Da Redação

Estado registrou 47 casos no primeiro semestre de 2026, alta de 113% na comparação com o mesmo período do ano passado

O crescimento dos casos de feminicídio em Goiás colocou o enfrentamento à violência contra a mulher entre os temas de destaque da disputa pelo governo estadual em 2026. Candidatos ao Palácio das Esmeraldas apresentam propostas que incluem ampliação das delegacias especializadas, uso de tecnologia, fortalecimento das medidas protetivas, acolhimento às vítimas e políticas voltadas à independência financeira das mulheres.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que Goiás registrou 59 vítimas de feminicídio em 2025, contra 56 no ano anterior, crescimento de 5,3%. O cenário se agravou nos primeiros meses deste ano. Entre janeiro e junho de 2026, foram contabilizados 47 casos, enquanto no mesmo período de 2025 haviam sido registrados 22. A diferença representa aumento de 113%, segundo informações do Ministério da Justiça.

O problema também é observado nacionalmente, com crescimento dos registros de assassinatos de mulheres motivados por questões de gênero e de episódios relacionados à violência doméstica.

Especialistas apontam que uma das dificuldades para prevenir esses crimes está no fato de grande parte das agressões ocorrer dentro das residências. A denúncia das vítimas e o acompanhamento dos episódios anteriores de violência são considerados fundamentais para impedir que agressões evoluam para situações mais graves.

Diante do cenário, candidatos ao governo de Goiás detalham diferentes estratégias para ampliar a proteção às mulheres no estado.

Daniel Vilela aposta em rede integrada de proteção

Candidato à reeleição pelo MDB, Daniel Vilela apresenta em seu plano de governo o programa “Goiás Pelas Mulheres”. A proposta busca integrar segurança pública, saúde, assistência social e serviços de acolhimento para melhorar a prevenção e o atendimento às vítimas de violência doméstica.

Entre as medidas previstas está a implantação do SIM-Mulher, ferramenta destinada à integração dos serviços de proteção e atendimento. O programa também contempla a ampliação dos canais de denúncia e dos mecanismos de proteção, além da expansão regional dos serviços especializados de acolhimento.

Outra frente defendida pelo emedebista é a integração das informações sobre casos de violência para permitir acompanhamento mais eficiente e respostas mais rápidas por parte do poder público.

O plano ainda inclui o “Goiás por Elas”, programa direcionado à geração de renda, qualificação profissional, emprego e acesso ao crédito. A intenção é ampliar a independência financeira das vítimas, considerada uma das formas de permitir que mulheres consigam romper relações marcadas pela violência.

Vilela também propõe utilizar inovação tecnológica, ações das forças de segurança e políticas de acolhimento para fortalecer a rede estadual de proteção.

Luciana Amorim defende prevenção e delegacias 24 horas

A candidata Luciana Amorim, da Unidade Popular (UP), concentra parte de suas propostas na prevenção da violência de gênero por meio da educação e da conscientização.

O plano prevê ações socioeducativas sobre os direitos das mulheres e capacitação permanente relacionada às questões de gênero. As iniciativas seriam destinadas a estudantes de diferentes faixas etárias, servidores públicos e à população em geral.

Outra proposta é fortalecer a aplicação da Lei Maria da Penha e ampliar estudos e levantamentos estatísticos sobre violência doméstica e de gênero, permitindo identificar as características e a dimensão do problema.

Luciana também pretende criar o Programa Estadual de Agentes Multiplicadores para a Defesa dos Direitos da Mulher, desenvolvido em parceria com movimentos sociais e entidades representativas.

Na assistência às vítimas, a candidata propõe ampliar o acesso gratuito à Justiça por meio de parcerias com universidades e escritórios-modelo de advocacia.

Também estão previstos Centros de Referência, Defesa e Convivência Integrados para Mulheres, com atendimento psicológico, assistência social, orientação jurídica, atividades terapêuticas, educação sobre direitos e oficinas destinadas à geração de renda.

Na segurança pública, a proposta inclui delegacias especializadas para mulheres funcionando 24 horas, inclusive aos finais de semana, além de treinamento dos profissionais responsáveis pelo atendimento às vítimas.

Luís César Bueno propõe integração e uso de inteligência artificial

O candidato Luís César Bueno (PT) pretende acelerar a implementação do Plano Estadual de Combate à Violência contra a Mulher 2026-2035.

A estratégia prevê integrar diferentes etapas do atendimento, desde o registro da ocorrência e avaliação do nível de risco até a concessão de medidas protetivas, acompanhamento preventivo, investigação policial, atendimento de saúde e assistência social.

O petista também propõe fortalecer as Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (DEAMs) e ampliar estruturas regionalizadas. Para municípios onde não existam unidades especializadas, a proposta estabelece protocolos específicos de atendimento.

Casos considerados de maior risco também teriam acompanhamento reforçado, principalmente quando houver reincidência do agressor ou descumprimento de medidas protetivas.

A capacitação de agentes públicos, o atendimento humanizado, a preservação de provas e a proteção dos filhos e demais dependentes das vítimas também aparecem entre as propostas.

Luís César Bueno defende ainda investimentos em ferramentas de inteligência artificial e o fortalecimento da atuação da Polícia Militar no enfrentamento à violência contra as mulheres. A intenção é estruturar, ao longo de quatro anos, uma rede integrada capaz de atender os 246 municípios goianos.

Marconi Perillo quer ampliar atendimento especializado

O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) apresenta como uma das principais propostas o fortalecimento das políticas de prevenção e da resposta especializada aos casos de violência contra as mulheres.

O plano prevê maior integração entre segurança pública e as redes estaduais de saúde, assistência social e proteção de direitos.

Entre as ações está a ampliação da cobertura das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, levando em consideração as necessidades específicas de cada região de Goiás.

A proposta busca facilitar o acesso das vítimas aos serviços de proteção e investigação, além de melhorar o acompanhamento das ocorrências.

Casos considerados de maior risco deverão receber monitoramento contínuo. A estratégia prevê mecanismos capazes de identificar reincidências e violações de medidas protetivas para permitir uma intervenção mais rápida do Estado.

Segundo Perillo, as políticas destinadas às mulheres receberão tratamento específico dentro das ações de enfrentamento à violência.

Wilder Morais propõe acompanhamento integrado das vítimas

O senador Wilder Morais (PL) defende a criação de um sistema integrado de acompanhamento das mulheres vítimas de violência.

A proposta pretende reunir em um mesmo fluxo serviços como medida protetiva, patrulhamento policial, acolhimento, aluguel social, assistência jurídica e programas destinados à autonomia financeira.

A intenção é evitar que a vítima precise relatar repetidamente a violência sofrida ao procurar diferentes órgãos públicos. Pelo modelo apresentado, já no primeiro atendimento seria realizada uma avaliação do nível de risco e definido o responsável pelo acompanhamento do caso.

Wilder também propõe intensificar o combate ao feminicídio, estupro e violência doméstica por meio do uso de inteligência e tecnologia. O objetivo seria identificar agressores com maior rapidez e ampliar a capacidade do Estado de agir antes da repetição das agressões.

Delegacias especializadas, equipes de investigação e a Patrulha Maria da Penha deverão compartilhar informações dentro da estratégia.

O candidato também defende acompanhamento das mulheres desde o primeiro registro policial e a criação de mecanismos de acolhimento social para vítimas que estejam em situação de maior vulnerabilidade.

Feminicídio ganha espaço no debate eleitoral

Apesar das diferenças entre os planos apresentados, os candidatos convergem sobre a necessidade de ampliar a atuação do Estado diante do crescimento da violência contra as mulheres em Goiás.

As propostas passam por segurança pública, tecnologia, assistência social, atendimento jurídico, educação, geração de renda e fortalecimento da rede de proteção.

A reportagem original ouviu cinco candidatos que participaram de sabatinas promovidas pelo jornal A Redação. Danilo Pinheiro, candidato pelo PCO, não apresentou posicionamento na publicação porque, segundo o veículo, as tentativas de contato não tiveram sucesso.