Walison Veríssimo

O entorno do candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) descarta a possibilidade de o ex-governador de Goiás fazer campanha para Flávio Bolsonaro (PL) caso os dois não avancem juntos para o segundo turno das eleições de 2026. A informação foi publicada pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, no domingo (27).

Segundo a apuração, um aliado próximo de Caiado resumiu a possibilidade de apoio ao senador do PL como “chance zero”. A mesma fonte afirmou que o candidato do PSD provavelmente nem faria uma declaração protocolar de apoio a Flávio em uma eventual disputa contra um candidato do PT.

De acordo com o relato, em um cenário no qual Flávio Bolsonaro chegasse ao segundo turno contra um nome petista, Caiado poderia limitar sua manifestação a dizer que não votaria no PT, sem participar da campanha do adversário.

Distanciamento entre Caiado e Flávio

A possibilidade de uma aproximação entre os dois candidatos vem sendo dificultada pelo tom adotado durante a campanha presidencial. Caiado tem feito críticas a Flávio Bolsonaro e procurado apresentar sua candidatura como uma alternativa tanto ao PT quanto ao grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em julho, durante a convenção nacional que oficializou sua candidatura à Presidência pelo PSD, Caiado evitou declarar quem apoiaria em um eventual segundo turno. Na ocasião, questionado sobre um possível confronto entre Lula e Flávio, afirmou que ele próprio estaria na segunda etapa da eleição.

Na mesma ocasião, Caiado fez críticas aos dois principais adversários e afirmou que não considerava adequada a escolha entre candidatos que, segundo sua avaliação, representariam os polos de maior rejeição da política nacional.

Em agosto, o candidato também declarou que sua candidatura era independente e que não apoiava nenhum outro nome. A declaração ocorreu após Flávio Bolsonaro criticar candidatos de direita que, segundo ele, poderiam acabar favorecendo o PT.

Atritos aumentaram durante a campanha

A relação entre as duas campanhas também foi marcada por declarações de integrantes do PSD e do PL.

Em agosto, Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e candidato a vice na chapa de Caiado, afirmou que Flávio Bolsonaro teria “chance zero” de vencer a eleição. A declaração provocou reação de integrantes da campanha do PL, que acusaram o PSD de favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Caiado, por sua vez, afirmou que sua candidatura não estava vinculada a nenhum dos dois principais polos da disputa e manteve críticas ao PT e ao bolsonarismo.

O candidato também chegou a dizer que Flávio Bolsonaro não teria condições de derrotar Lula em um eventual segundo turno, embora tenha evitado antecipar uma posição sobre quem apoiaria caso ficasse fora da disputa.

Pesquisa mostra disputa acirrada em Goiás

Apesar do cenário de distanciamento entre os candidatos, pesquisas recentes mostram uma disputa competitiva entre Caiado e Flávio em Goiás.

Levantamento Real Time Big Data divulgado em 22 de setembro apontou Caiado com 31% das intenções de voto entre os eleitores goianos, seguido por Flávio Bolsonaro, com 30%, e Lula, com 26%. A margem de erro era de dois pontos percentuais, o que colocava Caiado e Flávio em empate técnico. A pesquisa ouviu 1.600 eleitores entre 17 e 21 de setembro.

No cenário nacional, Caiado aparece em uma posição diferente. Pesquisas recentes citadas pela imprensa registraram o candidato do PSD na faixa de 4% das intenções de voto, enquanto Lula e Flávio ocupam posições superiores na corrida presidencial.

Flávio busca apoios para um eventual segundo turno

Enquanto Caiado mantém distância da campanha do PL, Flávio Bolsonaro vem articulando possíveis apoios para uma eventual segunda etapa da eleição.

Reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 24 de setembro informou que Flávio procurou os presidentes nacionais do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antônio Rueda, em busca de apoio dos partidos caso avance para o segundo turno.

O cenário também envolve diferentes posicionamentos dentro do chamado campo de centro. A definição de apoios em uma segunda etapa dependerá dos candidatos que efetivamente chegarem ao segundo turno e das negociações políticas realizadas após o resultado da primeira votação.

Por enquanto, portanto, a posição atribuída a aliados de Caiado é de que o candidato do PSD não deverá participar de uma eventual campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno. A possibilidade mencionada é de que, caso o senador do PL enfrente um candidato do PT, Caiado apenas manifeste sua oposição ao partido, sem aderir formalmente à campanha de Flávio.