Da Redação
O Ministério Público de Goiás (MPGO) instaurou um procedimento para apurar as circunstâncias da morte de Rafael Vinícius Silva de Souza, de 36 anos, que faleceu após esperar por cerca de duas horas pelo atendimento de uma equipe de emergência em Catalão, no sudeste goiano. O caso ganhou grande repercussão depois que imagens de câmeras de segurança mostraram a vítima caminhando pelas ruas e pedindo ajuda a moradores antes de cair desacordada.
A investigação busca esclarecer se houve falhas na prestação do serviço de atendimento de urgência e se a demora no socorro contribuiu para a morte do homem. O MPGO pretende reunir documentos, ouvir testemunhas e solicitar informações aos órgãos responsáveis pelo atendimento de emergência no município.
Segundo relatos de moradores, Rafael bateu em diversos portões pedindo ajuda e aparentava estar desorientado, sem conseguir explicar o que estava sentindo. Vizinhos acionaram repetidas vezes o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar, mas afirmam que nenhuma equipe chegou a tempo de prestar atendimento.
Um dos moradores contou que realizou diversas ligações para os serviços de emergência, enquanto outros vizinhos também tentavam solicitar uma ambulância. De acordo com os relatos, a resposta recebida era de que não havia viaturas disponíveis naquele momento.
Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que a primeira solicitação de atendimento foi registrada às 22h23 e que todas as equipes estavam empenhadas em outras ocorrências. A corporação afirmou ainda que abriu uma apuração interna para verificar se houve falhas na comunicação ou no encaminhamento da ocorrência.
O Samu também se manifestou e explicou que, no momento em que o chamado foi realizado, as duas ambulâncias disponíveis em Catalão estavam fora do município atendendo ocorrências em cidades da região. Conforme o serviço, as equipes são responsáveis pela cobertura de 18 municípios do sudeste goiano, o que pode ocasionar indisponibilidade temporária de viaturas.
A Polícia Civil registrou inicialmente o caso como morte natural, já que o corpo não apresentava sinais aparentes de violência. A causa da morte, no entanto, dependerá dos exames periciais realizados pelo Instituto Médico Legal (IML). O resultado deverá auxiliar tanto a investigação policial quanto o procedimento instaurado pelo Ministério Público.
Além de apurar as circunstâncias da morte de Rafael Vinícius, o MPGO pretende verificar se a estrutura disponível para o atendimento de urgência na região atende à demanda da população e se houve eventual negligência dos órgãos responsáveis pelo socorro. Caso sejam identificadas irregularidades, poderão ser adotadas medidas administrativas e judiciais para responsabilizar os envolvidos e evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.






