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O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) apresentou versões diferentes, ao longo dos últimos meses, sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As declarações vieram à tona novamente após a divulgação de mensagens e informações que apontam contatos entre os dois e tratativas envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em março, quando o número de telefone de Flávio apareceu na agenda de contatos de Vorcaro, o senador afirmou que não mantinha contato com o banqueiro. Na ocasião, a existência do número foi revelada a partir de documentos relacionados às investigações envolvendo o Banco Master.

A versão apresentada pelo senador mudou posteriormente. Em maio, após a divulgação de mensagens atribuídas aos dois, Flávio reconheceu que conhecia Vorcaro desde dezembro de 2024 e afirmou que havia procurado o empresário em busca de recursos para o filme sobre seu pai.

Segundo a nova versão apresentada pelo candidato, Vorcaro teria se comprometido a realizar pagamentos para a produção, mas deixou de cumprir parcelas previstas no acordo. Flávio afirmou que o relacionamento entre os dois estava restrito ao projeto cinematográfico.

A mudança de discurso também ocorreu em relação ao próprio financiamento da produção. Em uma abordagem feita por um jornalista, Flávio havia classificado como falsa a informação de que Vorcaro teria participado do financiamento do filme. Horas depois, entretanto, admitiu que existia um contrato relacionado ao aporte de recursos.

Mensagens posteriormente divulgadas também mostraram uma comunicação mais próxima entre Flávio e Vorcaro. Em uma delas, enviada às vésperas da prisão do banqueiro, o senador tratou o empresário como “irmão” e afirmou que estaria ao lado dele.

O conteúdo das conversas passou a ser utilizado para questionar a afirmação de que o relacionamento entre os dois teria sido exclusivamente profissional e relacionado ao filme. Flávio, por sua vez, manteve a versão de que os contatos estavam ligados à produção cinematográfica.

Viagem em avião ligado a Vorcaro

Outra declaração que voltou a ser questionada envolve uma viagem realizada por Flávio Bolsonaro e sua família em janeiro de 2025.

Em julho, o senador afirmou publicamente que nunca havia utilizado avião de Vorcaro e que não frequentava festas promovidas pelo banqueiro. A declaração ocorreu durante um encontro com mulheres conservadoras em Brasília.

Informações divulgadas posteriormente apontaram que, em 19 de janeiro de 2025, Flávio, a esposa Fernanda e as duas filhas viajaram dos Estados Unidos para Brasília em um jato Legacy 650 operado pela empresa Prime You, que tinha Daniel Vorcaro entre seus sócios naquele período.

A existência do voo passou a ser mais um elemento utilizado para questionar a declaração anterior do senador sobre não ter utilizado aeronave relacionada ao empresário.

Flávio afirmou, contudo, que não considerava o episódio como uma relação pessoal com Vorcaro e continuou sustentando que seus contatos com o empresário estavam relacionados ao filme.

Relação com o filme

As informações sobre o financiamento de “Dark Horse” também provocaram versões diferentes entre integrantes da própria produção.

Flávio afirmou que procurou investidores privados para viabilizar o projeto e que o acordo com Vorcaro previa pagamentos para a realização do longa. Segundo ele, o problema surgiu porque o banqueiro teria deixado de cumprir parte dos compromissos financeiros assumidos.

A produtora responsável pelo filme, porém, afirmou que não havia recebido recursos diretamente de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas controladas pelo empresário. O deputado federal Mário Frias, produtor-executivo da obra, também declarou que Flávio não possuía participação societária no filme ou na produtora.

As mensagens atribuídas ao senador e ao banqueiro, entretanto, registram cobranças relacionadas a valores destinados à produção.

O episódio passou a integrar as discussões em torno das investigações envolvendo o Banco Master, especialmente diante da prisão de Vorcaro e das apurações sobre as operações financeiras realizadas pelo grupo.

Contatos continuaram mesmo após crise do Master

As conversas divulgadas também indicam que a comunicação entre Flávio e Vorcaro não ocorreu apenas durante a fase inicial de negociação do filme.

Em novembro de 2025, quando o Banco Master já enfrentava uma crise que culminaria na prisão de Vorcaro, Flávio enviou uma mensagem ao banqueiro cobrando uma posição sobre os pagamentos relacionados à produção.

No dia seguinte, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal. Pouco depois, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.

Flávio posteriormente confirmou que chegou a se encontrar com Vorcaro após a primeira prisão do empresário. Segundo o senador, o encontro teve como objetivo tratar do encerramento da participação do banqueiro no projeto cinematográfico.

Declarações voltam ao centro da campanha

A sequência de declarações sobre Vorcaro passou a ter impacto político durante a campanha presidencial de 2026. O caso envolve, ao mesmo tempo, a relação pessoal alegada entre o senador e o ex-banqueiro, as negociações financeiras relacionadas ao filme sobre Jair Bolsonaro e as investigações envolvendo o Banco Master.

Em entrevistas mais recentes, Flávio voltou a afirmar que sua relação com Vorcaro estava relacionada exclusivamente ao projeto cinematográfico. O candidato também passou a questionar relações de outros políticos com o ex-banqueiro e a cobrar explicações sobre encontros e contatos de Vorcaro com integrantes de diferentes setores.

As diferentes versões apresentadas desde o início das revelações, porém, continuam sendo utilizadas para questionar a extensão da relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.