Da Redação
A deputada federal reeleita e presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), Adriana Accorsi, elevou o tom das críticas a integrantes da chamada “velha guarda” da sigla em Goiás nesta quinta-feira (15). A parlamentar acusa um grupo interno de tentar afastá-la da direção estadual e de resistir à sua liderança. Em resposta ao movimento, anunciou a criação da Força Popular, uma nova corrente ligada aos movimentos sociais e sindicais.
Em manifestação pública, Accorsi afirmou que integrantes do partido continuam incomodados com o protagonismo feminino e estariam articulando sua saída da presidência estadual. Sem citar nomes diretamente, a deputada disse que já enfrentou tentativas anteriores de impedir sua candidatura à reeleição para a Câmara dos Deputados.
“Minha resposta para eles, mais uma vez, é simples: não”, declarou.
A parlamentar também ressaltou que foi eleita dirigente partidária com 95% dos votos e destacou o resultado obtido nas urnas. Segundo ela, a votação expressiva representa o reconhecimento de seu trabalho e fortalece sua posição dentro da legenda.
Deputada destaca crescimento eleitoral do PT em Goiás
Ao justificar sua atuação à frente do partido, Accorsi apresentou números que, segundo ela, demonstram o crescimento eleitoral do PT no estado entre 2022 e 2026.
A deputada informou ter recebido 177.103 votos, um aumento de aproximadamente 83% em comparação com os 96.714 registrados na eleição anterior. Com esse resultado, tornou-se a segunda candidata mais votada em Goiás no pleito, conforme os dados apresentados por ela.
Accorsi também destacou o desempenho de Rubens Otoni, que ampliou sua votação de 83.539 para 101.902 votos. O partido manteve duas cadeiras na Câmara dos Deputados e passou de três para quatro representantes na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), com as eleições de Fabrício Rosa, Antônio Gomide, Kátia Maria e Bia de Lima.
Fabrício Rosa, por sua vez, recebeu 81.540 votos, tornando-se o segundo candidato mais votado para a Assembleia Legislativa.
Na avaliação da presidente estadual, os números demonstram que a estratégia adotada pela direção contribuiu para ampliar a presença do partido nos legislativos estadual e federal. Ela também afirmou que a votação do candidato petista ao governo de Goiás cresceu 46% em relação à eleição de 2022.
Disputa interna envolve comando do partido e campanha de Lula
O conflito ocorre em meio às articulações políticas do PT em Goiás e à organização da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em conversas internas, Accorsi relatou ter sido informada pelo presidente nacional do partido, Edinho Silva, de que integrantes da legenda em Goiás teriam dito que ela estaria doente e não conseguiria assumir a coordenação da campanha presidencial no estado.
A deputada contestou a informação e reagiu publicamente, utilizando registros de sua participação em atividades políticas para demonstrar que continuava atuante.
O episódio aprofundou o desgaste entre a parlamentar e integrantes de outras correntes petistas. Nas mensagens compartilhadas em grupos internos, Accorsi anunciou a intenção de organizar uma nova tendência partidária e convidou os interessados a acompanhá-la.
A movimentação evidencia uma disputa por espaço e influência dentro do PT goiano em um momento estratégico para a organização eleitoral da legenda.
Nova corrente será chamada Força Popular
A nova corrente anunciada por Accorsi receberá o nome de Força Popular. De acordo com a deputada, o grupo terá ligação com movimentos sociais e sindicais e manterá o alinhamento político com o presidente Lula.
A parlamentar afirmou que a iniciativa pretende fortalecer a participação popular, a defesa dos direitos da classe trabalhadora e as pautas relacionadas aos direitos das mulheres. Também destacou a importância do pensamento progressista e da juventude para o futuro do partido.
“Estou criando a nova Força Popular, ligada aos movimentos sociais e sindicais. Com ela, seguimos firmes junto com o presidente Lula e do lado do povo”, afirmou.
A criação da corrente representa um movimento de reorganização interna, em meio às divergências entre grupos que disputam influência na direção estadual do PT.
Atritos com a chamada velha guarda
Embora não tenha identificado nominalmente todos os integrantes que critica, Accorsi se referiu a uma ala histórica do partido que, segundo relatos de bastidores, mantém divergências com sua condução política há algum tempo.
Entre os nomes associados às disputas internas está o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. A tensão envolveria diferenças sobre a composição de candidaturas, o comando partidário e a distribuição de espaço político.
A presidente estadual afirma que já enfrentou pressões para desistir da disputa pela reeleição à Câmara dos Deputados. Na avaliação dela, as tentativas de afastamento desconsideram o resultado eleitoral e a votação que recebeu na escolha interna para a direção do partido.
O anúncio da Força Popular, portanto, não se limita à criação de um novo grupo. A iniciativa também sinaliza a intenção de Accorsi de ampliar sua base de apoio e fortalecer sua posição nas decisões políticas da legenda em Goiás.
PT enfrenta desafio para manter unidade
A disputa interna ocorre em um período no qual o partido precisa organizar suas forças para a campanha presidencial e articular sua atuação política no estado.
A divisão entre lideranças pode dificultar a coordenação das atividades eleitorais e ampliar as tensões sobre os rumos da sigla em Goiás. Ao mesmo tempo, a criação de uma nova corrente abre espaço para uma reorganização dos grupos internos e para a formação de novas alianças.
Accorsi afirma que pretende continuar à frente de sua atuação política com apoio dos movimentos sociais, dos sindicatos e de setores progressistas. A deputada sustenta que os resultados eleitorais reforçam sua legitimidade e que não pretende abrir mão do espaço conquistado dentro do partido.
O desfecho da disputa deverá depender das próximas articulações entre as correntes petistas e das decisões sobre a organização da legenda no estado.







