SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O GPA (Grupo Pão de Açúcar), que passa hoje por processo de recuperação extrajudicial, rescindiu antes do término um contrato de locação para um dos centros de distribuição que ocupava em São Paulo.

Com 100.000 m² de terreno e 35.510,40 m² de área construída, o galpão é localizado às margens da Rodovia Anhanguera -próximo ao Rodoanel Mario Covas e à Marginal Tietê- e usado para o recebimento de frutas, legumes, verduras, lácteos e pescados.

A informação foi compartilhada em fato relevante na última quarta-feira (22) pelo Bresco Logística F11, fundo de investimento imobiliário dono do imóvel.

Segundo a Bresco, os produtos que passavam pelo centro de distribuição eram enviados para todos os pontos de venda do GPA nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro e Brasília.

Segundo o comunicado, o imóvel havia sido alugado inicialmente em junho de 2018, e o contrato renovado em março de 2024. A renovação previa que o GPA ocupasse o terreno até janeiro de 2032. O contrato equivale a 6% da área locável do fundo, e a locação representa aproximadamente R$ 0,08 por cota aos investidores.

Em nota, o Grupo Pão de Açúcar afirmou que a saída antecipada está relacionada a ajustes da estrutura da companhia ao tamanho atual. “A descontinuidade dessa operação faz parte do plano de reorganização da companhia, com foco em eficiência operacional e disciplina financeira”, diz.

O grupo acrescenta que mantém duas centrais de distribuição na Grande São Paulo, e que a medida tem como objetivo reduzir custos “sem impactar o abastecimento das lojas” ou a experiência dos clientes.

Em março, a empresa do setor de varejo anunciou um acordo com credores para apresentar um plano de recuperação extrajudicial. As dívidas circulam os R$ 4,57 bilhões.

Diferentemente do plano de recuperação judicial, em que todas as dívidas do grupo (trabalhistas, com fornecedores, bancos etc.) são renegociadas na Justiça, na recuperação extrajudicial a companhia escolhe um grupo de credores para fechar uma negociação e homologá-la depois junto ao Judiciário. No caso do GPA, os maiores credores são os bancos.

Em balanço divulgado em fevereiro, o GPA havia alertado para incerteza relevante sobre a continuidade operacional. O grupo mencionou dificuldades financeiras e a necessidade de renegociação de dívidas.

Atrás do francês Carrefour, do brasileiro Assaí e dos regionais Grupo Mateus e Supermercados BH, hoje o Grupo Pão de Açúcar é a quinta maior empresa do setor de supermercados.