A REDAÇÃO
Marlon Brandon Coelho Couto Silva, 27, conhecido como MC Poze do Rodo, foi alvo nesta quarta-feira (15) de uma operação da Polícia Federal que apura um esquema de lavagem de dinheiro associado a apostas ilegais e movimentação de recursos em larga escala. O cantor figura entre os investigados no âmbito da operação Narco Fluxo, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de transações ilícitas e ocultação patrimonial.
Segundo as autoridades, a decisão judicial inclui o nome do artista entre os alvos de medidas como prisão temporária, buscas e apreensões e quebra de sigilo. O documento, no entanto, não detalha qual seria a função específica de Poze dentro da estrutura investigada. A defesa do cantor informou que ainda não teve acesso ao teor completo do mandado e que irá se manifestar na Justiça após analisar os autos.
Conhecido por músicas que retratam o cotidiano de comunidades do Rio de Janeiro, especialmente o Complexo do Rodo, que inspirou seu nome artístico, MC Poze do Rodo se consolidou como um dos nomes populares do funk e do trap no país, com agenda frequente de apresentações e cachês elevados.
A trajetória do artista também inclui episódios anteriores envolvendo investigações policiais. Em 2019, ele foi preso, e em maio de 2025 voltou a ser alvo de apuração, quando teve a prisão temporária decretada sob suspeita de apologia ao crime e possível ligação com o tráfico de drogas. Na ocasião, permaneceu detido por cinco dias e foi liberado por decisão judicial.
Relatórios de investigação também mencionam apresentações realizadas em áreas sob influência de facções criminosas, com registros da presença de homens armados durante eventos. Um dos episódios analisados ocorreu na Cidade de Deus, em maio do ano passado, quando vídeos mostram o cantor em apresentação na qual um homem com fuzil aparece na plateia. Dias depois, um policial civil foi morto na mesma região. As circunstâncias do crime seguem sendo investigadas.
Além disso, o artista foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por supostos crimes de tortura e extorsão contra um ex-empresário. A defesa nega as acusações. Nas redes sociais, o cantor costuma exibir bens de alto valor, como veículos e joias.
A operação Narco Fluxo mobiliza cerca de 200 policiais federais para o cumprimento de 90 mandados judiciais em diferentes estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e o Distrito Federal. Entre os alvos está também o cantor MC Ryan, apontado nas investigações como possível líder do esquema. A defesa dele afirma que suas movimentações financeiras são legais.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo utilizava mecanismos como operações financeiras de grande porte, transporte de dinheiro em espécie e uso de criptoativos para ocultar a origem dos valores. Também foi determinado o sequestro de bens, incluindo veículos, dinheiro, documentos e equipamentos eletrônicos. Em uma das ações, foram encontradas armas e um colar com a imagem do narcotraficante colombiano Pablo Escobar.




