Servidores administrativos mantêm paralisação enquanto Prefeitura afirma que apenas seis unidades estão totalmente paradas e cobra cumprimento de decisão judicial
A greve dos servidores administrativos da Rede Municipal de Educação de Goiânia chegou ao 13º dia nesta quarta-feira (2), ainda sem previsão de encerramento. O movimento mantém parte das unidades com atendimento afetado e amplia a preocupação de pais e responsáveis, principalmente nos Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis).
A paralisação envolve os servidores administrativos efetivos. Professores e trabalhadores temporários continuam exercendo normalmente suas funções, embora a ausência de profissionais responsáveis por atividades como alimentação e limpeza provoque impactos na rotina das unidades.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), as negociações com a Prefeitura de Goiânia não avançaram nos últimos dias. A presidente da entidade, Ludmylla Morais, afirma que a categoria continua disposta a negociar e busca a retomada da mesa de diálogo com a administração municipal.
O principal ponto da reivindicação é a atualização da tabela de vencimentos dos servidores administrativos. De acordo com o sindicato, a categoria aguarda desde 2011 uma solução para a defasagem salarial e para a estruturação da carreira.
A proposta apresentada anteriormente pela Prefeitura previa a implantação gradual de uma nova tabela até 2030. Para os trabalhadores, no entanto, o prazo é considerado longo demais, inclusive por ultrapassar o atual mandato municipal.
A categoria defende que seja apresentada uma alternativa que permita antecipar a implementação da atualização salarial. O Sintego sustenta que continua disponível para discutir uma nova proposta com a gestão do prefeito Sandro Mabel.
Prefeitura diz que seis unidades estão totalmente paralisadas
A Secretaria Municipal de Educação (SME) afirma que, apesar da greve, a maior parte da rede municipal continua funcionando. Segundo a pasta, apenas seis unidades educacionais estão com as atividades totalmente paralisadas.
Nas demais escolas e Cmeis, o atendimento continua de acordo com a disponibilidade de profissionais. A Secretaria informou que acompanha diariamente a situação para garantir a continuidade dos serviços.
Também permanece em vigor uma decisão judicial que determina a presença de pelo menos 70% dos servidores administrativos em cada unidade durante a paralisação. O percentual deve ser cumprido individualmente pelas instituições da rede.
Segundo a Prefeitura, as propostas apresentadas durante as negociações incluíram aumento dos salários iniciais, mudanças nos níveis da carreira e ganho real de até 12,5% ainda em 2026.
A última oferta, entretanto, foi rejeitada pelos trabalhadores. Após o resultado, a administração municipal retirou as propostas da mesa e interrompeu as negociações.
Município tenta declarar greve ilegal
Com a continuidade da paralisação, a Prefeitura acionou o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) para pedir que o movimento seja declarado ilegal.
O município também solicita medidas para garantir o cumprimento da determinação que estabelece o funcionamento com pelo menos 70% dos servidores administrativos em cada unidade. O processo ainda está em tramitação.
A secretária municipal de Governo, Sabrina Garcez, afirmou que a gestão deverá discutir internamente os próximos passos antes de decidir sobre uma eventual retomada das negociações.
Segundo ela, ainda não existe uma nova proposta ou articulação definida para encerrar a greve. A secretária afirmou que a última oferta apresentada pela administração teria contemplado aproximadamente 80% das reivindicações da categoria, mas acabou retirada após o impasse.
Categoria cobra reestruturação há cerca de 15 anos
As reivindicações dos servidores administrativos da Educação municipal antecedem a atual gestão. A categoria reclama de aproximadamente 15 anos sem uma reestruturação salarial considerada suficiente para corrigir as perdas acumuladas na carreira.
Entre as principais demandas está a reformulação do plano de carreira e da tabela de vencimentos.
Na última proposta apresentada, a Prefeitura estimava um impacto de R$ 62,6 milhões até 2030. O projeto previa elevar o piso do nível I para R$ 1.640 e implantar gradualmente uma nova tabela salarial.
Também estavam previstas progressões na carreira, antecipação da data-base, pagamento de auxílio-locomoção e abono integral dos dias de paralisação, sem prejuízo à remuneração e a outros benefícios dos trabalhadores.
Mesmo com as alterações, os servidores rejeitaram a oferta e decidiram manter a mobilização.
O Sintego afirma que aguarda uma nova iniciativa da Prefeitura para que as negociações sejam retomadas. Enquanto não há acordo, a greve continua e a rede municipal permanece funcionando de forma parcial, com diferentes impactos conforme a situação de cada unidade.








