Da Redação

O número de acidentes com serpentes em Goiás acendeu um alerta nas autoridades de saúde logo nos primeiros meses de 2026. Entre janeiro e abril, o estado contabilizou 584 ocorrências e quatro mortes, cenário que reforça a preocupação com a frequência desse tipo de acidente e seus riscos.

Os dados mostram que, além da quantidade elevada de casos, a gravidade das ocorrências exige atenção imediata, principalmente pela necessidade de atendimento rápido e uso do soro antiveneno.

Atendimento hospitalar revela perfil dos casos

No Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad, referência no tratamento desses acidentes, já foram registrados 170 atendimentos por picadas de cobra em 2026, dentro de um total de 542 ocorrências envolvendo animais peçonhentos.

A maioria dos casos envolve espécies conhecidas e perigosas, como jararacas e cascavéis. A jararaca lidera com folga, sendo responsável por grande parte das ocorrências, enquanto a cascavel aparece em menor número, mas com alto potencial de gravidade.

Especialistas explicam que esses acidentes acontecem, muitas vezes, em situações rotineiras, como atividades no campo, pescarias ou até mesmo ao manusear objetos em áreas com vegetação.

Sintomas variam e podem evoluir rapidamente

Os efeitos da picada dependem do tipo de serpente. No caso da jararaca, são comuns dor intensa, inchaço e sangramentos. Já a cascavel pode causar sintomas mais silenciosos no início, como visão turva e sonolência, mas evoluir rapidamente para quadros neurológicos graves e dificuldade respiratória.

Essa diferença faz com que algumas vítimas subestimem o acidente, o que pode atrasar o tratamento e aumentar o risco de complicações.

Primeiros socorros: o que fazer — e o que evitar

Diante de uma picada, a orientação médica é direta e sem espaço para improvisos. A única medida imediata recomendada é lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico o mais rápido possível.

Práticas populares ainda comuns podem agravar o quadro e devem ser evitadas, como:

  • fazer torniquetes
  • cortar ou tentar sugar o veneno
  • aplicar substâncias no ferimento
  • consumir bebidas alcoólicas

O tratamento adequado depende de avaliação clínica e, quando necessário, aplicação do soro antiveneno, que pode evitar sequelas graves e até a morte.

Prevenção ainda é a melhor estratégia

Com o aumento dos casos, especialistas reforçam medidas simples que ajudam a reduzir o risco de acidentes:

  • uso de botas ou perneiras em áreas rurais
  • atenção ao caminhar em locais com vegetação ou entulho
  • evitar colocar as mãos em buracos ou locais sem visibilidade

Além disso, em situações de emergência, a população pode buscar orientação no Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox-GO), que funciona 24 horas.

Crescimento preocupa autoridades

O volume de ocorrências em apenas quatro meses já representa uma parcela significativa do total anual registrado em anos anteriores, o que indica uma tendência de alta e pressiona o sistema de saúde.

Com isso, o alerta é claro: embora comuns em regiões com vegetação, os acidentes com cobras exigem resposta rápida e informação correta — fatores que podem fazer a diferença entre recuperação e desfechos mais graves.