Vítima foi atacada com uma faca enquanto trabalhava no parque, em Goiânia; condenado deverá cumprir pena inicialmente em regime fechado
Johnatan Rodrigues Barbosa foi condenado a 38 anos e quatro meses de prisão pelo feminicídio da ex-companheira, Cleidslane Henrique de Oliveira. O crime aconteceu em 18 de novembro de 2025, no Bosque dos Buritis, no Setor Oeste, em Goiânia. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado.
O julgamento foi realizado na quarta-feira (2), na 2ª Vara Criminal dos Crimes Dolosos contra a Vida e Tribunal do Júri de Goiânia. Cleidslane tinha 41 anos quando foi morta com um golpe de faca no tórax enquanto trabalhava no parque.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), Johnatan e Cleidslane mantiveram um relacionamento durante aproximadamente oito meses. A convivência, segundo a acusação, era marcada pelo comportamento controlador e ciumento do homem, que chegava a tentar interferir nas roupas utilizadas pela companheira.
O casal também enfrentava desentendimentos relacionados às despesas domésticas. Conforme o Ministério Público, Johnatan deixou de pagar parte das contas da residência, situação que teria resultado inclusive na interrupção do fornecimento de água e energia elétrica.
Relacionamento havia terminado dois meses antes
Cleidslane decidiu encerrar o relacionamento cerca de dois meses antes de ser assassinada. Após a separação, ela passou a cobrar do ex-companheiro valores referentes às contas que permaneciam pendentes.
Segundo a acusação, Johnatan não aceitava o término. No dia do crime, ele foi até o Bosque dos Buritis, onde a ex-companheira trabalhava, e permaneceu nas proximidades.
O homem circulou pelo local, passou pela vítima e chegou a cumprimentar um colega dela. Posteriormente, retornou e aguardou uma oportunidade para se aproximar.
Quando Cleidslane estava sozinha e concentrada no trabalho, Johnatan se aproximou de maneira inesperada e a atingiu com uma faca no tórax. Após o ataque, ele deixou o local. A vítima não resistiu ao ferimento e morreu.
Johnatan foi preso em flagrante pouco depois do crime. Conforme informações divulgadas à época pela Polícia Civil, ele foi localizado com manchas de sangue no corpo e nas roupas e confessou ter cometido o assassinato. No momento da prisão, ele também utilizava tornozeleira eletrônica.
Defesa tentou desclassificar feminicídio
Durante o julgamento, a promotora de Justiça Renata de Oliveira Marinho e Sousa sustentou a acusação de feminicídio. Para o MPGO, Cleidslane foi assassinada em razão da condição de mulher, dentro de um contexto de violência doméstica e familiar.
A acusação também defendeu que o crime foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, uma vez que o condenado teria esperado até que ela estivesse sozinha e concentrada em suas atividades profissionais para realizar o ataque.
A defesa solicitou que a conduta fosse desclassificada de feminicídio para homicídio. A tese, porém, não foi acolhida pelo Conselho de Sentença. Os jurados reconheceram a autoria e a materialidade do feminicídio.
Circunstâncias do crime aumentaram a pena
Na definição da pena, a Justiça considerou elevada a culpabilidade do condenado. Entre as circunstâncias analisadas estão o fato de Johnatan ter ido até o local de trabalho da ex-companheira, cometido o ataque durante o dia e circulado pelo ambiente antes de surpreendê-la.
Também foram levadas em consideração as consequências provocadas pelo assassinato. Cleidslane deixou um filho de 15 anos, que dependia financeiramente da mãe e mantinha com ela vínculo afetivo.
Johnatan já estava preso preventivamente desde a fase anterior ao processo e deverá começar a cumprir a condenação em regime fechado.








