Da Redação
O confronto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate presidencial promovido pela Band, no domingo (18), repercutiu na imprensa internacional. A discussão sobre o voto de pessoas presas chamou a atenção de veículos como o jornal espanhol El País e a emissora Al Jazeera, do Catar.
O episódio ocorreu durante um bloco dedicado à segurança pública. Na ocasião, Flávio questionou Lula sobre o apoio eleitoral da população carcerária e afirmou que o presidente teria recebido votos de pessoas envolvidas em atividades criminosas.
Em resposta, Lula ironizou o adversário e declarou que gostaria de receber os votos de toda a população carcerária, incluindo os do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador.
“Eu quero que votem 100%, até teu pai. Até teu pai. (…) Teu pai pode votar em mim”, afirmou o presidente. Na sequência, dirigiu-se ao adversário e provocou: “Vota em mim, Bolsonaro”.
Flávio rebateu a declaração e afirmou que o pai não poderia votar em Lula porque, segundo ele, teria sido vítima de perseguição. O senador também acusou o presidente de receber apoio de pessoas condenadas por crimes, citando estupradores e assaltantes.
Em outro momento do debate, Lula voltou a mencionar Jair Bolsonaro e afirmou que o ex-presidente o conhecia e saberia que ele seria uma opção melhor para o país. A troca de provocações ampliou o tom de confronto entre os candidatos em um dos principais momentos do encontro televisivo.
O que diz a legislação sobre o voto de pessoas presas
A legislação brasileira estabelece uma diferença entre presos provisórios e pessoas com condenação criminal definitiva. Quem está preso provisoriamente, sem condenação transitada em julgado, mantém o direito de votar, desde que esteja com a situação eleitoral regular.
Já as pessoas condenadas definitivamente têm os direitos políticos suspensos enquanto durarem os efeitos da condenação. Por isso, não podem participar das eleições durante esse período.
No caso de Jair Bolsonaro, o ex-presidente está impedido de votar nas eleições de 2026 em razão da condenação definitiva a 27 anos e três meses de prisão imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por sua participação na trama golpista. Ele cumpre prisão domiciliar e está com os direitos políticos suspensos.
De acordo com os dados mencionados na cobertura sobre o tema, aproximadamente 12 mil pessoas presas estão aptas a votar nas eleições deste ano.
A discussão sobre o voto de pessoas privadas de liberdade voltou ao centro do debate político durante a campanha presidencial, em meio à disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro sobre segurança pública, criminalidade e as bases eleitorais de cada candidato.







