Da Redação

O Ministério da Saúde determinou a interrupção temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan após a identificação de eventos adversos graves registrados durante a campanha de imunização. A medida foi adotada de forma preventiva enquanto autoridades sanitárias investigam se existe alguma relação entre os casos e o imunizante.

Segundo o governo federal, cerca de 500 mil doses da vacina já haviam sido aplicadas quando foram identificados 42 episódios de reações consideradas graves. Entre esses casos, três situações chamaram a atenção das equipes de vigilância em saúde, incluindo duas mortes que agora estão sendo analisadas por especialistas. Até o momento, não há comprovação de que os óbitos tenham sido causados pela vacina.

De acordo com as informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, uma das vítimas foi uma mulher de 48 anos que desenvolveu um quadro grave de dengue com complicações neurológicas poucos dias após a imunização. O outro caso envolveu um homem de 58 anos que apresentou febre logo após receber a dose e evoluiu para um quadro severo da doença. Ambos os episódios ocorreram entre março e abril deste ano.

As autoridades ressaltam que a suspensão não significa que a vacina tenha sido considerada insegura. A decisão foi tomada por cautela, seguindo protocolos de farmacovigilância que determinam a investigação imediata quando surgem sinais incomuns após campanhas de vacinação em larga escala.

O Ministério da Saúde informou ainda que os eventos graves representam uma parcela muito pequena do total de vacinados. Os casos com sinais de alerta correspondem a aproximadamente 0,008% das pessoas imunizadas, enquanto as reações adversas registradas seguem sendo analisadas individualmente.

A suspensão afeta exclusivamente a vacina do Instituto Butantan. O imunizante Qdenga, produzido pela farmacêutica japonesa Takeda e já utilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), continua sendo aplicado normalmente nos públicos contemplados pela campanha nacional.

O Instituto Butantan declarou que está colaborando com as investigações e reforçou que os estudos clínicos realizados antes da aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontaram índices elevados de proteção. Nos testes, a vacina apresentou eficácia de 74,7% contra a doença em geral, mais de 90% contra casos graves e proteção total contra hospitalizações relacionadas à dengue.

Enquanto as análises continuam, o governo orienta que as doses já distribuídas sejam mantidas armazenadas adequadamente e aguarda os resultados das investigações para decidir se a vacinação poderá ser retomada.