Da Redação

Mauro Mattosinho afirma que registros da aviação executiva permitem identificar aeronaves, trajetos e responsáveis pelo custeio das viagens do deputado

O piloto Mauro Mattosinho afirmou que é possível rastrear os voos realizados pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em aeronaves particulares e identificar quem teria custeado os deslocamentos. A declaração ocorre após a divulgação de mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, nas quais ele afirma ter bancado viagens do parlamentar.

Segundo Mattosinho, a aviação executiva mantém registros que possibilitam identificar as aeronaves utilizadas, os trajetos realizados e as empresas responsáveis pela operação dos voos. Para ele, a apresentação das notas fiscais relacionadas aos deslocamentos seria uma maneira objetiva de esclarecer quem efetivamente pagou pelas viagens.

O piloto questionou publicamente a origem dos recursos utilizados nos deslocamentos e defendeu que sejam apresentados documentos fiscais que comprovem a contratação dos serviços.

Mensagens atribuídas a Vorcaro levantaram questionamentos

A discussão ganhou força depois da divulgação de conversas de abril de 2024 entre Daniel Vorcaro e o empresário Flávio Carneiro. Nas mensagens, o então dono do Banco Master afirmou ter bancado os voos de Nikolas Ferreira.

As conversas, porém, não especificam quantas viagens teriam sido custeadas pelo empresário nem a qual período os supostos pagamentos se referem.

A declaração de Vorcaro ocorreu durante uma conversa sobre críticas feitas por Nikolas a um evento realizado em Londres e patrocinado pelo Banco Master. O encontro reuniu integrantes do Judiciário, autoridades do governo federal e outros nomes da política brasileira.

Na época, Nikolas questionou publicamente quem havia arcado com as despesas das autoridades que participaram do evento e afirmou que recorreria à Lei de Acesso à Informação para descobrir se recursos públicos haviam sido utilizados.

Nikolas utilizou aeronave ligada a Vorcaro em 2022

Um dos episódios que passou a ser citado no debate ocorreu durante o segundo turno das eleições de 2022. Na ocasião, Nikolas participou da caravana “Juventude pelo Brasil”, organizada em apoio à campanha de reeleição do então presidente Jair Bolsonaro (PL).

Durante aproximadamente dez dias, o parlamentar utilizou um jato ligado à Prime You, empresa que teve Daniel Vorcaro entre seus sócios.

A aeronave percorreu nove estados e o Distrito Federal entre os dias 20 e 28 de outubro daquele ano. A agenda incluiu capitais do Nordeste, além de compromissos em Minas Gerais e São Paulo.

Nikolas estava acompanhado durante parte da programação pelo pastor Guilherme Batista, ligado à Igreja Batista da Lagoinha, e por influenciadores.

O parlamentar já havia afirmado anteriormente que não contratou o avião e que a logística da viagem foi organizada por terceiros. Segundo ele, quando aceitou participar da agenda, não sabia quem era o proprietário da aeronave.

Nikolas também argumentou que, em 2022, Vorcaro ainda não estava publicamente associado às suspeitas que posteriormente passaram a envolver o Banco Master.

Piloto afirma que documentação pode esclarecer custeio

Para Mauro Mattosinho, independentemente das versões apresentadas, os registros existentes no setor aéreo permitiriam reconstruir os deslocamentos.

O piloto afirma que dados como matrícula da aeronave, operador, origem, destino e período dos voos podem ser verificados. A partir dessas informações, segundo ele, seria possível chegar às empresas envolvidas e buscar os documentos fiscais correspondentes.

Mattosinho defende, portanto, que as notas fiscais sejam apresentadas para esclarecer quem contratou e pagou pelos serviços.

A cobrança ganhou repercussão justamente porque a declaração atribuída a Vorcaro vai além do episódio conhecido de 2022. Ao dizer que teria bancado “todos os voos” de Nikolas, o empresário não detalhou quais viagens estavam incluídas na afirmação.

Deputado nega ter recebido dinheiro

Após a repercussão das mensagens envolvendo Vorcaro, Nikolas afirmou que nunca recebeu dinheiro do empresário.

O deputado reconheceu que utilizou uma aeronave ligada ao então banqueiro durante a campanha de 2022, mas sustenta que participou da viagem como convidado e que não foi responsável pela contratação do serviço.

Nikolas também admitiu ter mantido contatos com Vorcaro em outras ocasiões, mas nega que houvesse uma relação de proximidade ou vínculo financeiro entre os dois.

As novas revelações aumentaram a pressão por esclarecimentos sobre a relação entre o parlamentar e o ex-controlador do Banco Master. Até o momento, as mensagens divulgadas não detalham quais voos teriam sido pagos por Vorcaro, e a declaração do empresário, por si só, não comprova o custeio de todas as viagens mencionadas.