Da Redação
Presidenciáveis reagiram a informações da investigação do caso Banco Master que apontam edição de contrato envolvendo escritório da esposa do ministro e mensagens trocadas com Daniel Vorcaro
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), também presidenciável, intensificaram nesta terça-feira (1º) as críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a divulgação de novas informações relacionadas às investigações do caso Banco Master.
Flávio afirmou que Moraes deveria renunciar ao cargo e declarou que o ministro não teria condições de continuar no Supremo. Zema foi além e defendeu a prisão do magistrado.
As manifestações ocorreram depois da divulgação de informações obtidas a partir da análise feita pela Polícia Federal de documentos encontrados no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Entre os elementos está um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
PF aponta edição de contrato atribuída a Moraes
A análise dos metadados do documento encontrado no aparelho de Vorcaro indicou que Alexandre de Moraes realizou alterações no contrato antes de sua assinatura.
As informações foram reveladas inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e repercutiram entre os candidatos à Presidência.
O contrato previa a prestação de serviços jurídicos pelo escritório de Viviane Barci de Moraes ao Banco Master e tinha valor de aproximadamente R$ 131 milhões.
A existência de alterações atribuídas ao ministro no arquivo passou a integrar o conjunto de informações analisadas pelos investigadores sobre as relações mantidas por Vorcaro antes de sua prisão.
A edição do documento, por si só, não comprova a prática de crime ou favorecimento ao Banco Master. As circunstâncias e a relevância das alterações para a investigação ainda são objeto de apuração.
Flávio Bolsonaro pede renúncia
Ao comentar o episódio, Flávio Bolsonaro afirmou que Alexandre de Moraes deveria deixar voluntariamente o Supremo.
O senador acusou o ministro de ter atuado em favor de Vorcaro e disse considerar incompatível a permanência de Moraes no STF diante das suspeitas levantadas pela investigação.
Flávio já havia defendido anteriormente o impeachment do magistrado. Moraes tornou-se um dos principais alvos políticos do bolsonarismo, principalmente após conduzir processos relacionados à tentativa de golpe de Estado que resultaram na condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O candidato do PL também lançou nomes para as disputas ao Senado que defendem a responsabilização e eventual perda do cargo de ministros do Supremo.
Vorcaro teria procurado Moraes antes de ser preso
Outro elemento revelado pela investigação envolve uma conversa ocorrida poucos dias antes da prisão de Daniel Vorcaro.
Segundo informações divulgadas pelo Estadão a partir do material analisado pela Polícia Federal, o ex-banqueiro perguntou a Alexandre de Moraes se deveria deixar o Brasil.
A comunicação teria ocorrido dois dias antes da prisão de Vorcaro.
Além disso, outra mensagem atribuída ao ex-controlador do Banco Master passou a ser analisada pelas autoridades. Nela, Vorcaro menciona a necessidade de atuação de pessoas identificadas como “Andrei” e “Paulo” em seu favor.
A Polícia Federal relacionou os nomes ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Inicialmente, o destinatário dessa mensagem não havia sido identificado. Posteriormente, a PF passou a trabalhar com a suspeita de que o interlocutor fosse Alexandre de Moraes.
André Mendonça pede esclarecimentos à PGR
As mensagens também provocaram uma movimentação dentro do próprio Supremo.
O ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master, pediu nesta terça-feira que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre o documento produzido pela Polícia Federal.
A intenção é obter esclarecimentos adicionais sobre as referências feitas por Vorcaro a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet e sobre o contexto em que as mensagens foram enviadas.
Até o momento, a existência das mensagens não comprova que Gonet, Rodrigues ou Moraes tenham efetivamente oferecido algum tipo de proteção ao ex-banqueiro.
As referências fazem parte de comunicações atribuídas a Vorcaro e deverão ser analisadas pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Zema defende prisão de Alexandre de Moraes
Romeu Zema também utilizou as novas informações para aumentar o tom das críticas ao ministro do STF.
Em publicação nas redes sociais, o candidato do Novo afirmou que a edição do contrato envolvendo o escritório da esposa de Moraes e o Banco Master reforçaria suas críticas anteriores ao magistrado.
Zema lembrou ainda que, quando estava à frente do governo de Minas Gerais, apresentou um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes.
Diante das novas revelações, o ex-governador afirmou considerar o impeachment insuficiente e passou a defender a prisão do ministro, além da devolução de valores que, segundo ele, estariam relacionados às suspeitas.
As declarações de Zema representam seu posicionamento político sobre o episódio e não correspondem, até o momento, a uma condenação ou conclusão da investigação contra Moraes.
Relação entre Moraes e Vorcaro ganha repercussão eleitoral
As informações envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro passaram rapidamente para o centro do debate eleitoral.
Além de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, o candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, também comentou o episódio nesta terça-feira.
Cury aproveitou a repercussão para defender mudanças na estrutura do Supremo Tribunal Federal. Entre as propostas apresentadas pelo candidato está a criação de mandatos de oito anos para os ministros da Corte, substituindo o atual modelo em que os magistrados permanecem no cargo até atingirem a idade da aposentadoria compulsória.
Até o início da tarde desta terça-feira, outros candidatos à Presidência ainda não haviam apresentado posicionamentos públicos sobre as novas informações.
Flávio também é questionado sobre relação com Vorcaro
A repercussão ocorre em um momento em que o próprio Flávio Bolsonaro enfrenta questionamentos sobre sua relação com Daniel Vorcaro.
Nesta terça-feira, o senador também foi questionado sobre informações relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Segundo reportagem da revista Piauí, Vorcaro teria realizado um novo pagamento de US$ 1,6 milhão a um fundo responsável por administrar recursos utilizados na produção cinematográfica.
O repasse teria ocorrido em setembro de 2025, oito dias depois de Flávio cobrar o então banqueiro por parcelas atrasadas relacionadas ao projeto.
Questionado sobre o assunto, o candidato afirmou não acompanhar diretamente as movimentações financeiras da produção e disse que os responsáveis pelo filme devem prestar os esclarecimentos necessários.
Enquanto isso, as novas informações envolvendo Moraes, Vorcaro e autoridades mencionadas nas mensagens permanecem sob análise. Até o momento, os elementos divulgados levantaram novos questionamentos e provocaram forte reação política, mas não representam uma conclusão judicial sobre eventual prática criminosa por parte do ministro ou das demais autoridades citadas.







