O custo da cesta básica em Goiânia chegou a R$ 808,01 em setembro de 2026, após registrar aumento de 4,54% em relação ao mês anterior. Com a alta, o trabalhador que recebe um salário mínimo precisa comprometer 53,89% da renda líquida para comprar os alimentos essenciais, reduzindo o dinheiro disponível para outras despesas domésticas.
Os dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em comparação com setembro de 2025, o valor da cesta básica na capital goiana subiu 13,72%, percentual superior ao reajuste de aproximadamente 6,8% do salário mínimo no mesmo período.
Considerando a remuneração mínima de R$ 1.621, o trabalhador precisou dedicar 109 horas e 40 minutos de trabalho para adquirir os 13 produtos que compõem a cesta pesquisada pelo Dieese.
O impacto vai além das compras no supermercado. Depois de pagar pela alimentação básica, o trabalhador precisa administrar o restante da renda para despesas como aluguel, energia elétrica, água, transporte e medicamentos.
Para o economista Marcelo Marques, quando os preços dos alimentos avançam mais rapidamente que os salários, há perda de poder de compra. O efeito tende a ser mais intenso entre as famílias de menor renda, que destinam uma parcela maior do orçamento às necessidades essenciais.
Tomate e batata lideram aumentos em 12 meses
Entre os alimentos pesquisados, a batata e o tomate apresentaram as maiores altas acumuladas em um ano. A batata ficou 77,78% mais cara, enquanto o tomate registrou aumento de 70,20%. O feijão carioca também teve elevação expressiva, de 46,22%.
A pressão sobre os preços foi ainda mais intensa em alguns produtos durante setembro. O tomate subiu 38,48% no mês, enquanto a batata teve aumento de 26,70%.
Outros itens também ficaram mais caros no período. O arroz agulhinha registrou alta de 5,22%, o óleo de soja aumentou 2,96%, a carne bovina de primeira subiu 2,20% e o leite integral teve elevação de 1,45%.
Por outro lado, cinco produtos apresentaram redução de preço entre agosto e setembro. O feijão carioca ficou 4,92% mais barato, a farinha de trigo caiu 2,63%, o café em pó recuou 1,44%, o pão francês diminuiu 0,97% e a banana teve queda de 0,34%.
As oscilações estão relacionadas a fatores como condições climáticas, volume de produção, oferta disponível e custos de transporte. Produtos perecíveis, como tomate e batata, podem apresentar variações expressivas quando há problemas nas safras ou mudanças na disponibilidade para comercialização.
Conflitos internacionais também influenciam os preços
A inflação dos alimentos não está restrita ao mercado brasileiro. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) registrou aumento de 5,8% nos preços internacionais dos alimentos nos 12 meses encerrados em setembro de 2026. Somente naquele mês, a alta foi de 1,5%.
Entre os fatores que influenciam o mercado internacional estão conflitos geopolíticos, dificuldades logísticas, problemas de abastecimento e condições climáticas desfavoráveis.
Mesmo quando ocorrem longe do Brasil, esses acontecimentos podem afetar os custos de produção e distribuição. Conflitos que elevam o preço do petróleo, por exemplo, podem encarecer os combustíveis e o transporte de mercadorias. Restrições no fornecimento de fertilizantes também podem aumentar as despesas dos produtores rurais.
A cotação do dólar exerce influência semelhante, uma vez que parte dos insumos agrícolas utilizados no Brasil depende do mercado externo. Como diversos produtos agrícolas são negociados internacionalmente, mudanças nos custos de produção podem pressionar os preços internos.
Entretanto, fatores internacionais não explicam isoladamente a inflação dos alimentos. Condições das safras brasileiras, clima, logística, oferta regional e concorrência também interferem nos valores cobrados dos consumidores.
Inflação em Goiânia supera média nacional
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que Goiânia registrou inflação de 1,07% em setembro, acima da média nacional de 0,82%.
No grupo de alimentação e bebidas, a alta na capital goiana chegou a 1,51%, enquanto o índice nacional ficou em 0,83%.
A diferença evidencia que os preços dos alimentos avançaram mais rapidamente em Goiânia naquele mês. O comportamento da inflação pode variar entre as cidades conforme as condições de abastecimento, os custos de distribuição e as características do consumo local.
Por isso, o indicador nacional não representa necessariamente a realidade enfrentada por todos os consumidores. Mesmo dentro de uma mesma região, os preços podem apresentar diferenças entre estabelecimentos e bairros.
Salário mínimo perde força diante da alta dos alimentos
O salário mínimo passou de R$ 1.518 em 2025 para R$ 1.621 em 2026, um reajuste de aproximadamente 6,8%. No mesmo intervalo de 12 meses, a cesta básica de Goiânia acumulou aumento de 13,72%.
Com isso, a parcela da renda líquida necessária para comprar os alimentos básicos passou de 50,60%, em setembro de 2025, para 53,89%, em setembro de 2026.
O avanço representa uma redução da capacidade de consumo das famílias que dependem do salário mínimo. Mesmo com o reajuste salarial, o dinheiro disponível para outras necessidades diminui quando os produtos essenciais ficam mais caros em ritmo superior ao da remuneração.
Para as famílias de menor renda, a situação pode exigir mudanças no orçamento, como reduzir gastos com outros itens, substituir alimentos ou adiar despesas não essenciais.
Perspectiva depende de safra, clima e custos de produção
A evolução dos preços nos próximos meses dependerá de fatores como o volume das próximas safras, as condições climáticas, os custos dos combustíveis e a situação do comércio internacional.
Uma oferta maior pode contribuir para reduzir o preço de determinados produtos, enquanto problemas de produção ou transporte podem provocar novas altas. Por isso, não é possível afirmar que todos os alimentos continuarão subindo no mesmo ritmo.
Também é importante distinguir a desaceleração da inflação da redução efetiva dos preços. Quando a inflação diminui, os alimentos podem continuar mais caros, apenas apresentando aumentos menores. Para que haja alívio direto no orçamento, é necessário que os preços recuem ou que a renda avance mais rapidamente.
Em Goiânia, o valor de R$ 808,01 registrado em setembro reforça o peso da alimentação no orçamento doméstico e evidencia o desafio enfrentado pelos trabalhadores para conciliar as despesas essenciais com a renda disponível.







