Da Redação
Ex-governador de Goiás ficou preso por pouco mais de 24 horas durante a Operação Cash Delivery e foi liberado após decisão do TRF-1
O ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) classificou como “sequestro” a prisão sofrida por ele em 2018, durante as investigações da Operação Cash Delivery. A declaração foi feita recentemente durante uma entrevista ao portal Curta Mais. Na ocasião, entretanto, a detenção ocorreu mediante mandado de prisão expedido pela Justiça Federal.
Marconi foi preso pela Polícia Federal em 10 de outubro de 2018. O mandado havia sido assinado pelo então juiz federal substituto Rafael Ângelo Slomp e determinava a prisão do ex-governador com fundamento no artigo 312 do Código de Processo Penal, sob a justificativa de garantia da ordem pública.
A ordem judicial estava relacionada às investigações que apuravam suspeitas de corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Marconi diz que foi “sequestrado”
Durante a entrevista recente, Marconi afirmou que teria sido alvo de uma injustiça ao comparecer para prestar depoimento à Polícia Federal. Segundo o tucano, ao chegar ao local, foi surpreendido pela ordem de prisão.
O ex-governador utilizou o termo “sequestrado” para se referir ao episódio e sustentou que a prisão teria ocorrido de maneira injusta.
Apesar da declaração, a prisão havia sido determinada formalmente pela Justiça Federal após pedido apresentado pela Polícia Federal. O mandado foi expedido no âmbito das apurações da Operação Cash Delivery.
Soltura ocorreu após habeas corpus
Marconi permaneceu preso por pouco mais de 24 horas. No dia 11 de outubro de 2018, ele deixou a prisão depois que a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) concedeu habeas corpus.
A liberação ocorreu por decisão liminar do desembargador Olindo Menezes. Com isso, o ex-governador passou a responder às investigações em liberdade.
Na época, a Polícia Federal indiciou Marconi por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Operação Cash Delivery
A Operação Cash Delivery investigou supostos repasses ilegais realizados pela Odebrecht para campanhas políticas de Marconi Perillo. De acordo com as investigações, os pagamentos teriam ocorrido por meio de intermediários também apurados no inquérito.
À época, a Polícia Federal informou ter identificado indícios considerados suficientes para o indiciamento do ex-governador pelos crimes investigados. Posteriormente, o caso passou por diferentes discussões judiciais relacionadas à competência para análise dos fatos.
Em 2021, uma denúncia do Ministério Público Federal envolvendo a Operação Cash Delivery foi recebida pela Justiça Federal. A acusação apontava suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A defesa de Marconi, naquele momento, ressaltou que o recebimento inicial da denúncia seria um ato formal e afirmou confiar que o processo demonstraria a idoneidade do ex-governador.
Ex-governador não foi condenado
Apesar da prisão e do indiciamento, Marconi Perillo não foi condenado pelos fatos que motivaram sua detenção em 2018.
A prisão, portanto, não representou uma condenação criminal, mas uma medida cautelar determinada judicialmente durante a investigação. Da mesma forma, a concessão do habeas corpus possibilitou a soltura do ex-governador, sem representar, por si só, uma decisão definitiva sobre o mérito das acusações.
A declaração de Marconi ao chamar o episódio de “sequestro” ocorre oito anos depois da Operação Cash Delivery e em meio à retomada de seu protagonismo na política goiana.




