do Banco Master e de uma estrutura investigada por ligação com o crime organizado.
As declarações ocorreram durante a deflagração de uma nova fase da Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal. A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao setor de combustíveis.
Um dos alvos da operação é o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. Ele é responsável pela Entre Investimentos, empresa que aparece nas investigações relacionadas às movimentações financeiras destinadas ao filme.
Segundo Durigan, há indícios de que os recursos movimentados pela empresa tenham origem em uma estrutura financeira que também teria sido utilizada por organizações criminosas. O ministro ressaltou que a apuração deverá esclarecer a origem e o caminho percorrido pelo dinheiro.
Empresa aparece nas investigações do Banco Master
A Entre Investimentos também aparece no conjunto de informações reunidas pela Polícia Federal na investigação envolvendo o Banco Master e seu antigo controlador, Daniel Vorcaro.
Documentos analisados pela PF indicam que, em 2025, a empresa realizou transferências internacionais para a Havengate Development Fund LP, estrutura registrada nos Estados Unidos. Ao todo, segundo os investigadores, os repasses identificados chegaram a US$ 12,3 milhões.
O dinheiro teria sido destinado à estrutura financeira relacionada à produção de “Dark Horse”, que inicialmente previa investimentos de até US$ 24 milhões.
A investigação busca esclarecer se os recursos utilizados para viabilizar o filme tiveram origem regular e qual foi exatamente o papel de cada empresa e pessoa envolvida nas transferências.
Ligação com Daniel Vorcaro
Antônio Carlos Freixo Júnior também aparece relacionado a Daniel Vorcaro nas investigações. Informações obtidas pela Polícia Federal indicam que a Entre Investimentos teria sido utilizada para movimentações financeiras determinadas pelo então controlador do Banco Master.
Segundo elementos apresentados no inquérito, Freixo teria realizado transferências internacionais e outras operações financeiras para o grupo ligado a Vorcaro.
A PF também encontrou, em arquivos atribuídos ao banqueiro, documentos relacionados ao financiamento do filme. Entre eles estaria um acordo que previa o envio de até US$ 24 milhões para a produção.
O plano financeiro teria estabelecido o pagamento dos recursos em 14 parcelas.
Flávio Bolsonaro aparece nas investigações
O senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, também é citado nas apurações porque participou diretamente das tratativas relacionadas ao financiamento do longa.
Mensagens e áudios já divulgados mostram conversas entre Flávio e Vorcaro sobre os pagamentos destinados à produção. Em uma das gravações, o senador cobra do banqueiro a continuidade dos repasses e o chama de “irmão”.
A Polícia Federal afirmou, em relatório, que os elementos encontrados indicam que Flávio não aparece apenas de forma indireta no caso, mas como interlocutor de Vorcaro em discussões relacionadas ao financiamento e ao andamento da produção.
Flávio já confirmou a existência dos contatos com Vorcaro e afirmou que procurou o empresário para buscar recursos para o filme. Ele também sustenta que a relação com o banqueiro estava relacionada ao projeto cinematográfico.
Investigação questiona valores previstos para o longa
Outro ponto analisado pela Polícia Federal é o tamanho do orçamento projetado para “Dark Horse”.
O plano de negócios previa investimentos de até US$ 24 milhões, valor considerado elevado quando comparado a produções brasileiras de grande porte.
Em relatório divulgado em setembro, os investigadores compararam a previsão financeira do projeto com o desempenho de filmes nacionais de grande bilheteria. A PF destacou que a discrepância entre o orçamento projetado e os parâmetros tradicionais do mercado cinematográfico justificaria uma investigação mais aprofundada sobre a viabilidade econômica da produção e a finalidade das operações financeiras.
A análise, no entanto, não conclui por si só que os recursos tenham sido utilizados de forma irregular. A origem do dinheiro e a eventual existência de ilícitos são justamente alguns dos pontos investigados pelas autoridades.
Nova fase da Carbono Oculto
A terceira fase da Operação Carbono Oculto foi deflagrada nesta quinta-feira e recebeu o nome de Operação Crédito Oculto. A ação investiga um complexo esquema de lavagem de dinheiro ligado ao setor de combustíveis.
O empresário conhecido como “Mineiro” está entre os alvos da operação. De acordo com o Ministério Público de São Paulo, ele é investigado por participação em estruturas destinadas à lavagem de recursos para um grupo criminoso.
As autoridades também analisam operações envolvendo fundos de investimento, empresas e transações que teriam criado fluxos financeiros destinados a dificultar a identificação da origem dos recursos e dos beneficiários finais.
A relação dessas estruturas com os valores destinados ao filme será objeto de apuração específica.
PF rastreia caminho do dinheiro
As investigações sobre “Dark Horse” passaram a analisar diferentes etapas do percurso dos recursos, desde movimentações ligadas ao Banco Master até transferências para estruturas nos Estados Unidos.
Um dos pontos de interesse é justamente a participação da Havengate Development Fund LP, que recebeu os valores transferidos pela Entre Investimentos.
A estrutura norte-americana havia sido criada antes das negociações envolvendo o filme e tinha outras finalidades financeiras. A PF agora busca esclarecer como ela passou a integrar a operação relacionada à produção cinematográfica.
O caso permanece em investigação e ainda deverá e








