SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar opera em alta nesta sexta-feira (17), com investidores repercutindo o anúncio de que os Estados Unidos irão impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros e a possibilidade de o Brasil retaliar a medida com base na Lei da Reciprocidade Econômica.

Ainda em meio aos desdobramentos do tarifaço, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) pediu ao Ministério da Fazenda a liberação de mais R$ 7,25 bilhões para reforçar as linhas de crédito criadas pelo governo federal para apoiar empresas afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

O mercado também acompanha o agravamento das tensões no Oriente Médio e a expectativa de queda das bolsas em Nova York, após o balanço negativo da Netflix reforçar a aversão ao risco.

Às 12h15, o dólar avançava 0,27%, cotado a R$ 5,113. Já o Ibovespa avançava 0,22%, aos 174.223 pontos. A alta da Bolsa era impulsionada, em parte, pelo desempenho das ações da Petrobras, beneficiadas por mais um dia de valorização do petróleo no mercado internacional. No início da tarde, os papéis da estatal subiam 2,1%, negociados a R$ 40,73.

Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, afirma que a expectativa é de que o Ibovespa opere sob pressão nesta sexta, com investidores divididos entre o agravamento do cenário geopolítico no Oriente Médio, que pressiona os preços das commodities, e a escalada da guerra comercial entre EUA e Brasil.

Na manhã desta sexta, os Estados Unidos intensificaram sua campanha de bombardeios contra o Irã, atingindo pontes e um aeroporto. Em resposta, Teerã lançou ataques contra bases americanas em todo o Oriente Médio. Uma usina de energia e dessalinização no Kuwait também foi atingida pelo Irã.

No estreito de Hormuz, onde a retomada do conflito voltou a interromper parte do fornecimento global de energia, fuzileiros navais americanos abordaram um navio-tanque, enquanto outra embarcação teria sido atingida por um projétil. Às 10h57, o barril do petróleo Brent era negociado a US$ 86 com alta de 3,16%.

Em Wall Street, Araújo afirma que as bolsas americanas devem operar em forte queda, refletindo não apenas a escalada das tensões no Oriente Médio, mas também o balanço negativo da Netflix, que aumenta a aversão ao risco e pode contaminar os mercados emergentes, incluindo o brasileiro.

Na última quinta-feira (16), as ações de empresas de chips e fabricantes de componentes para computadores voltados à inteligência artificial registraram fortes quedas.

Durante a manhã, o S&P 500 caía 1,27%, o Nasdaq recuava 1,73% e o Dow Jones tinha queda de 0,12%.

Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, afirma que os investidores também acompanham, nos Estados Unidos, a divulgação de dados sobre construção de moradias, produção industrial e confiança do consumidor, em um cenário em que os juros de longo prazo seguem elevados.

No Brasil, Jucélia Lisboa, economista e sócia da Siegen Consultoria, afirma que o cenário econômico passou a apresentar alguns sinais mais favoráveis para a discussão sobre uma eventual redução dos juros, especialmente após a divulgação do IPCA de junho, que veio abaixo do esperado, e dos sinais de moderação no mercado de trabalho dos Estados Unidos.

Ainda assim, ela diz que esse ambiente não está consolidado. Apesar da desaceleração da inflação brasileira, o índice segue acima do centro da meta, enquanto as expectativas do mercado continuam indicando cautela em relação à condução da política monetária.

O cenário brasileiro também conta com a influência de novos dados de atividade econômica. O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) do Banco Central, considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto), avançou 0,1% em maio na comparação com abril.

O resultado veio acima das expectativas do mercado. Economistas consultados pela Reuters projetavam estabilidade para o indicador no período.