Da Redação
Candidato do PSD à Presidência também apresentou propostas para limitar gastos públicos, revisar a reforma tributária e reduzir juros e inflação durante sabatina na TV Globo
O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) defendeu uma anistia “geral, ampla e irrestrita” para condenados, financiadores e pessoas acusadas de incentivar os atos de 8 de janeiro de 2023. A declaração foi feita durante sabatina exibida pela TV Globo na noite de terça-feira (25). Caso seja eleito, Caiado afirma que pretende encaminhar a proposta ao Congresso Nacional já no início do governo.
A entrevista foi conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli e integrou a série de sabatinas da emissora com os candidatos à Presidência nas eleições de 2026. Além da anistia, o candidato apresentou propostas relacionadas à segurança pública, controle das despesas federais, Previdência e reforma tributária.
Segundo Caiado, a anistia teria como objetivo diminuir a polarização política e promover uma “pacificação” do país. O candidato afirmou que a medida também alcançaria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de financiadores, incitadores e militares envolvidos nos episódios relacionados à tentativa de ruptura institucional.
Durante a entrevista, Caiado comparou o caso de Bolsonaro à situação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele citou a anulação das condenações de Lula pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que possibilitou ao petista recuperar seus direitos políticos e concorrer à Presidência em 2022. As condenações de Lula, porém, foram anuladas por questões relacionadas à competência da Justiça Federal de Curitiba, e não por meio de anistia.
Polícia integrada contra o crime organizado
Na segurança pública, Caiado apresentou a proposta de criar uma estrutura permanente de cooperação policial envolvendo o Brasil e países da América do Sul. O objetivo seria ampliar o combate ao narcotráfico, ao contrabando de armas, à lavagem de dinheiro e à atuação de organizações criminosas internacionais.
O candidato comparou a ideia a mecanismos de cooperação utilizados na Europa. Pelo modelo defendido por Caiado, agentes poderiam atuar de forma integrada nos países participantes e, após uma prisão, entregar o suspeito às autoridades locais.
Caiado afirmou que o Brasil se tornou um importante centro para as atividades do narcotráfico e mencionou organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), além de grupos criminosos estrangeiros.
Para financiar ações de segurança, o candidato propôs utilizar recursos provenientes do confisco de patrimônio de organizações criminosas. Aeronaves, helicópteros, dinheiro em contas bancárias e valores movimentados por empresas e plataformas financeiras estão entre os bens citados por ele.
Questionado sobre uma eventual participação dos Estados Unidos em operações de combate ao narcotráfico dentro do território brasileiro, Caiado descartou autorizar a entrada de militares norte-americanos. Ele afirmou, entretanto, ser favorável à cooperação tecnológica e ao compartilhamento de informações e inteligência.
Caiado propõe novo limite para gastos
Na economia, Caiado afirmou que pretende apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para estabelecer uma nova regra de controle das despesas do governo federal.
Segundo o candidato, o crescimento dos gastos seria limitado pela inflação e por um percentual relacionado ao avanço do Produto Interno Bruto (PIB). Material da campanha menciona uma faixa entre 40% e 50% do crescimento do PIB, embora o percentual definitivo ainda não esteja fechado.
Caiado criticou o atual arcabouço fiscal e afirmou que pretende revisar diferentes áreas das despesas públicas. Entre os pontos mencionados estão subvenções, incentivos fiscais, salários considerados excessivos no funcionalismo, emendas parlamentares e gastos relacionados aos três Poderes.
Apesar disso, o candidato não apresentou durante a sabatina uma estimativa de quanto seria economizado nem detalhou quais despesas seriam efetivamente cortadas para alcançar o ajuste proposto.
Saúde, educação e salário mínimo
Caiado afirmou que não pretende reduzir os pisos constitucionais destinados à saúde e à educação. Também declarou que pretende manter uma política de ganho real para o salário mínimo e para as aposentadorias.
Questionado sobre como conciliaria essas medidas com uma política mais rígida de controle das despesas, o candidato afirmou que o ajuste fiscal deverá ser realizado em outras áreas do orçamento.
Caiado utilizou Goiás como exemplo e citou indicadores da educação estadual para argumentar que seria possível melhorar a qualidade dos serviços públicos por meio de maior eficiência na aplicação dos recursos.
Previdência será discutida com especialistas
A Previdência também foi abordada durante a entrevista. Questionado sobre a possibilidade de alterar a idade mínima para aposentadoria diante do envelhecimento da população, Caiado não apresentou uma definição.
O candidato afirmou que uma eventual reforma deverá ser construída depois do estabelecimento das novas regras para os gastos públicos. Segundo ele, especialistas em economia e representantes dos servidores seriam chamados para participar das discussões. Entre os nomes mencionados está o economista Paulo Tafner.
Caiado argumentou que não pretende chegar ao governo com uma solução fechada para todos os problemas e afirmou ter “medo de iluminados”, em referência à elaboração individual de respostas para questões consideradas complexas.
Reforma tributária também pode ser revista
Outro ponto defendido pelo candidato foi a revisão da reforma tributária aprovada pelo Congresso. Caiado criticou principalmente aspectos relacionados ao Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e ao Imposto Seletivo.
O candidato questionou uma eventual alíquota de aproximadamente 28% para o IVA e argumentou que uma tributação elevada poderia estimular a informalidade e a sonegação, principalmente entre profissionais liberais e trabalhadores autônomos.
Para Caiado, o modelo deverá passar por novas simulações e ser discutido com representantes da sociedade e dos setores produtivos antes de eventuais mudanças.
Meta de juros e inflação
Durante a discussão econômica, Caiado afirmou ainda que pretende buscar juros na faixa de 6% e inflação próxima de 3%. Para atingir esses resultados, defendeu controle das despesas públicas e recuperação da confiança na condução da política fiscal.
Na avaliação do candidato, maior credibilidade das contas públicas poderia produzir efeitos positivos sobre as expectativas econômicas e contribuir para a redução das taxas de juros.
Caiado também criticou programas de renegociação de dívidas e afirmou que o governo deveria trabalhar para ampliar as condições de acesso a crédito mais barato.
Candidato pede divulgação de informações pelo STF
Nas considerações finais da sabatina, Caiado fez um apelo ao Supremo Tribunal Federal para que sejam divulgadas informações de investigações que, segundo ele, envolvem os chamados casos “Master” e “carbono oculto”.
O candidato argumentou que a divulgação das informações seria necessária para que os eleitores conheçam eventuais envolvidos em irregularidades antes da votação.
Ao encerrar sua participação, Caiado pediu especialmente o apoio de eleitores com mais de 60 anos e afirmou que pretende chegar ao segundo turno da disputa presidencial. Ele foi o segundo candidato entrevistado na série promovida pela TV Globo, após a participação de Romeu Zema (Novo), na segunda-feira (24).




