Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, indicam que o empresário recebia reportagens do portal Metrópoles antes da publicação e solicitava alterações nos textos. Ao menos 14 matérias teriam sido encaminhadas previamente a ele, das quais 11 foram modificadas após suas sugestões, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (15).

As conversas também mostram que a direção do portal consultava Vorcaro sobre pautas relacionadas aos negócios do banco e atendia a pedidos para retirar informações ou modificar o enfoque de determinadas reportagens. A relação se desenvolveu a partir de 2024, mesmo ano em que o Banco Master fechou um contrato publicitário de R$ 20 milhões com o grupo de comunicação.

Os diálogos envolvem o ex-banqueiro e Lilian Tahan, CEO do Metrópoles. As mensagens indicam que a interlocução entre os dois ultrapassava o contato comercial e alcançava diretamente o processo de produção e edição de conteúdo jornalístico.

Contrato milionário marcou aproximação entre as partes

A aproximação começou em maio de 2024, quando Guilherme Barros, assessor de imprensa do Banco Master, organizou um encontro entre Vorcaro e Lilian Tahan.

Cerca de um mês depois, o banco pagou R$ 1 milhão ao portal. Em julho daquele ano, foi acertado um novo pagamento de R$ 900 mil para financiar projetos de educação financeira ligados à seguradora Kovr e ao banco digital Will, empresas relacionadas ao grupo de Vorcaro.

Em novembro, uma nova negociação resultou em um contrato de publicidade de R$ 20 milhões. Nas conversas, o empresário demonstrou considerar estratégica a relação com o portal e autorizou o acordo. Os pagamentos foram realizados em 2025, em parcelas de R$ 5 milhões, conforme as mensagens analisadas.

O volume dos negócios coincide com o período em que Vorcaro passou a receber conteúdos antecipadamente e a apresentar sugestões sobre reportagens que envolviam seus interesses empresariais.

Vorcaro solicitou mudanças em reportagens

Um dos episódios ocorreu em abril de 2025, quando Lilian enviou ao empresário informações sobre uma possível proposta de compra de ativos do Banco Master por R$ 1. Vorcaro contestou a informação e afirmou que a proposta nunca havia existido. Em resposta, a executiva disse que o conteúdo seria retirado.

No dia seguinte, Lilian informou que havia recebido um documento de interesse da equipe do portal e combinou o envio de uma cópia física ao banqueiro.

Em outra conversa, a CEO sugeriu a publicação de uma reportagem comparando os balanços do Master e do Banco de Brasília (BRB). Vorcaro demonstrou interesse e pediu a oportunidade de analisar os dados antes da divulgação. A executiva concordou, e o texto foi publicado após ser encaminhado a ele.

Em maio, o empresário também pediu a retirada de uma referência à Hapvida em uma reportagem sobre a venda de ativos do Master ao BTG Pactual. Segundo as mensagens, a solicitação foi atendida.

Reportagens sobre diretor do Banco Central também foram alteradas

As conversas revelam ainda a participação de Vorcaro em decisões relacionadas à cobertura de Renato Gomes, então diretor do Banco Central envolvido na análise da tentativa de aquisição do Master pelo BRB.

Em agosto de 2025, o empresário opinou sobre uma entrevista com o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Vorcaro sugeriu que o texto concentrasse a atenção em Campos Neto e reservasse as referências a Gomes para uma reportagem específica sobre o diretor.

Posteriormente, ao receber um perfil de Gomes, o ex-banqueiro recomend