SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Enquanto Harry Styles aproveita os dias livres para conhecer São Paulo antes de subir ao palco do MorumBIS, numa série de shows que começa nesta sexta-feira (17), uma parte dos fãs já transformou a calçada do estádio em casa. Barracas dividem espaço com malas, colchões infláveis, carregadores de celular e muita organização.

Há quem tenha acabado de chegar, quem participe apenas dos turnos de revezamento e até quem tenha viajado de outro país para garantir um bom lugar na fila.

O acampamento começou dias antes do primeiro show e reúne admiradores de diferentes partes do Brasil -e também do exterior. Para eles, a longa espera faz parte da experiência de acompanhar o artista e está longe de ser improvisada.

“São meses de preparação. A gente organiza grupos, vê quem tem barraca, quem consegue fazer revezamento, quem ajuda na alimentação. Dá trabalho, mas todo mundo se ajuda”, conta Ana Carolina, de 19 anos, fã de Harry desde a época do One Direction.

Ela explica que permanecer na fila não significa passar dias seguidos na calçada. A maior parte dos participantes se reveza para que todos consigam descansar quando necessário, tomar banho e trabalhar.

Segundo Ana, o clima entre os fãs é um dos principais motivos para encarar o esforço. “Aqui a gente faz amizade para a vida. Se alguém precisa de ajuda, divide comida, água ou qualquer outra coisa. O objetivo também é conhecer pessoas. Acho que combina muito com essa turnê, que chama ‘Together Together’.”

Mas nem tudo são momentos de celebração. A jovem afirma que o grupo frequentemente sofre com comentários ofensivos de quem passa pela região. “Passam gritando que somos desempregadas e até coisas piores”, diz. “A gente se sente insegura muitas vezes, principalmente porque aqui praticamente só tem mulheres.”

Ela diz que o julgamento ignora toda a preparação financeira envolvida para acompanhar o cantor. “As pessoas olham e pensam que estamos aqui sem fazer nada. Mas todo mundo trabalhou para comprar ingresso, organizar viagem, alimentação e hospedagem. Não é uma decisão feita de um dia para o outro.”

Ana acompanha Harry há cerca de 14 anos e considera o show a realização de um sonho antigo. “Eu cresci ouvindo ele. Minha infância foi acompanhando a banda e depois a carreira solo. Não é só um artista para mim.”

O espírito coletivo também chamou a atenção de fãs que viajaram milhares de quilômetros até São Paulo. É o caso de Dariana Depaoli, 17, e da mãe Viviana Dominguez, 40, que veio de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. A viagem, por terra, começou no domingo (12) à noite.

“É o meu segundo show dele. O primeiro foi no Rio de Janeiro”, diz a jovem. Desta vez, porém, ela encontrou uma estrutura diferente da vista em outras cidades brasileiras. “Perto do Allianz tinha shopping, banheiro e comida. Aqui está bem mais difícil. O Airbnb fica a uns 20 minutos caminhando, então a gente vai até lá quando precisa.”

Mesmo diante das dificuldades, a jovem resume a expectativa de forma simples: “Quero ouvir todas as músicas dele.”

Entre os acampados também está Amanda, de 25 anos, que saiu do Paraná na madrugada desta quinta para chegar à capital paulista. Ela explica que o sistema de revezamento permite que todos consigam descansar sem perder a posição na fila.

Fã desde os tempos do One Direction, Amanda viu Harry em Curitiba, em 2022, e agora retorna para mais um espetáculo. “As expectativas são as melhores possíveis. O show de Curitiba foi maravilhoso, então espero viver tudo isso outra vez.”

Ela também acredita que boa parte da imagem negativa criada sobre os acampamentos não corresponde ao que realmente acontece no local. “As pessoas têm uma visão muito deturpada”, avalia. “Acham que é bagunça, mas aqui todo mundo é muito tranquilo. A gente conversa, divide as coisas, pede comida junto. É um ambiente muito pacífico.”

Nos últimos dias, Harry Styles também chamou atenção ao circular discretamente por São Paulo. O cantor foi visto passeando por bairros da cidade, visitando parques, ruas tradicionais e até uma sessão de cinema antes do início da série de quatro apresentações.

Enquanto isso, do lado de fora do estádio, os fãs seguem contando as horas. Para eles, dormir em barracas, enfrentar a falta de estrutura e lidar com críticas faz parte de uma espera que começou muito antes da compra do ingresso.

“Não é porque a gente não tem o que fazer”, resume Ana. “É porque queremos viver um momento que esperamos há muitos anos.”