O ex-senador Rodrigo Pacheco (PSD) voltou a ganhar força nos bastidores políticos como possível indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação ocorre após a reaproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que voltaram a atuar em conjunto em pautas de interesse do governo federal.

Pacheco era o nome preferido de Alcolumbre para ocupar a vaga aberta na Suprema Corte, mas Lula optou por indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias. A decisão provocou um desgaste na relação entre o presidente da República e o comando do Senado, além de uma disputa política em torno da escolha do novo ministro.

Agora, com a retomada do diálogo entre Lula e Alcolumbre, a possibilidade de indicação de Pacheco voltou a ser discutida. A articulação também estaria relacionada às estratégias políticas para as eleições presidenciais de 2026.

Aproximação política envolve disputa presidencial

A reaproximação entre Lula e Alcolumbre ocorre em meio às movimentações para a disputa pelo Palácio do Planalto. Os dois passaram a convergir em iniciativas voltadas a fortalecer o campo governista e dificultar uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial.

Um dos resultados dessa aproximação foi a aprovação, no Senado, da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, uma das principais bandeiras defendidas por Lula em sua campanha à reeleição.

Nesse contexto, a indicação de Pacheco ao STF aparece como uma possibilidade dentro das negociações políticas entre os dois líderes. A escolha permitiria a Alcolumbre emplacar um nome de sua preferência na Corte e, ao mesmo tempo, daria ao governo a possibilidade de influenciar a composição do tribunal antes da formação de um novo Congresso.

Indicação ainda em 2026 é considerada estratégica

Uma das hipóteses discutidas nos bastidores é que Lula indique Pacheco ao Supremo ainda em 2026. A estratégia teria como objetivo reduzir a possibilidade de que Flávio Bolsonaro, caso eleito presidente, escolha ministros alinhados à direita para as vagas que venham a surgir na Corte.

Pacheco conta com apoio de uma parcela expressiva dos senadores e teria condições favoráveis de aprovação na atual composição da Casa. A avaliação de interlocutores políticos é que a resistência ao nome do ex-presidente do Senado seria menor do que a enfrentada por outros possíveis indicados.

O cenário, entretanto, ainda depende de decisões políticas e da definição sobre o preenchimento das vagas no tribunal. Pacheco foi indicado ao Tribunal de Contas da União (TCU), mas a possibilidade de sua ida ao STF voltou a ser considerada diante das novas articulações.

Rejeição de Jorge Messias marcou crise anterior

A escolha de Jorge Messias por Lula provocou um dos momentos mais delicados da relação entre o Executivo e o Senado. Alcolumbre defendia Pacheco para a vaga, mas acabou preterido pelo presidente da República.

A disputa ganhou dimensão histórica quando Messias teve sua indicação rejeitada pelo Senado, em um episódio incomum na relação entre os Poderes. O resultado evidenciou a força da articulação política contrária ao nome escolhido pelo governo.

Com a reaproximação entre Lula e Alcolumbre, o cenário voltou a mudar. A possibilidade de uma indicação de Pacheco passou a ser vista como uma alternativa para recompor a relação entre os dois e ampliar a influência do atual governo sobre a composição do Supremo.

STF terá novas vagas nos próximos anos

Além da vaga atualmente em disputa, outras três cadeiras do Supremo Tribunal Federal deverão ser abertas nos próximos anos, em razão das aposentadorias previstas de ministros.

Luiz Fux deverá deixar a Corte em abril de 2028, enquanto Cármen Lúcia tem aposentadoria prevista para abril de 2029. Gilmar Mendes, por sua vez, deverá completar a idade-limite para permanência no tribunal em dezembro de 2030.

Essas futuras mudanças tornam a composição do STF um tema estratégico para os grupos políticos que disputam o comando do país. A escolha dos ministros tem efeitos de longo prazo, já que os integrantes da Corte permanecem no cargo até a aposentadoria compulsória, salvo outras hipóteses legais de saída.

Lula poderá fazer novas indicações se for reeleito

Caso conquiste um novo mandato, Lula poderá indicar ministros para as vagas que surgirem durante o próximo período presidencial. Nesse cenário, Pacheco e Jorge Messias aparecem entre os nomes que poderiam ser considerados pelo presidente.

A possibilidade também inclui a indicação de mulheres para o tribunal, como parte de uma eventual composição futura da Corte.

Por enquanto, a volta de Pacheco ao radar do STF representa uma articulação em andamento, sem confirmação oficial de que Lula tenha tomado uma decisão sobre o assunto. O desfecho dependerá das negociações entre o Palácio do Planalto, o Senado e as forças políticas envolvidas na disputa presidencial.