Da Redação

Delegado era diretor-executivo da corporação desde 2025 e acumula mais de duas décadas de experiência na Polícia Federal

O delegado William Marcel Murad assumiu interinamente o comando da Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (8), após o afastamento preventivo do diretor-geral Andrei Rodrigues. A medida contra Rodrigues foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Até então, Murad ocupava a Diretoria-Executiva da instituição, considerada a segunda posição na hierarquia da corporação.

A mudança ocorre em meio à crise envolvendo a cúpula da PF e integrantes do Supremo. Além de Andrei Rodrigues, a decisão de Mendonça também afastou preventivamente o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. O ministro determinou ainda que a Corregedoria da Polícia Federal abra procedimentos para investigar a produção e circulação de relatórios de inteligência relacionados a autoridades.

Antes de assumir interinamente o comando, Murad participou de uma cerimônia na Academia Nacional de Polícia, em Brasília. Andrei Rodrigues chegou a comparecer ao local, mas deixou o evento depois de tomar conhecimento da decisão que determinava seu afastamento.

Durante o discurso, Murad manifestou apoio à direção da corporação e defendeu uma Polícia Federal técnica e independente. Ele afirmou que a instituição não se deixaria abalar por ataques e pediu serenidade aos integrantes da corporação diante do momento de instabilidade.

Quem é William Murad

William Marcel Murad integra a Polícia Federal desde 2002. Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), ele ficou em primeiro lugar no 17º Curso de Formação Profissional para delegado da instituição.

No início da carreira, atuou em Pernambuco, onde exerceu a função de chefe substituto da Delegacia de Repressão a Entorpecentes. Posteriormente, trabalhou no Rio Grande do Norte em áreas relacionadas ao combate ao crime organizado, inteligência e repressão ao tráfico de drogas.

Murad também comandou a Divisão de Repressão a Crimes Fazendários e chefiou a Delegacia da Polícia Federal em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Ao longo da trajetória, ocupou ainda funções estratégicas nas áreas de inteligência e tecnologia da instituição.

Entre 2018 e 2021, foi diretor de Tecnologia da Informação e Inovação. De novembro de 2021 a dezembro de 2024, atuou como adido da Polícia Federal no Reino Unido, trabalhando na área de cooperação policial internacional. Em janeiro de 2025, retornou ao Brasil para assumir a Diretoria-Executiva da PF.

A formação profissional de Murad inclui passagem pela FBI National Academy, nos Estados Unidos, em 2010, além do Curso Superior de Polícia da Academia Nacional de Polícia, concluído em 2012. Ele também atua como instrutor da academia e possui experiência na área de inteligência.

Afastamento da cúpula da PF

André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada no contexto das apurações sobre a produção de relatórios de inteligência da Polícia Federal. Segundo o ministro, os documentos indicariam a existência de monitoramento sobre sua atuação e sobre outras autoridades, entre elas o advogado-geral da União, Jorge Messias.

Mendonça também determinou a abertura de investigações para esclarecer quem ordenou a elaboração dos documentos, quem participou da produção e de que maneira as informações foram compartilhadas.

A decisão foi levada à Segunda Turma do STF. Os ministros Luiz Fux e Nunes Marques acompanharam Mendonça, formando maioria favorável à manutenção do afastamento. O julgamento, entretanto, foi interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Enquanto a análise não é retomada, permanece válida a determinação que retirou Rodrigues e Almada temporariamente de suas funções.

Com o afastamento formalizado, William Murad passa a responder pela direção-geral da Polícia Federal durante o período de vigência da decisão judicial.