Da Redação

Grupo registrou perda líquida de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 e iniciou processo de reestruturação que pode resultar em cerca de 3 mil demissões

O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial após registrar um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. A medida foi apresentada à Justiça no domingo (16), depois de receber aprovação do conselho de administração e do acionista controlador da companhia.

O pedido ocorre em meio a uma ampla reestruturação da varejista, que também iniciou o fechamento de 298 lojas consideradas menos rentáveis em diferentes regiões do Brasil. A redução da operação física pode provocar o desligamento de aproximadamente 3 mil trabalhadores.

Segundo a companhia, a recuperação judicial permitirá reorganizar as obrigações financeiras e renegociar dívidas com credores enquanto as atividades são mantidas. A empresa relaciona o agravamento da situação financeira ao cenário de juros elevados, restrição de crédito, aumento das despesas financeiras e redução do poder de consumo das famílias.

Prejuízo passa de R$ 11 bilhões no primeiro semestre

Os números apresentados pela companhia mostram que as perdas aumentaram significativamente ao longo de 2026. Considerando os seis primeiros meses do ano, o prejuízo líquido acumulado alcançou R$ 11,2 bilhões.

No período de 12 meses encerrado em junho, o resultado negativo chegou a R$ 13,2 bilhões.

A Casas Bahia argumenta, porém, que parte expressiva das perdas registradas no segundo trimestre está relacionada a efeitos considerados não recorrentes. Sem esses impactos extraordinários, o prejuízo trimestral seria de aproximadamente R$ 978 milhões.

Entre os fatores excepcionais citados pela empresa estão baixas de ativos, despesas provocadas pelo processo de reestruturação e outros ajustes contábeis.

A divulgação dos resultados financeiros também chamou a atenção do mercado. Inicialmente previsto para quarta-feira (12), o balanço referente ao segundo trimestre foi adiado para sexta-feira (14). A empresa informou que precisava finalizar procedimentos relacionados às informações contábeis antes da aprovação e publicação dos dados.

Fechamento de 298 lojas pode atingir 3 mil trabalhadores

Paralelamente ao pedido de recuperação judicial, o grupo iniciou uma forte redução de sua estrutura física. O fechamento das 298 unidades começou na sexta-feira (14) e representa quase 30% das pouco mais de mil lojas que estavam em funcionamento no país.

Segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico e reproduzidas pelo Jornal Opção, cerca de 600 funcionários teriam sido desligados na quinta-feira (13). Outros 1,3 mil a 1,4 mil cortes estavam previstos para o dia seguinte.

Com a conclusão da reestruturação, a estimativa é de que o total de demissões possa chegar a aproximadamente 3 mil trabalhadores.

A redução da presença física da companhia, entretanto, já havia começado anteriormente. No balanço do primeiro trimestre de 2026, o grupo informou o encerramento de 12 lojas da Casas Bahia e outras 14 unidades do Pontofrio.

O novo plano pretende direcionar investimentos para unidades, canais de venda e categorias que apresentem maior rentabilidade. A estratégia também prevê diminuir o volume de capital empregado nas operações e reduzir os custos relacionados ao financiamento.

Mesmo com o fechamento de centenas de unidades, o Grupo Casas Bahia afirma que continuará operando com as lojas físicas restantes e manterá normalmente as atividades de comércio eletrônico e dos demais negócios da companhia.

Além de Casas Bahia e Pontofrio, o grupo possui operações ligadas ao Extra.com.br, à fabricante de móveis Bartira, à plataforma financeira Casas Bahia Pay e ao serviço logístico CBfull.

Dificuldades financeiras começaram antes de 2026

A atual crise financeira da varejista não começou neste ano. Em 2024, a companhia já havia recorrido a um processo de recuperação extrajudicial para reorganizar parte das dívidas e melhorar sua estrutura de capital.

Naquele momento, a renegociação ocorreu por meio de acordo com instituições financeiras. Mesmo depois da operação, porém, a empresa continuou enfrentando dificuldades relacionadas ao desempenho das vendas e ao peso elevado das despesas financeiras.

O cenário econômico também tem pressionado o varejo brasileiro. O endividamento das famílias e a manutenção dos juros em níveis elevados afetam especialmente segmentos dependentes do crédito e das compras parceladas, como os mercados de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos.

Informações publicadas pelo Valor Econômico também apontaram que a companhia estaria aumentando os prazos para pagamentos a fornecedores e enfrentando atrasos em repasses destinados a vendedores que utilizam o marketplace do grupo.

Pedido ainda será analisado pelos acionistas

Apesar de já ter sido apresentado à Justiça em caráter de urgência, o pedido de recuperação judicial ainda precisa ser ratificado pelos acionistas da companhia em Assembleia Geral Extraordinária.

Com o processo, o Grupo Casas Bahia busca estabelecer novas condições para pagamento das obrigações financeiras, reforçar a geração de caixa e preservar suas atividades durante a tentativa de recuperação.

Prevista na legislação brasileira, a recuperação judicial permite que empresas em dificuldades financeiras apresentem um plano para renegociar dívidas, prazos e condições de pagamento com os credores. O mecanismo tem como objetivo possibilitar a continuidade das operações enquanto a companhia reorganiza suas finanças e tenta evitar uma eventual interrupção das atividades.