O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) criticou o cancelamento do debate que seria realizado pela TV Globo na noite desta quinta-feira (1º). O encontro estava previsto para as 21h30 e seria o último debate entre os candidatos antes do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4).

Caiado já estava nas instalações da emissora quando recebeu a informação sobre o cancelamento. Segundo o candidato, ele chegou ao local por volta das 18h30, cerca de três horas antes do início previsto do programa.

Ao comentar a decisão, o ex-governador de Goiás classificou o episódio como “inimaginável” e “inaceitável” e afirmou que a situação representa um desrespeito aos eleitores que aguardavam o encontro para conhecer as propostas dos candidatos.

“Nós estamos a dois dias da eleição, agora acaba de cancelar o debate. Inimaginável, inaceitável. Eu, com todos esses anos de vida pública, jamais imaginei que nós chegaríamos a essa situação”, declarou.

Caiado critica impacto para os eleitores

O candidato afirmou que o debate teria importância especialmente por ocorrer poucos dias antes da votação. Segundo ele, os eleitores esperavam utilizar o encontro para comparar as propostas dos concorrentes.

Caiado citou temas como juros, renda das famílias e segurança pública como assuntos que deveriam ser discutidos pelos candidatos.

“É um desrespeito com você, eleitor, que está aí hoje aguardando as propostas, para saber o que vai interferir na sua vida”, afirmou.

Em outro momento, o candidato destacou as dificuldades econômicas enfrentadas pela população e mencionou a violência como uma das principais questões que deveriam estar no centro da discussão eleitoral.

Candidato critica decisões judiciais

Caiado também questionou as decisões judiciais que alteraram as regras inicialmente estabelecidas para o debate.

A TV Globo informou que recebeu duas determinações pouco antes da transmissão. Uma delas, da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), impediu a manutenção do púlpito destinado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia informado que não participaria do programa. A decisão também afetou a possibilidade de candidatos presentes formularem perguntas dirigidas ao petista.

A outra determinação, do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), garantiu a participação de Renan Santos (Missão) no debate.

A emissora afirmou que as mudanças alteraram regras previamente discutidas com as campanhas e provocaram insegurança jurídica. O debate acabou cancelado.

Caiado criticou a interferência das cortes no formato do programa e afirmou que as regras haviam sido previamente definidas pelos partidos.

“Por que uma pessoa acha que, com uma canetada, pode mudar um processo eleitoral? Por quê? As regras não foram assinadas por todos os partidos? As regras não foram definidas por todos?”, questionou.

Caiado fala em prejuízo ao processo eleitoral

Antes do anúncio definitivo do cancelamento, Caiado já havia criticado o cenário envolvendo os debates presidenciais. Segundo ele, a sequência de ausências e mudanças nas regras teria prejudicado a possibilidade de os candidatos apresentarem suas propostas.

O candidato também afirmou que o debate da Globo poderia representar uma oportunidade para recuperar a confiança de eleitores que, segundo sua avaliação, estariam descrentes da capacidade do voto de provocar mudanças no país.

Caiado afirmou que milhões de brasileiros estariam desmotivados em relação ao processo eleitoral e defendeu a realização de debates como instrumento para ampliar a discussão sobre os rumos do país.

Críticas a Lula e Flávio Bolsonaro

Ao ser questionado sobre o cancelamento, Caiado também responsabilizou Lula pelo cenário que levou à suspensão do encontro.

O candidato afirmou que a ausência do presidente teria sido um dos fatores determinantes para o impasse e relacionou a decisão de Lula à participação de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa.

Segundo Caiado, Flávio teria desafiado Lula para um confronto durante uma passagem por Goiânia, mas o presidente posteriormente teria optado por não participar do debate.

“O debate é que o Lula provocou tudo isso. Ele foi o fator determinante de tudo isso”, afirmou Caiado.

O candidato também criticou a participação de Lula em uma entrevista ao Flow Podcast no mesmo horário em que ocorreria o debate da Globo.

Flávio, por sua vez, havia inicialmente confirmado presença no debate, mas anunciou a desistência após as mudanças determinadas pela Justiça. O candidato afirmou que não iria “compactuar com censura” e anunciou uma transmissão ao vivo nas redes sociais para o mesmo horário do programa.

Debate reuniria candidatos na reta final

Além de Caiado, Ronaldo Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e outros candidatos estavam previstos para participar do debate. Caiado, Cury e Zema já haviam chegado à sede da Globo quando receberam a informação sobre o cancelamento.

O encontro seria o último debate presidencial antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

Com o cancelamento, os candidatos que compareceram à emissora não tiveram a oportunidade de apresentar suas propostas no último confronto televisivo previsto antes da votação.

A Globo informou que tomou a decisão diante das alterações determinadas judicialmente e agradeceu aos candidatos que haviam confirmado presença no programa.