Da Redação
]A primeira pesquisa Quaest sobre o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 mostra uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Divulgado na quarta-feira (14), o levantamento aponta Flávio com 46% das intenções de voto, contra 44% de Lula. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os candidatos estão tecnicamente empatados.
A pesquisa ouviu 2.154 pessoas entre os dias 10 e 13 de outubro, tem nível de confiança de 95% e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08729/2026.
Embora Flávio apareça numericamente à frente, os dados indicam que a disputa permanece aberta. Um dos pontos que podem influenciar o resultado é o comportamento dos eleitores que não votaram no primeiro turno ou optaram por votos brancos e nulos.
Eleitores que não votaram no primeiro turno podem favorecer Lula
De acordo com os dados apresentados pelo cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, entre os eleitores que se abstiveram ou votaram em branco ou nulo no primeiro turno, 43% afirmaram que pretendem votar em Lula no segundo turno. Flávio Bolsonaro aparece com 38% das intenções desse grupo.
O resultado coloca esse eleitorado como um dos segmentos importantes para a definição da disputa. A capacidade de atrair pessoas que não participaram da primeira votação pode influenciar diretamente o resultado final, especialmente em uma eleição marcada pela proximidade entre os candidatos.
Para Lula, a mobilização desse público representa uma oportunidade de ampliar sua votação. Já para Flávio, o desafio é conquistar parte dos eleitores que ainda não demonstraram preferência pela candidatura do senador.
Transferência de votos da direita é outro desafio
Outro aspecto destacado pelo levantamento é a transferência de votos dos candidatos que ficaram fora do segundo turno. Entre os eleitores que apoiaram nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), há uma tendência de aproximação com Flávio Bolsonaro.
Segundo Felipe Nunes, a maior parte dos eleitores que escolheram alternativas à polarização entre Lula e Bolsonaro no primeiro turno demonstra intenção de votar no senador do PL.
Mesmo assim, a transferência desses votos não significa uma adesão automática de todo o eleitorado dos candidatos derrotados. A disputa também depende da participação dos eleitores que não compareceram às urnas e daqueles que ainda não decidiram como votar.
Rejeição mantém disputa acirrada
Além das intenções de voto, a pesquisa revela índices elevados de rejeição aos dois candidatos. Flávio Bolsonaro registra 54%, enquanto Lula aparece com 53%.
Os números indicam que ambos enfrentam resistência de parcelas significativas do eleitorado. Nesse cenário, conquistar os eleitores indecisos e reduzir a rejeição pode ser tão importante quanto consolidar os votos já declarados.
A diferença de dois pontos percentuais nas intenções de voto, portanto, não permite apontar um favorito com segurança. A margem de erro mantém os dois candidatos em situação de empate técnico.
Campanhas devem intensificar mobilização
Com a votação do segundo turno prevista para 25 de outubro, as campanhas entram em uma etapa decisiva da disputa. A tendência é que os candidatos concentrem esforços na conquista de eleitores que ainda não definiram seu voto e na mobilização daqueles que não participaram do primeiro turno.
Para Lula, os dados sobre abstenção reforçam a importância de convencer eleitores que ficaram fora da primeira votação a comparecer às urnas. Para Flávio, a estratégia passa pela consolidação do apoio de setores da direita e pela ampliação de sua presença entre eleitores que escolheram outros candidatos.
O levantamento da Quaest mostra que a eleição permanece indefinida. Apesar da vantagem numérica de Flávio Bolsonaro, a margem de erro e a distribuição das intenções de voto entre diferentes grupos indicam que a disputa pelo Palácio do Planalto segue aberta até a votação final.








