Candidata ao Senado afirma que nenhuma autoridade deve estar acima da lei e cobra atuação do Senado diante de eventuais pedidos de impeachment
A candidata ao Senado por Goiás Gracinha Caiado (União Brasil) defendeu, nesta quarta-feira (23), que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) citados no contexto do caso Banco Master sejam investigados quando houver elementos que justifiquem a apuração.
A declaração foi feita durante participação na Sabatina Mais Goiás 2026. Gracinha afirmou que o cargo ocupado por uma autoridade não deve impedir a investigação de eventuais irregularidades.
“Não é aceitável que um ministro do Supremo ache que ele está acima da lei. Ninguém está acima da lei, nem ministro, nem governador, nem presidente e, principalmente, o ministro do Supremo Tribunal Federal, que deveria ser o guardião da Constituição”, declarou.
Segundo a candidata, eventual apuração deve ocorrer sem considerar o grupo político ao qual o ministro esteja associado ou o presidente responsável por sua indicação.
“Não se pode ter um ministro de preferência. Ele tem que ter notório saber jurídico e estar ali para julgar os processos dignamente. Que sejam investigados, seja de que lado forem ou por qual presidente tenham sido indicados”, afirmou.
Caso Banco Master
As declarações ocorrem em meio aos desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O STF chegou a analisar, em setembro, uma questão de ordem relacionada a duas petições que tratam de informações produzidas pela Polícia Federal no âmbito das investigações. A discussão, entretanto, foi suspensa após pedido de vista do ministro Flávio Dino. O mérito das petições não chegou a ser analisado naquele momento.
Uma das petições tem origem em relatório da Polícia Federal elaborado a partir de informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro. O documento reúne mensagens que teriam relação com o ministro Alexandre de Moraes.
Outros integrantes da Corte também foram mencionados em reportagens relacionadas às investigações. As citações e relações descritas no caso, contudo, não significam, por si só, comprovação de irregularidade ou de crime por parte dos ministros.
Papel do Senado
Durante a sabatina, Gracinha também defendeu uma atuação mais efetiva do Senado nos processos que envolvem ministros do Supremo.
A Constituição atribui ao Senado a competência para processar e julgar ministros do STF nos casos de crimes de responsabilidade. A candidata afirmou que eventuais pedidos de impeachment precisam seguir a tramitação prevista e ser submetidos à análise dos senadores.
“Tem que ter a coragem para que se ponha para a votação, porque não é aceitável que o ministro do Supremo ache que está acima da lei. Ninguém está acima da lei”, declarou.
Gracinha afirmou ainda que o mesmo princípio deve ser aplicado a integrantes de qualquer Poder.
“Todos aqueles que cometerem qualquer crime, seja quem for, devem ser punidos, porque a lei é igual para todos”, disse.
Propostas para combater o feminicídio
Durante a entrevista, a candidata também apresentou propostas relacionadas ao combate à violência contra a mulher.
Gracinha defendeu que bens de homens condenados por violência contra mulheres possam ser destinados às vítimas. Nos casos de feminicídio, segundo a proposta apresentada por ela, o patrimônio poderia ser direcionado aos familiares da vítima.
A candidata argumentou que uma punição de caráter patrimonial poderia funcionar como mecanismo adicional de responsabilização dos agressores.
Ela também mencionou iniciativas desenvolvidas em Goiás durante sua atuação como primeira-dama e coordenadora do Goiás Social, entre elas o Goiás por Elas, as Salas Lilás, o programa Mulher Mais Segura e a Patrulha Maria da Penha.
Gracinha destaca atuação na área social
Outro tema abordado durante a sabatina foi a política social. Gracinha defendeu programas voltados à geração de renda e à autonomia financeira das famílias.
Ao falar sobre o Goiás Social, afirmou que as políticas públicas devem oferecer condições para que pessoas em situação de vulnerabilidade tenham acesso a oportunidades de trabalho e geração de renda.
“As pessoas não querem favor, elas querem oportunidade para trabalhar. Foi isso que fizemos com o Goiás Social: construímos pontes para que as famílias transformassem suas próprias vidas”, declarou.
A participação na sabatina ocorreu em meio ao período eleitoral de 2026, no qual Gracinha disputa uma das duas vagas de Goiás no Senado Federal.








