Da Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na manhã desta sexta-feira (21). Durante o diálogo, os dois líderes trataram das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, incluindo as novas tarifas impostas pelo governo norte-americano aos produtos brasileiros.

Segundo comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto, Trump concordou com a necessidade de preservar os vínculos comerciais entre os dois países e propôs que representantes dos governos brasileiro e norte-americano voltem a se reunir o mais rapidamente possível para discutir o assunto.

A conversa durou cerca de uma hora e vinte minutos e, conforme o governo brasileiro, ocorreu em tom amistoso e cordial. Além das tarifas, Lula e Trump abordaram cooperação no combate ao crime organizado e conflitos internacionais, como as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

Lula contesta argumentos usados pelos Estados Unidos

Durante o telefonema, Lula questionou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a imposição das novas tarifas ao Brasil. Entre os temas mencionados na investigação norte-americana estão desmatamento, acordos comerciais preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos produzidos com trabalho forçado.

O presidente brasileiro afirmou que considera infundadas as alegações utilizadas para justificar a medida e argumentou que a cobrança de tarifas prejudica economicamente os dois países.

Lula também defendeu a continuidade das negociações como melhor caminho para solucionar as divergências e ressaltou a importância de manter os Estados Unidos entre os principais parceiros comerciais do Brasil.

Trump, por sua vez, manifestou interesse em preservar as relações comerciais e sugeriu uma nova rodada de negociações entre representantes dos dois governos.

Estados Unidos aplicaram sobretaxa de 25%

No último mês, os Estados Unidos oficializaram a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros.

A decisão foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) após uma investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

A medida aumentou a preocupação de setores da economia brasileira que mantêm relações comerciais com o mercado dos Estados Unidos e levou o governo federal a intensificar as negociações diplomáticas para tentar reduzir os impactos das tarifas.

Com o novo contato entre Lula e Trump, representantes dos dois países deverão voltar à mesa de negociação para buscar uma solução para o impasse comercial.

Combate ao crime organizado também entrou na conversa

Outro tema discutido durante o telefonema foi a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no enfrentamento ao crime organizado.

Lula reiterou o interesse brasileiro em ampliar a colaboração com o governo norte-americano, mas argumentou que organizações criminosas não devem ser necessariamente classificadas como grupos terroristas.

Segundo o presidente, embora facções exerçam violência e intimidação sobre comunidades, o Brasil possui instrumentos jurídicos e policiais para combatê-las sem recorrer a uma classificação especial como organizações terroristas.

Lula apresentou a Trump algumas das ações adotadas pelo Brasil para atingir financeiramente grupos criminosos. De acordo com as informações apresentadas durante a conversa, operações já resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 17 bilhões.

O presidente também mencionou planos para transformar 138 unidades prisionais em presídios de segurança máxima e citou a Lei Antifacção, que amplia instrumentos para apreensão de patrimônio e passaportes ligados ao crime organizado.

Lula cita PEC da Segurança Pública e cooperação na Amazônia

Durante a conversa, Lula também falou sobre a proposta de emenda à Constituição que busca ampliar a atuação do governo federal na área de segurança pública em cooperação com estados e demais entes federativos.

Outro ponto apresentado foi o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, localizado em Manaus. A estrutura reúne representantes dos países amazônicos e busca fortalecer o intercâmbio de informações e operações conjuntas contra crimes praticados na região.

Trump demonstrou disposição para ampliar a cooperação bilateral no enfrentamento à criminalidade e informou que pretende mobilizar integrantes de alto escalão do governo norte-americano para dar continuidade às discussões com o Brasil.

Presidentes discutem guerras na Ucrânia e no Oriente Médio

A agenda internacional também fez parte do telefonema. Lula e Trump trocaram avaliações sobre alguns dos principais conflitos em andamento no mundo, especialmente as guerras envolvendo Rússia e Ucrânia e a situação no Oriente Médio.

Os dois presidentes concordaram sobre a necessidade de buscar uma solução negociada para o conflito entre russos e ucranianos, que se aproxima de cinco anos de duração.

Trump também apresentou avaliações sobre as possibilidades de resolução do conflito envolvendo o Irã.

Lula, por sua vez, voltou a criticar a atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante das guerras atuais. O presidente brasileiro defendeu a realização de uma reunião extraordinária do órgão para discutir alternativas diplomáticas.

A proposta já havia sido apresentada por Lula em conversas com os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin.

Ao tratar das guerras, o presidente brasileiro afirmou que considera que grandes líderes devem trabalhar para encerrar conflitos, em vez de iniciá-los.

Nova reunião deverá dar continuidade às negociações

O principal encaminhamento do telefonema foi a sinalização de uma nova rodada de negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre as relações comerciais e as tarifas aplicadas aos produtos brasileiros.

Ainda não foram divulgados data, local ou integrantes das equipes que participarão do próximo encontro.

A expectativa é que representantes dos dois governos avancem nas discussões para tentar reduzir as divergências comerciais e preservar o fluxo de negócios entre os países.

Além da questão econômica, a conversa entre Lula e Trump abriu espaço para ampliar a cooperação bilateral em segurança pública e manter o diálogo entre os governos brasileiro e norte-americano sobre conflitos e outros temas da agenda internacional.