Da Redação

O avanço da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Goiás em 2026 tem evidenciado um cenário desigual entre faixas etárias: enquanto crianças são maioria entre os infectados, os idosos seguem como principais vítimas fatais da doença.

Dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) mostram que o estado já contabiliza 2.713 casos confirmados da síndrome, com 121 mortes registradas até o momento.

O recorte por idade escancara a diferença no impacto da doença. Crianças com menos de 9 anos representam 1.799 casos, o equivalente a 66% do total. Já entre idosos com mais de 60 anos, o número de registros é bem menor, com 489 casos.

Apesar disso, a letalidade é muito mais elevada entre os mais velhos: 85 das 121 mortes ocorreram nessa faixa etária, o que corresponde a cerca de 70% dos óbitos. Entre crianças, foram confirmadas 11 mortes.

Perfis diferentes da doença

O comportamento da SRAG varia conforme a idade. Crianças são mais frequentemente hospitalizadas, principalmente devido à maior circulação de vírus respiratórios nesse grupo. Já os idosos apresentam maior risco de evolução para quadros graves, o que explica o número elevado de mortes.

Segundo autoridades de saúde, fatores como doenças pré-existentes, sistema imunológico mais fragilizado e menor capacidade de recuperação contribuem para o agravamento dos casos entre pessoas acima de 60 anos.

Vacinação ainda abaixo do ideal

Diante do aumento de casos, a vacinação contra a gripe é apontada como principal estratégia de proteção. Goiás já recebeu cerca de 935 mil doses, distribuídas aos municípios, com foco em grupos prioritários como idosos, crianças pequenas e gestantes.

Mesmo assim, a cobertura vacinal segue baixa: pouco mais de 16% do público-alvo foi imunizado até agora, número distante da meta de 90%, considerada necessária para reduzir internações e mortes.

Além da vacina contra Influenza, o SUS também oferece proteção contra Covid-19 e outras medidas específicas, como imunização contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e uso de anticorpos em bebês de risco.

Prevenção e sinais de alerta

A Secretaria de Saúde reforça que, além da vacinação, medidas simples continuam essenciais: higienização das mãos, uso de máscara em caso de sintomas e evitar exposição de grupos vulneráveis a aglomerações.

A SRAG costuma surgir a partir de um quadro gripal que evolui para sintomas mais graves, como falta de ar, cansaço intenso e baixa oxigenação. Nesses casos, a recomendação é buscar atendimento médico imediato, especialmente para crianças e idosos.

Com a circulação simultânea de diferentes vírus respiratórios, o estado mantém monitoramento constante e aposta no aumento da cobertura vacinal como principal caminho para conter o avanço da doença e reduzir o número de mortes.