Paralisação segue por tempo indeterminado e pode afetar atendimento presencial em parte das agências do Estado

A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal continua em Goiás após os trabalhadores rejeitarem uma nova proposta apresentada pelo banco para encerrar a paralisação. A decisão foi tomada em assembleia virtual realizada nesta segunda-feira (21), mantendo o movimento por tempo indeterminado.

A mobilização dos empregados da Caixa começou em Goiás no dia 8 de setembro. Em âmbito nacional, a paralisação teve início dois dias depois, em 10 de setembro, após mais de 90% das bases sindicais rejeitarem a proposta apresentada pela instituição para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

No Estado, o Sindicato dos Bancários de Goiás estima que a paralisação possa atingir parte das cerca de 140 agências da Caixa existentes em território goiano. No início do movimento, a entidade estimava aproximadamente 2 mil trabalhadores envolvidos na greve.

Saúde Caixa está entre os principais pontos de divergência

Um dos principais temas que provocaram o impasse entre os empregados e a instituição é o Saúde Caixa, plano de assistência médica destinado aos funcionários.

A nova proposta apresentada pelo banco previa elevar de 6,5% para 9% o limite de participação da Caixa no custeio do plano a partir de 2027. O texto também mantinha o modelo solidário e o pacto intergeracional, sem estabelecer cobrança diferenciada conforme a idade dos beneficiários.

Para 2026, a proposta não previa reajuste nas mensalidades e estabelecia que a Caixa assumiria eventual déficit registrado pelo plano no período. A partir do próximo ano, a contribuição do titular seria de 3,7% da remuneração-base, enquanto dependentes teriam valores fixos conforme a modalidade de vínculo.

Os trabalhadores, por outro lado, defendiam a retomada do modelo de custeio no qual 70% das despesas ficariam sob responsabilidade do banco e 30% seriam pagos pelos empregados.

Proposta também previa mudanças em outros pontos

Além das alterações no Saúde Caixa, a proposta apresentada pela instituição incluía mudanças em benefícios e programas internos.

Entre elas estava a redução da cobrança por consultas em pronto atendimento, de R$ 150 para R$ 120, além da manutenção da ausência de coparticipação em atendimentos realizados por telemedicina.

O texto também previa a criação de um grupo de trabalho para discutir um novo modelo de gestão do Saúde Caixa. A proposta estabelecia ainda a presença de pelo menos um empregado dedicado ao plano em cada Gerência de Pessoas e Representação Regional de Pessoas.

Outros pontos envolviam o programa Super Caixa e uma premiação de R$ 3 mil por empregado relacionada ao cumprimento do Índice de Eficiência Operacional (IEO).

Atendimento pode ser afetado

Com a continuidade da greve, o atendimento presencial nas unidades que aderiram ao movimento pode sofrer alterações. A extensão dos impactos depende da adesão dos trabalhadores em cada agência.

Apesar da paralisação, diversos serviços continuam disponíveis por canais digitais e eletrônicos da Caixa. Entre as alternativas estão o aplicativo Caixa, internet banking, Caixa Tem, terminais de autoatendimento, casas lotéricas e Correspondentes Caixa Aqui.

A Caixa também mantém canais telefônicos de atendimento para os clientes.

Greve segue sem prazo para terminar

A rejeição da nova proposta mantém os funcionários mobilizados e prolonga uma paralisação que já dura mais de duas semanas em Goiás.

A continuidade do movimento ocorre enquanto trabalhadores e representantes sindicais pressionam pela retomada das negociações. A Caixa, por sua vez, afirma manter o diálogo com as entidades que representam os empregados e buscar uma solução para a renovação do ACT e da Convenção Coletiva de Trabalho.

Até o momento, não há uma data definida para o encerramento da greve em Goiás.