Pablo Marçal passou a atuar nas articulações da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) em busca de apoio de outros candidatos da direita para a disputa presidencial. Entre os nomes procurados está o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), a quem Marçal teria oferecido o comando de um futuro Ministério da Segurança Pública em um eventual governo de Flávio.
A informação foi divulgada nesta quinta-feira (1º) pelo jornalista Vinícius Murad, da CNN Brasil. Segundo a apuração, Marçal foi escolhido pela campanha de Flávio para estabelecer uma ponte com Caiado e tentar convencê-lo a abandonar a candidatura antes do primeiro turno, marcado para domingo (4).
Marçal passou a integrar oficialmente a campanha de Flávio em 30 de setembro, depois de ter sua candidatura à Presidência barrada pela Justiça Eleitoral.
Marçal fez contato com Caiado
Segundo a apuração da CNN Brasil, Marçal teria enviado mensagens diretamente a Caiado para defender uma união entre os candidatos de direita. O argumento apresentado seria a necessidade de concentrar votos em torno de Flávio Bolsonaro para tentar derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda no primeiro turno.
Durante a articulação, Marçal teria apresentado a possibilidade de Caiado ocupar o Ministério da Segurança Pública em um eventual governo de Flávio.
A proposta estaria relacionada ao plano de governo do senador, que prevê mudanças na estrutura da administração federal e a criação de uma pasta específica para a área de segurança pública.
Apesar da abordagem, o entorno de Caiado teria descartado qualquer possibilidade de negociação com a campanha de Flávio antes da votação de domingo.
Ainda de acordo com a apuração, Marçal teria indicado que a oferta relacionada ao ministério estaria condicionada a uma decisão de Caiado antes do primeiro turno.
Ministério ainda não existe
O Ministério da Segurança Pública mencionado na articulação não existe atualmente como uma pasta independente.
A estrutura da segurança pública federal está atualmente vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. A proposta apresentada no plano de governo de Flávio Bolsonaro prevê a separação das duas áreas e a criação de uma estrutura ministerial específica para a segurança pública.
A eventual nomeação de Caiado, portanto, dependeria da vitória de Flávio, da implementação da estrutura prevista no programa e de uma decisão futura do presidente eleito.
Flávio também busca apoio dentro do PSD
As articulações da campanha de Flávio não se limitam a Caiado. Segundo a CNN Brasil, o senador também iniciou conversas com Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, em busca de apoio para um eventual segundo turno.
O PSD lançou Caiado como candidato à Presidência, mas o partido possui diferentes grupos regionais com posições distintas em relação à disputa nacional.
Em alguns estados, lideranças da legenda mantêm proximidade com Flávio Bolsonaro. É o caso de setores do PSD no Paraná e em Santa Catarina. Na Bahia, por outro lado, integrantes do partido são alinhados ao presidente Lula.
Diante dessa divisão interna, a possibilidade considerada é de que o PSD adote uma posição de neutralidade em um eventual segundo turno e permita que os diretórios estaduais definam individualmente seus apoios.
Marçal também procura outros candidatos
Além de Caiado, Pablo Marçal teria procurado os candidatos Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante).
A estratégia da campanha de Flávio é buscar uma concentração de votos entre candidaturas identificadas com a direita e centro-direita antes da votação.
Marçal passou a defender publicamente que os candidatos abandonem suas campanhas e apoiem Flávio. Em uma transmissão ao vivo realizada após o cancelamento do debate presidencial da TV Globo, o empresário voltou a fazer apelos a Caiado, Zema e Cury.
No caso de Caiado, Marçal afirmou que o ex-governador poderia desempenhar um papel de destaque em uma eventual administração de Flávio, mencionando especificamente a área de segurança pública.
Caiado mantém candidatura
Até o momento, Caiado não anunciou desistência da candidatura à Presidência. Segundo as informações divulgadas pela CNN Brasil, integrantes de seu entorno descartam uma aproximação com a campanha de Flávio antes do primeiro turno.
O ex-governador de Goiás segue na disputa pelo PSD e aparece entre os candidatos que participam da eleição presidencial deste domingo.
As articulações para um eventual segundo turno, porém, já começaram entre diferentes grupos políticos, especialmente diante da possibilidade de alianças entre candidatos que não avancem para a próxima etapa da eleição.
O primeiro turno das Eleições 2026 será realizado neste domingo (4). Caso nenhum candidato obtenha mais da metade dos votos válidos, os dois mais votados disputarão o segundo turno.







