Da Redação

O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), desistiu de disputar a presidência da Casa após a derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).

A decisão altera os planos do partido para a eleição interna da Câmara. Sóstenes afirmou que pretende reunir a bancada do PL na próxima semana para definir a estratégia da legenda, que poderá apoiar a reeleição do atual presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), ou buscar outro nome para concorrer ao cargo.

O deputado condicionava sua candidatura à vitória de Flávio Bolsonaro na disputa pelo Palácio do Planalto. “Eu sempre falei que seria presidente da Câmara se o Flávio ganhasse. Não tenho interesse em ser candidato com Lula”, declarou Sóstenes. Segundo ele, a decisão sobre o posicionamento do partido será tomada após a consulta aos demais integrantes da bancada.

PL reavalia estratégia para o comando da Câmara

Com 121 deputados eleitos, o PL possui a maior bancada da Câmara e vinha articulando alternativas para impedir a permanência de Hugo Motta no comando da Casa. A expectativa de uma vitória de Flávio Bolsonaro alimentava as negociações internas para que o partido conquistasse maior protagonismo na direção do Legislativo federal.

Além de Sóstenes, o deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), atual vice-presidente da Câmara, também era cotado para disputar a presidência caso o senador do PL vencesse a eleição presidencial. Ele ainda articulava a possibilidade de ocupar uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU).

A derrota de Flávio, no entanto, modificou o cenário político e levou o partido a reconsiderar os planos para a sucessão na Câmara.

Hugo Motta amplia favoritismo

A desistência de Sóstenes tende a fortalecer a posição de Hugo Motta na disputa pela presidência da Câmara. O parlamentar já reúne o apoio de dez partidos, entre eles PP, Republicanos, União Brasil, PSD, Podemos e MDB, além de siglas de esquerda, como PDT, PSB e PV.

A articulação reúne partidos de diferentes orientações políticas e busca consolidar uma base ampla para garantir a continuidade de Motta no cargo. O movimento também dificulta a construção de uma candidatura alternativa competitiva pelo PL, apesar do tamanho da bancada da legenda.

Motta não descarta receber o apoio dos parlamentares do partido e tem defendido a construção de uma candidatura capaz de reunir diferentes forças políticas da Câmara.

Nos próximos dias, o atual presidente deverá intensificar as conversas com deputados eleitos para ampliar sua base de apoio. A estratégia inclui negociações com lideranças partidárias e articulações individuais para consolidar sua posição na disputa.

A definição do PL será importante para o resultado da eleição interna, já que o partido reúne o maior número de deputados da Casa. A reunião prevista para a próxima semana deverá indicar se a legenda negociará apoio a Hugo Motta ou tentará viabilizar outro candidato para a presidência da Câmara.