SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Um Airbus A350-1000ULR percorreu mais de 23 mil quilômetros sem escala entre a Austrália e a França e estabeleceu uma nova marca mundial para aviões comerciais.

O voo de testes durou 24 horas e 24 minutos. O avião partiu de Melbourne, na Austrália, e pousou hoje em Toulouse, na França, após percorrer 23.075,92 quilômetros sem parar.

A distância é a maior já percorrida por um avião comercial, de acordo com o Flightradar24. A plataforma de rastreamento afirmou que o Airbus “estabeleceu um novo recorde mundial” ao superar a marca mantida por um Boeing desde 2005.

A marca anterior era de 21.601,7 quilômetros. Um Boeing 777-200LR voou de Hong Kong a Londres em 22 horas e 42 minutos, sem escalas e sem reabastecimento, segundo o Guinness World Records.

O voo não transportava passageiros e fazia parte de uma campanha de testes da Airbus. A aeronave, identificada como MSN707, foi desenvolvida para o Projeto Sunrise, da companhia aérea australiana Qantas.

O avião cruzou o Pacífico em direção aos Estados Unidos e seguiu pelo Canadá. Depois, atravessou o Atlântico ao sul da Groenlândia, passou pelo Reino Unido e chegou ao sul da França, informou a Airbus.

Cinco pilotos participaram da viagem, três da Airbus e dois da Qantas. A bordo também estavam cinco engenheiros responsáveis por acompanhar os sistemas da aeronave, o conforto da cabine e o consumo de combustível.

Os pilotos trabalharam em turnos para controlar o cansaço durante a viagem. Cada um cumpria períodos de quatro horas, mas as trocas eram iniciadas a cada duas horas para permitir que o profissional que assumia os controles recebesse as informações do colega anterior.

O A350-1000ULR possui um tanque adicional com capacidade para 20.900 litros de combustível. O equipamento permite que a aeronave percorra quase 18.520 quilômetros em operações comerciais de ultralonga distância.

O teste avaliou o sistema de combustível e as condições da cabine. O objetivo era demonstrar que o modelo pode cumprir uma operação com até 23 horas entre a saída e a chegada aos portões dos aeroportos, incluindo o tempo de deslocamento em solo.

A Qantas pretende usar o modelo em voos diretos entre Sydney e Londres e entre Sydney e Nova York. As viagens deverão durar de 19 a 21 horas, dependendo da rota e das condições do vento.

A companhia encomendou 12 aeronaves do modelo, com capacidade para 238 passageiros. O primeiro avião deverá ser entregue em abril de 2027, e os voos diários entre Sydney e Londres estão previstos para começar em outubro do mesmo ano, de acordo com a Reuters.