O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (PSD) afirmou que não apoiará a candidatura de Celina Leão (PP) à reeleição ao Governo do Distrito Federal. A declaração ocorreu neste domingo, 27, poucas horas depois de o diretório regional do PSD anunciar que pretende apoiar a atual governadora.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Arruda afirmou que respeita a decisão tomada pelo partido, mas disse que não dará seu voto nem seu apoio à chapa de Celina, que tem Gustavo Rocha (Republicanos) como candidato a vice.
“Eles não terão o meu apoio”, declarou o ex-governador.
Durante o pronunciamento, Arruda fez críticas à administração de Celina e apresentou uma série de acusações contra a governadora e seu candidato a vice. Entre os pontos mencionados estão supostas relações financeiras envolvendo o advogado Engels Augusto Muniz e empresas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Citações envolvendo Vorcaro e empresas do DF
Ao comentar a composição da chapa de Celina, Arruda afirmou que não apoiaria os candidatos por supostos recebimentos de recursos relacionados a Vorcaro, à empresa de transporte Marechal e à companhia de limpeza urbana Sustentare.
Reportagens publicadas anteriormente apontaram que o escritório administrado pelo advogado Engels Augusto Muniz recebeu valores dessas empresas. Segundo levantamento do UOL, foram emitidas 121 notas fiscais para a Auto Viação Marechal desde 2023, totalizando R$ 43,4 milhões. Outras 72 notas foram emitidas para a Sustentare, somando R$ 13 milhões.
As empresas afirmam que os pagamentos correspondem a serviços jurídicos efetivamente prestados.
Também houve reportagem da Folha de S.Paulo apontando que Engels recebeu R$ 3 milhões do Banco Master e de Daniel Vorcaro. Segundo a publicação, R$ 1 milhão foi pago pelo banco em maio de 2025 e outros R$ 2 milhões foram transferidos em dezembro daquele ano, período em que o advogado já atuava na defesa de Vorcaro.
Engels administrava o escritório de Gustavo Rocha durante parte desse período. Ele afirmou que assumiu a gestão da banca porque Rocha, então secretário da Casa Civil do DF, estava impedido de exercer a advocacia. O advogado também declarou que não recebeu remuneração pela administração do escritório.
As informações citadas nas reportagens não apontam que Celina Leão ou Gustavo Rocha tenham recebido diretamente os valores mencionados. As transações citadas envolvem o advogado Engels Muniz, as empresas e as pessoas relacionadas aos negócios.
Críticas ao BRB
Arruda também direcionou críticas ao Banco de Brasília (BRB). Durante o pronunciamento, o ex-governador afirmou que a atual administração teria “quebrado o BRB”.
O banco está envolvido em uma crise relacionada às operações realizadas com o Banco Master. Um documento da Câmara Legislativa do Distrito Federal estima em R$ 12,2 bilhões o prejuízo associado à aquisição de carteiras de crédito que apresentam indícios de fraude.
O caso é alvo de investigação da Polícia Federal. Parte das operações analisadas ocorreu antes mesmo da tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB.
Privatização da CEB também foi questionada
Outro ponto citado por Arruda foi a privatização da Companhia Energética de Brasília (CEB).
A CEB Distribuição foi leiloada em dezembro de 2020 por R$ 2,515 bilhões. Posteriormente, o controle da empresa passou para a Neoenergia, em processo coordenado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Arruda incluiu a operação entre as críticas feitas à gestão do Distrito Federal durante seu pronunciamento.
Educação e saúde entram no discurso
O ex-governador também criticou os resultados da educação pública do Distrito Federal. Segundo ele, a capital teria deixado a primeira posição no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), alcançada durante seu governo, para ocupar a 27ª colocação atualmente.
A comparação, porém, depende do ano, da etapa de ensino e do indicador específico considerado, já que o Ideb apresenta resultados distintos para diferentes níveis da educação básica.
Na área da saúde, Arruda afirmou que o serviço público do Distrito Federal teria se transformado em um “caos”, mas não apresentou, durante o vídeo, dados específicos para fundamentar a afirmação.
Ao avaliar a administração de Celina, o ex-governador classificou o governo como “o pior governo da história de Brasília”.
PSD anuncia apoio a Celina
O posicionamento de Arruda veio após o presidente do PSD no Distrito Federal, Paulo Octávio, confirmar que a legenda apoiará Celina Leão na disputa pelo Palácio do Buriti.
De acordo com Paulo Octávio, a decisão foi tomada pela Executiva regional depois que a governadora procurou o partido. O anúncio oficial do apoio está previsto para esta segunda-feira, 28.
O dirigente também afirmou que os candidatos do PSD e o próprio Arruda estarão livres para definir seus posicionamentos individuais na eleição.
A decisão ocorre depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve, por 5 votos a 2, o indeferimento da candidatura de Arruda ao Governo do Distrito Federal. Com a retirada do ex-governador da disputa, o PSD passou a discutir novos caminhos para a eleição.
Antes da definição da legenda, Celina havia declarado que considerava natural uma eventual aliança com o PSD após a saída de Arruda da corrida eleitoral.
Celina nega relação financeira com Vorcaro
A governadora também já foi mencionada em discussões relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. Celina negou ter trocado mensagens com o banqueiro e afirmou que não recebeu dinheiro ou qualquer vantagem indevida dele.
Em relatos divulgados recentemente, Vorcaro teria mencionado a participação de Celina em negociações envolvendo o BRB e o Banco Master. A governadora contesta essa versão e afirma que se posicionou contra a operação desde o início.
Até a publicação desta matéria, Celina Leão e Gustavo Rocha não haviam se manifestado especificamente sobre as acusações apresentadas por Arruda no pronunciamento.
A declaração do ex-governador evidencia a divisão política provocada pela decisão do PSD de apoiar a atual governadora, após o impedimento de Arruda de disputar novamente o Governo do Distrito Federal.








