SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O gari Diêgo Rafael da Silva, 19, atropelado e morto por veículo dirigido por um empresário chinês bêbado, havia trocado de emprego havia pouco tempo, para ter um salário um pouco maior.
“Ele tinha pedido as contas de um trabalho para ir para esse aí porque ganhava um pouco mais. Eu ainda falei para ele, ‘Diego esse é mais arriscado, não vai'”, disse a mãe, Elineide da Silva, em entrevista ao “Cidade Alerta”, da TV Record.
Diêgo disse à mãe que precisava de um salário um pouco melhor porque a esposa está grávida, à espera do segundo filho do casal.
“E aconteceu o que eu mais temia. Levaram a vida do meu filho. Um bêbado, um homem bêbado”, disse emocionada.
Diêgo trabalhava na empresa de coleta de lixo havia dois meses.
“Meu filho era maravilhoso, obediente em tudo. Tudo o que ele ia fazer perguntava para mim e para meu esposo, se podia fazer. Se eu falasse não para ele, era não. Era um menino família mesmo. Não tem o que falar mal do meu filho, sempre sorridente”, relembrou Elineide.
A mãe disse que preferia ter morrido no lugar dele e pediu por justiça.
“Foi-se embora um pedaço de mim. Agora como eu vou viver sem meu menino? Era para Deus ter me levado na vaga dele e deixado ele aí para criar os filhos dele. Eu quero justiça pelo meu filho porque ele saiu para trabalhar e vai voltar num caixão”, falou.
Diêgo deixou uma filha de 1 ano e três meses e a esposa grávida.
“O que vai ser da minha neta? O que eu vou falar para a minha neta quando ela perguntar”, questionou a mãe do gari.
Em solidariedade à morte de Diêgo, colegas paralisaram parcialmente a coleta de lixo em bairros das zonas norte e oeste da capital paulista.
O Siemaco (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo) marcou um ato em frente ao 7° DP (Lapa) na manhã desta terça (28) em homenagem ao gari e para pedir por justiça.
Diêgo foi atropelado na rua do Bosque, por volta de 22h40, do domingo (26).
O caminhão da coleta estava parado enquanto os garis recolhiam lixos da caçamba. Diêgo foi atingido pelo carro dirigido pelo empresário chinês Guofang Huang, 53.
Com o impacto, o jovem foi arremessado para a parte da frente do caminhão.
Conforme o boletim de ocorrência, Huang não parou e fugiu do local. Um motoboy que viu o atropelamento o seguiu, e o empresário retornou ao endereço tempo depois. Ele foi submetido ao teste do bafômetro, que aferiu 0,73 mg/l de álcool por litro de ar -acima do limite de 0,34 mg/l, considerado crime.
Diêgo foi socorrido, mas morreu no hospital.
Huang passou por audiência de custódia e teve a prisão convertida em preventiva, sem prazo.
A defesa do empresário, composta pelos advogados Lucas Quintela e Jéssica Narjara Camillis, afirmou que a Constituição Federal assegura a toda pessoa o direito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência, garantias que devem ser respeitadas durante toda a persecução penal.
“Por respeito à investigação, aos familiares da vítima e ao próprio andamento do processo, a defesa não fará comentários sobre o mérito dos fatos neste momento, reservando-se a manifestar-se exclusivamente perante as autoridades competentes e, oportunamente, quando houver acesso integral aos elementos da investigação”, finalizou.



