Walisson Veríssimo
Candidato do PSD à Presidência afirma ser favorável à redução da jornada, mas defende discussão sobre impactos para micro e pequenas empresas
O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) afirmou nesta quarta-feira (26) que é favorável à proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Apesar do apoio, o ex-governador de Goiás disse que pretende revisar o tema para avaliar os impactos da mudança sobre micro e pequenas empresas brasileiras.
As declarações foram dadas durante uma sabatina promovida pela rádio CBN e pelos jornais O Globo e Valor Econômico. Ao ser questionado sobre sua posição, Caiado reafirmou ser favorável à mudança, mas ponderou que o texto precisa apresentar alternativas para os pequenos negócios.
O presidenciável argumentou que a redução da carga horária pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, mas defendeu que a implementação seja acompanhada de medidas capazes de diminuir eventuais impactos econômicos sobre empresas de menor porte.
Caiado cita peso das pequenas empresas na geração de empregos
Um dos principais argumentos apresentados pelo candidato envolve a participação dos micro e pequenos negócios no mercado de trabalho brasileiro.
Caiado citou dados segundo os quais esse segmento teve participação de aproximadamente 80% no saldo positivo de empregos formais gerados no país em 2025. A informação tem como base levantamento do Sebrae citado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Para o candidato, qualquer mudança significativa na jornada de trabalho precisa considerar a capacidade financeira dessas empresas para absorver os novos custos ou reorganizar suas equipes.
A preocupação de Caiado está relacionada especialmente à possibilidade de uma redução da jornada exigir novas contratações ou mudanças na organização dos turnos de trabalho.
PEC prevê medidas para pequenos negócios
Durante a sabatina, Caiado também mencionou um dispositivo da própria proposta relacionado aos microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte.
O texto prevê a possibilidade de uma lei complementar estabelecer regras transitórias destinadas a amenizar os impactos da mudança para esses negócios, desde que estejam condicionadas à manutenção dos níveis de emprego.
Apesar da previsão, Caiado considera que a discussão precisa avançar para apresentar soluções mais concretas ao setor.
Segundo o candidato, apoiar uma jornada que proporcione mais qualidade de vida aos trabalhadores não significa ignorar os efeitos econômicos que a medida poderá provocar.
“Tudo aquilo que vem para melhorar a vida da pessoa, que vem para diminuir a carga horária dele, que vem para dar mais qualidade de vida para ele”, afirmou Caiado durante a entrevista, antes de ponderar que não pretende apoiar uma proposta apenas pelo contexto eleitoral.
Posicionamento mudou durante a campanha
A declaração desta quarta reforça uma mudança no posicionamento apresentado por Caiado ao longo da campanha presidencial.
Em 19 de agosto, durante o 11º Fórum CNT de Debates, em Brasília, o candidato evitou declarar se era favorável ou contrário ao fim da escala 6×1. Na ocasião, classificou a proposta como “populista” e “eleitoreira”.
Três dias depois, durante uma agenda em Campinas, no interior de São Paulo, Caiado afirmou diretamente que apoiava o fim da escala. Questionado sobre o assunto, respondeu que era favorável à mudança.
Nesta quarta-feira, o candidato manteve o apoio, mas acrescentou que pretende revisar o tema caso seja eleito para construir uma alternativa que considere também os empresários.
Caiado defende diálogo com empresários
Questionado sobre qual seria sua proposta específica para reduzir os impactos da mudança sobre pequenos negócios, Caiado admitiu que ainda não possui uma solução definida.
Segundo ele, o caminho seria reunir representantes dos micro e pequenos empresários para compreender as dificuldades enfrentadas pelo setor e elaborar uma alternativa.
O candidato reconheceu que precisa apresentar uma proposta concreta sobre o assunto e afirmou que pretende revisar o tema.
Para Caiado, a discussão sobre a redução da jornada deve envolver tanto os interesses dos trabalhadores quanto a sustentabilidade das empresas responsáveis pela geração de empregos.
Proposta reduz jornada e encerra modelo 6×1
A proposta em discussão no Congresso prevê mudanças na duração da jornada semanal de trabalho e o fim do modelo em que o funcionário trabalha durante seis dias consecutivos e tem um dia de descanso.
O texto prevê a redução da jornada semanal atualmente estabelecida em até 44 horas para 40 horas, além de acabar com a escala 6×1.
A proposta estava parada no Senado desde maio, mas voltou ao debate depois que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), anunciou o encaminhamento do texto à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Apesar de agora declarar apoio ao fim da escala, Caiado sustenta que a aprovação precisa ser acompanhada de uma discussão mais ampla sobre os impactos econômicos da mudança.
O candidato afirma que pretende conciliar a redução da carga horária e a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores com mecanismos que evitem prejuízos aos micro e pequenos negócios e à geração de empregos no país.




