Da Redação
O açafrão produzido em Mara Rosa, no norte de Goiás, é o único produto goiano incluído na lista de indicações geográficas brasileiras protegidas pelo acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. O reconhecimento representa uma oportunidade de valorização da produção regional e amplia a proteção internacional do nome associado ao município.
A inclusão foi identificada em um levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) sobre os possíveis impactos do tratado para a economia goiana. No documento, o produto aparece com a denominação “Região da Mara Rosa”, enquadrada na categoria de especiarias.
Na prática, a medida impede que produtores de outras localidades utilizem indevidamente o nome geográfico para comercializar produtos que não tenham origem na região reconhecida. A proteção está relacionada à procedência e à reputação do açafrão, não representando exclusividade no fornecimento da especiaria ao mercado europeu.
Segundo Saulo Nogueira, analista da Fieg, o reconhecimento contribui para preservar a identidade comercial do produto e fortalecer sua reputação internacional.
O acordo comercial provisório entre os dois blocos começou a ser aplicado em 1º de maio de 2026. Apesar da proteção, a inclusão na lista não garante automaticamente novas exportações. Os produtores ainda precisam encontrar compradores e cumprir as exigências sanitárias, comerciais e de rastreabilidade estabelecidas pela União Europeia.
Produção movimenta a economia do norte goiano
Mara Rosa é um dos principais polos brasileiros de cultivo de açafrão-da-terra, também conhecido como cúrcuma. A produção local alcança aproximadamente 5 mil toneladas por ano, com participação estimada em 90% do volume produzido em Goiás e 26% da produção nacional.
A atividade envolve mais de 300 famílias ligadas à agricultura familiar e ocupa uma área aproximada de 250 hectares. Conforme levantamentos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a receita bruta anual pode variar entre R$ 50 milhões e R$ 110 milhões, dependendo do processamento e da forma de comercialização.
Conhecido como “ouro do cerrado”, o produto também já alcança mercados internacionais, com exportações destinadas a países como Índia e Israel. A comercialização externa ainda representa uma parcela pequena da produção regional, que tem como principal destino o mercado brasileiro.
A expansão internacional tem contado com o apoio do cooperativismo local e da participação em feiras de negócios e iniciativas de aproximação com representantes estrangeiros.
Reconhecimento pode ampliar valor comercial do produto
A indicação geográfica é um instrumento utilizado para identificar produtos cuja qualidade, reputação ou características estão diretamente relacionadas à sua região de origem.
Com a proteção prevista no acordo, o açafrão de Mara Rosa ganha um diferencial para disputar espaço em mercados que valorizam procedência, tradição e autenticidade. A medida também pode contribuir para combater imitações e fortalecer a identidade dos produtores locais.
O cultivo da cúrcuma na região possui uma trajetória histórica que remonta à década de 1960, quando a atividade começou a ganhar importância econômica. As condições de solo e clima do Cerrado favoreceram o desenvolvimento da cultura e sua consolidação como uma das principais atividades agrícolas do município.
Em julho de 2026, Mara Rosa também recebeu oficialmente o título de Capital Nacional do Açafrão, por meio da Lei Federal nº 15.464.
Além do uso culinário, a cúrcuma é utilizada pelas indústrias alimentícia, cosmética e farmacêutica. Seus derivados são empregados na fabricação de temperos, suplementos, cosméticos e outros produtos.
Com a proteção internacional de sua denominação geográfica, Mara Rosa passa a contar com mais um instrumento para valorizar sua produção e ampliar o reconhecimento do açafrão goiano no mercado externo. maisgoias.com.br+3








