Das Redação
Goiânia concentra o maior número de registros no estado, enquanto candidatos a deputado estadual são os principais alvos das reclamações
A campanha eleitoral de 2026 já acumula 275 denúncias de possíveis irregularidades em propagandas em Goiás. Os registros foram contabilizados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) nos primeiros 18 dias de campanha e envolvem ocorrências tanto nas ruas quanto no ambiente digital.
Os dados são atualizados por meio do Pardal, ferramenta da Justiça Eleitoral que permite aos próprios eleitores comunicarem possíveis infrações cometidas durante o período eleitoral.
Goiânia lidera com ampla vantagem o número de registros no estado. Até o levantamento mais recente, a capital havia contabilizado 119 denúncias.
Na sequência aparece Jataí, com 20 ocorrências. Águas Lindas de Goiás, Luziânia e Mineiros possuem 12 denúncias cada. Valparaíso de Goiás contabiliza 11 registros, enquanto Aparecida de Goiânia soma dez.
Propagandas nas ruas lideram denúncias
As irregularidades envolvendo propaganda eleitoral em vias públicas representam a maior parcela das reclamações apresentadas à Justiça Eleitoral.
Dos 275 registros feitos em Goiás, 119, o equivalente a aproximadamente 43% do total, estão relacionados a materiais instalados ou utilizados em espaços públicos.
Entre os principais problemas identificados estão os chamados windbanners, estruturas verticais utilizadas para divulgação de candidatos. Esse tipo de material é permitido durante a campanha, mas precisa respeitar uma série de regras.
As peças não podem ser instaladas em jardins ou em locais que prejudiquem a circulação de pedestres e ciclistas. Além disso, precisam ser retiradas diariamente no período entre 22h e 6h.
As irregularidades na internet aparecem em seguida, com 28 denúncias. Parte significativa dos registros envolve publicações apócrifas, ou seja, conteúdos que não apresentam corretamente a identificação e o CNPJ da campanha responsável.
Também foram registradas 27 denúncias envolvendo propaganda em bens públicos, como postes e muros.
Outros 22 casos são relacionados a adesivos instalados em automóveis, enquanto 17 denúncias envolvem utilização não autorizada de propriedades particulares.
Carros de som e trios elétricos foram alvo de 14 reclamações. Já outdoors tradicionais e painéis eletrônicos somam 19 registros de possíveis irregularidades.
Candidatos a deputado estadual concentram reclamações
A disputa por vagas na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) concentra a maior quantidade de denúncias.
Os 591 candidatos registrados para concorrer ao cargo de deputado estadual acumulam 176 reclamações, número que representa mais da metade das ocorrências contabilizadas no estado.
Na disputa para deputado federal, que reúne 262 candidatos em Goiás, foram registradas 63 denúncias.
Partidos e coligações aparecem em 18 registros. Já as campanhas para cargos majoritários possuem números menores: candidatos ao Governo de Goiás foram mencionados em dez denúncias, enquanto concorrentes ao Senado aparecem em três.
As campanhas presidenciais, por sua vez, acumulam cinco registros realizados em Goiás.
Eleitor pode denunciar pelo celular
O Pardal permite que qualquer eleitor comunique à Justiça Eleitoral situações que considere irregulares durante a campanha.
Para utilizar a ferramenta, é necessário fazer a autenticação utilizando uma conta Gov.br ou o e-Título. Apesar da necessidade de identificação perante a Justiça Eleitoral, os dados pessoais de quem realiza a denúncia são mantidos sob sigilo.
O usuário pode apresentar provas para fundamentar a reclamação, incluindo fotografias, vídeos, gravações de áudio e links de páginas ou publicações na internet.
Nos casos de propaganda realizada nas ruas, a localização exata da ocorrência também pode ser informada para facilitar a fiscalização.
Depois do registro, o sistema gera um protocolo que permite ao cidadão acompanhar as providências adotadas pela Justiça Eleitoral.
Denúncias são analisadas pela Justiça Eleitoral
As reclamações relacionadas à propaganda eleitoral são encaminhadas para análise da Justiça Eleitoral. Dependendo da situação, um juiz pode determinar a retirada de um material considerado irregular.
Em casos que exigem uma investigação mais aprofundada, as campanhas envolvidas também podem ser chamadas para apresentar esclarecimentos ou comprovar que a irregularidade foi corrigida.
Situações envolvendo conteúdos produzidos com inteligência artificial, por exemplo, podem demandar uma análise mais detalhada antes de uma decisão.
Nem todas as irregularidades eleitorais, entretanto, são tratadas diretamente pelo Pardal. Ocorrências envolvendo crimes eleitorais ou situações que exijam investigação específica podem ser encaminhadas aos órgãos responsáveis, como o Ministério Público Eleitoral e as autoridades policiais.
O TRE-GO reforça que a participação dos eleitores na fiscalização contribui para o cumprimento das regras e para a igualdade entre candidatos durante o processo eleitoral.








