Da Redação
Ex-deputado foi denunciado após declarações feitas sobre investigados na Operação Carbono Oculto; defesa afirma que fala representava uma opinião sobre ação policial
O ex-deputado estadual Arthur do Val, conhecido nas redes sociais como Mamãe Falei, contestou a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por suposta incitação ao crime. O político classificou a medida como um “absurdo completo” e argumentou que suas declarações foram interpretadas de maneira equivocada.
A denúncia foi apresentada na terça-feira (25) pelo promotor Roberto Bacal, do Juizado Especial Criminal. O caso está relacionado a declarações feitas por Arthur do Val em 2025, quando comentou, em um vídeo publicado no YouTube, a Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal.
Na ocasião, ao abordar as suspeitas de envolvimento de integrantes do mercado financeiro com organizações criminosas, Arthur afirmou que pessoas da Faria Lima que lavassem dinheiro para o crime organizado deveriam ser mortas.
Para o Ministério Público, a manifestação ultrapassou os limites de uma opinião e teria configurado incitação à prática criminosa. Segundo a acusação, a declaração atingiria prestadores de serviços relacionados a investigados na operação, entre eles Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva.
Arthur do Val nega incentivo à violência
Após a divulgação da denúncia, Arthur do Val se manifestou nas redes sociais e afirmou que ainda não havia sido formalmente citado no processo. O ex-parlamentar também rejeitou a interpretação apresentada pelo Ministério Público.
Segundo Arthur, a declaração não representava uma orientação para que seus seguidores ou outras pessoas praticassem atos de violência. Ele argumentou que estava apenas expressando uma opinião a respeito de uma operação conduzida pelas forças de segurança.
O ex-deputado também comparou o episódio com declarações anteriores feitas por ele sobre operações policiais realizadas em comunidades do Rio de Janeiro. De acordo com Arthur, quando defendeu posições semelhantes naquele contexto, foi acusado de apoiar a morte de pessoas pobres e negras.
Agora, segundo ele, mesmo fazendo uma manifestação semelhante ao se referir a pessoas ligadas ao mercado financeiro da Faria Lima, acabou sendo alvo de uma denúncia criminal.
Arthur afirmou ainda considerar que existe uma dificuldade de interpretação de suas declarações e criticou o que considera uma limitação à liberdade de manifestação no país.
Operação Carbono Oculto
A Operação Carbono Oculto investiga um esquema de movimentações financeiras envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e outras infrações penais.
De acordo com as investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo, a organização criminosa investigada teria movimentado mais de R$ 8,4 bilhões.
As apurações apontam Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, chamado de “Beto Louco”, como supostos líderes do grupo investigado.
A denúncia contra Arthur do Val decorre justamente das declarações feitas pelo ex-deputado ao comentar os envolvidos e o contexto revelado pela operação. Caberá agora à Justiça analisar a acusação apresentada pelo Ministério Público e decidir sobre o andamento do caso.




