Da Redação

A proposta que prevê mudanças profundas na jornada de trabalho no Brasil, incluindo o possível fim da escala 6×1, provocou forte reação de entidades empresariais em Goiás. Representantes do setor produtivo afirmam que a medida, se implementada, pode desencadear efeitos significativos no emprego, nos custos das empresas e até no ritmo da economia.

O posicionamento foi formalizado pelo Fórum das Entidades Empresariais de Goiás (FEE-GO), que reúne organizações do comércio, indústria e agronegócio. Segundo o grupo, a crítica se baseia em estudos técnicos elaborados por instituições nacionais ligadas ao setor produtivo, que apontam riscos relevantes associados à mudança na jornada.

Empregos e custos no centro das preocupações

Entre os principais pontos levantados está o possível impacto no mercado de trabalho. As estimativas citadas pelas entidades indicam que a alteração pode colocar em risco até 630 mil empregos formais no país, especialmente em atividades que dependem de mão de obra intensiva.

Além disso, o custo para as empresas pode crescer de forma expressiva. Projeções apontam aumento de até R$ 267 bilhões por ano nas despesas com trabalhadores formais, o que representaria um acréscimo relevante na folha de pagamento.

Na avaliação do fórum, esse cenário tende a levar empresas a rever estratégias, com possíveis cortes de contratações, redução de benefícios e limitação de horas extras — fatores que podem impactar diretamente a renda dos trabalhadores.

Possível efeito em cadeia na economia

As entidades também alertam para consequências mais amplas. Estudos mencionados pelo setor sugerem que a mudança na jornada pode provocar retração no Produto Interno Bruto (PIB), com quedas expressivas em cenários mais críticos.

Outro ponto de atenção é a inflação. Com o aumento dos custos operacionais, empresas poderiam repassar parte dessas despesas ao consumidor final, pressionando os preços e dificultando a queda dos juros.

Setores como comércio, serviços e agropecuária aparecem entre os mais vulneráveis, já que dependem de escalas contínuas para manter o funcionamento. A indústria e a construção civil também são citadas como áreas que poderiam enfrentar elevação de custos e redução na oferta de produtos e serviços.

Debate político e pedido de adiamento

Diante desse cenário, o FEE-GO defende que a discussão não seja acelerada. O grupo pede que o tema seja analisado com mais profundidade e fora do contexto eleitoral, argumentando que decisões dessa magnitude exigem debate técnico mais amplo e participação de diferentes setores da sociedade.

Proposta avança no Congresso

Apesar das críticas, a pauta segue avançando em Brasília. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados já aprovou a admissibilidade de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema, etapa que valida a constitucionalidade da matéria.

O texto agora será discutido em uma comissão especial, onde devem ser analisados pontos como modelo de transição e impactos econômicos e sociais antes de eventual votação no plenário.

Entre as propostas em debate estão a redução da jornada semanal para 36 horas ou a adoção de modelos com menos dias de trabalho por semana, substituindo o atual limite constitucional de 44 horas semanais.

Um tema em disputa

Enquanto o setor empresarial destaca riscos econômicos, o debate sobre o fim da escala 6×1 também envolve argumentos ligados à qualidade de vida e às condições de trabalho. Com posições divergentes, o tema deve continuar no centro das discussões nacionais nos próximos meses, com impacto direto sobre trabalhadores e empresas.