CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) – Um turista holandês de 25 anos morreu no final da manhã desta terça-feira (28) durante o passeio de barco do Macuco Safari dentro do Parque Nacional do Iguaçu, abrigo das Cataratas do Iguaçu, no oeste do Paraná.
O Macuco Safari é o tradicional passeio de barco pelas corredeiras do rio Iguaçu. A reportagem apurou que o barco teria virado durante o passeio.
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, oito pessoas estavam na embarcação, sendo seis turistas holandeses e dois tripulantes (piloto e copiloto).
“Um homem sofreu afogamento, evoluiu para parada cardiorrespiratória, foi atendido inicialmente pela equipe do parque, transportado por embarcação até o Porto Seco do Kattamaram e, na sequência, encaminhado por ambulância ao Hospital Municipal, onde o óbito foi confirmado”, explica nota dos bombeiros.
Das outras sete pessoas que estavam na embarcação, uma precisou de atendimento em um hospital em Foz do Iguaçu e o piloto e o copiloto foram encaminhados à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Morumbi.
Em nota à imprensa, o Hospital Municipal Padre Germano Lauck informou que atendeu um turista holandês de 49 anos, que “encontra-se estável e permanece em observação pela equipe médica”.
A esposa do paciente, uma mulher de 48 anos, também deu entrada no hospital mais tarde com uma suspeita de fratura no pé, segundo o hospital.
O passeio é operado desde 2010 pela empresa Ilha do Sol, que se manifestou por meio de nota.
“Apesar de todos os esforços das equipes de socorro, uma das vítimas não resistiu e faleceu. A empresa manifesta seu profundo pesar pelo falecimento de um dos turistas e solidariza-se com os familiares e amigos da vítima. Ela segue prestando assistência às vítimas, oferecendo todo o suporte necessário”, afirma a empresa.
“No momento, as causas do acidente serão apuradas pelos órgãos competentes, com os quais a empresa está colaborando integralmente, disponibilizando todas as informações necessárias para a investigação”, segue a nota.
Segundo a empresa, todas as oito pessoas usavam coletes salva-vidas.
A Marinha do Brasil informou em nota que a Capitania Fluvial do Rio Paraná vai instaurar um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN) para “apurar as circunstâncias, causas e eventuais responsabilidades relacionadas ao incidente”.
Acrescentou que uma equipe da Capitania Fluvial do Rio Paraná foi ao local da ocorrência “realizar os levantamentos iniciais e acompanhar as medidas adotadas pelas equipes de emergência envolvidas no atendimento”.
A Polícia Civil do Paraná informou que uma equipe foi até o local para as primeiras diligências.
O ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), responsável pela gestão do Parque Nacional do Iguaçu, divulgou uma nota em que lamenta a morte e acrescenta que, diante do acontecimento, as atividades do Passeio do Macuco serão suspensas por três dias, a partir desta quarta-feira (29).
O órgão informou ainda que a documentação relacionada à concessionária Ilha do Sol está regular.
“As circunstâncias do acidente estão sendo apuradas pelos órgãos competentes e o ICMBio colabora com as autoridades para a elucidação do fato”, diz o instituto.
O barco teria virado completamente logo no início do passeio, segundo relatos de pessoas que estavam no local.
A pediatra Natália Avanci Fontenele, 39, acompanhou parte do resgate. “Eles caíram na água e o barco que estava logo atrás foi quem fez o resgate das pessoas. Inclusive tinha um bombeiro aposentado nele, que ajudou”, conta ela, em entrevista à Folha.
Natália chegou nesta segunda-feira (27) em Foz do Iguaçu para fazer turismo com a família.
De acordo com o Parque Nacional do Iguaçu, o Passeio Macuco, que inclui o Macuco Safari, opera há mais de 30 anos. Ao longo do período, houve um registro anterior grave, envolvendo sete mortes, no ano de 1999. Dois barcos se chocaram em 5 de setembro daquele ano.
“O passeio é uma atividade de turismo de aventura desenvolvida em ambiente natural, sujeita a riscos inerentes decorrentes das características do rio, da vazão e das condições operacionais”, diz o parque.
“Em razão desses riscos, a atividade é conduzida sob um Sistema de Gestão de Segurança (SGS), com protocolos operacionais, monitoramento das condições de operação, equipamentos de segurança, treinamento das equipes e procedimentos de resposta a emergências”, afirma.
Ainda segundo o parque, a concessionária possui a certificação ISO 21101, uma norma internacional que define os requisitos para um SGS.



