O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou integrantes da equipe econômica, ex-ministros e economistas ligados ao partido para discutir medidas de controle das contas públicas. A reunião está prevista para esta quinta-feira, 5, e ocorre um dia depois de o Banco Central (BC) decidir manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano, interrompendo o ciclo de reduções iniciado em março.
O encontro tem como objetivo avaliar alternativas para conter o crescimento das despesas do governo e melhorar as condições econômicas para uma futura redução dos juros. A proposta discutida pela equipe é construir um ajuste fiscal gradual, sem comprometer a continuidade dos programas sociais e dos investimentos públicos.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, deve apresentar um diagnóstico da situação fiscal e detalhar as medidas que estão sendo avaliadas pelo governo. Entre as possibilidades estão ampliar o contingenciamento de despesas, mecanismo utilizado para bloquear temporariamente recursos do orçamento, e estabelecer instrumentos para controlar o crescimento dos gastos obrigatórios.
Também foram convidados o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, e a ministra da Gestão, Esther Dweck. A reunião deve contar ainda com a participação dos ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega, além dos economistas Luciano Coutinho e Laura Carvalho.
Governo busca equilíbrio entre despesas e programas sociais
Uma das principais preocupações do governo é encontrar alternativas para controlar as despesas públicas sem reduzir os recursos destinados a áreas como saúde e educação. A discussão envolve mecanismos capazes de limitar o ritmo de crescimento dos gastos obrigatórios, mas não significa necessariamente diminuir os investimentos nesses setores.
A avaliação da equipe econômica é de que medidas consistentes de controle fiscal podem melhorar a confiança dos investidores na capacidade do governo de administrar as contas públicas. Com isso, o Executivo espera criar condições mais favoráveis para a redução da taxa básica de juros.
Antes da reunião, Durigan voltou a demonstrar preocupação com o atual patamar da Selic. O ministro evitou fazer críticas diretas à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), mas afirmou que os juros brasileiros continuam elevados.
Segundo ele, o próximo mandato de Lula precisará trabalhar para estabelecer condições econômicas que permitam reduzir a taxa de forma sustentável. O ministro defendeu a adoção de estímulos estruturais para alcançar esse objetivo.
Manutenção dos juros provoca divergências
A decisão do Banco Central ocorre em meio a diferentes avaliações sobre os rumos da política econômica brasileira. Enquanto integrantes do PT demonstram preocupação com os efeitos dos juros elevados sobre a atividade econômica, representantes do mercado financeiro cobram medidas mais efetivas para controlar o crescimento das despesas públicas.
Dentro do partido, existe resistência à adoção de um ajuste fiscal mais rigoroso, principalmente pelo receio de que eventuais cortes prejudiquem políticas sociais e investimentos do governo. A preocupação é conciliar a responsabilidade fiscal com a manutenção de compromissos assumidos durante a campanha eleitoral.
Já investidores e representantes do setor financeiro esperam que o governo apresente um planejamento capaz de demonstrar controle sobre as contas públicas nos próximos anos.
A avaliação de interlocutores do mercado é de que não necessariamente são esperados cortes generalizados de despesas, mas medidas consideradas consistentes para reduzir gradualmente o ritmo de crescimento dos gastos.
O desafio de Lula será conciliar essas duas demandas: preservar os programas sociais e, ao mesmo tempo, demonstrar compromisso com o equilíbrio fiscal. A permanência da Selic em 13,75% amplia a pressão sobre o governo, especialmente pelos impactos dos juros elevados no crédito, nos investimentos e no ritmo de crescimento da economia.








