Da Redação
Deputado federal afirma que outros gestores da legenda também não apoiam Wilder Morais e defende diálogo antes de eventual punição ao prefeito de Anápolis
O deputado federal Gustavo Gayer (PL) criticou, nesta quinta-feira (27), a abertura de um procedimento interno que pode resultar na expulsão do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, do Partido Liberal. Para o parlamentar, a legenda deveria priorizar o diálogo antes de aplicar qualquer medida disciplinar contra o gestor.
A manifestação ocorreu após a Executiva estadual do PL de Goiás receber e encaminhar ao Conselho de Ética uma representação contra Corrêa por suposta infidelidade partidária. O prefeito, apesar de integrar o PL, declarou apoio à reeleição do governador Daniel Vilela (MDB), adversário de Wilder Morais na disputa pelo Governo de Goiás.
Gayer, que disputa uma vaga no Senado, argumentou que Márcio Corrêa não é o único prefeito do PL que deixou de apoiar a candidatura de Wilder ao Palácio das Esmeraldas. Segundo ele, outros gestores adotam posicionamentos diferentes da direção estadual da legenda sem terem sido submetidos a processos de expulsão.
Como exemplo, o deputado mencionou o prefeito de Novo Gama, Carlinhos do Mangão, que também integra o PL e já havia sido apontado entre os gestores da legenda alinhados à candidatura de Daniel Vilela. Levantamento divulgado em fevereiro indicava que pelo menos cinco prefeitos do partido caminhavam com o emedebista.
Gayer também ressaltou o desempenho de Márcio Corrêa à frente da Prefeitura de Anápolis. Pesquisa do Instituto Veritá divulgada em março colocou o gestor entre os três prefeitos mais bem avaliados entre as 100 maiores cidades brasileiras, com aprovação de 90,8%.
Na avaliação do deputado, uma eventual expulsão neste momento poderia ser precipitada, principalmente diante do período eleitoral. Gayer destacou ainda que Corrêa continua apoiando nomes ligados ao campo bolsonarista, entre eles o próprio parlamentar na disputa pelo Senado e candidatos associados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O deputado também apontou que existem prefeitos filiados ao PL que não apoiam os candidatos ao Senado escolhidos pelo grupo de Bolsonaro e, mesmo assim, permanecem na legenda. Para Gayer, a situação demonstra a necessidade de uma discussão interna antes da aplicação de uma punição.
Segundo o parlamentar, o ambiente eleitoral tem elevado a tensão entre integrantes da sigla. Por isso, defendeu que as lideranças partidárias se reúnam para tentar solucionar as divergências antes de uma decisão definitiva sobre o futuro de Márcio Corrêa no partido.
Processo foi aberto após apoio a Daniel Vilela
A crise interna ganhou força depois que Márcio Corrêa oficializou apoio à candidatura de Daniel Vilela à reeleição para o Governo de Goiás. A manifestação ocorreu em evento político realizado no último fim de semana em Anápolis.
O posicionamento contrariou a direção estadual do PL, que possui candidatura própria ao governo. O partido lançou o senador e presidente estadual da legenda, Wilder Morais, para disputar o Palácio das Esmeraldas.
Após o anúncio de Corrêa, a Executiva estadual se reuniu na manhã desta quinta-feira e decidiu receber a representação que pede a expulsão do prefeito por infidelidade partidária. Segundo o Jornal Opção, o pedido teria sido apresentado por um aliado de Wilder.
Agora, o documento deverá passar pelo Conselho de Ética do PL. O órgão ficará responsável por receber a defesa de Márcio Corrêa e elaborar um parecer sobre o caso. Posteriormente, caberá à Executiva estadual decidir se o prefeito será expulso ou se sofrerá outro tipo de medida disciplinar.
A defesa do prefeito informou que acompanha o andamento do procedimento e deverá solicitar oficialmente os nomes dos integrantes do Conselho de Ética para apresentar sua manifestação. Há, inclusive, dúvidas internas sobre a composição atual do colegiado.
A divergência entre Márcio Corrêa e a direção estadual do PL ocorre em meio a um cenário de divisão dentro da legenda em Goiás. Antes mesmo da oficialização das candidaturas, prefeitos do partido já demonstravam diferentes posicionamentos sobre a disputa pelo governo, com parte deles se aproximando de Daniel Vilela e outra parcela alinhada a Wilder Morais.




