Da Redação
Os deputados federais Otoni de Paula (PSD-RJ), Rogério Correia (PT-MG) e Duda Salabert (PSOL-MG) acionaram autoridades para solicitar a apreensão do passaporte do senador Flávio Bolsonaro (PL). Os parlamentares alegam que existe o risco de o político deixar o Brasil após perder a disputa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno realizado no domingo (25).
Otoni de Paula afirmou ter protocolado uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR), com pedido de medidas cautelares urgentes. Entre as providências solicitadas estão a proibição de saída do território nacional, a entrega do passaporte e a realização de diligências.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado declarou que pretende impedir uma eventual saída do senador do país. Ele também mencionou suspeitas envolvendo Flávio e o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
“Ele não vai fugir do país”, afirmou Otoni, ao comentar a iniciativa. O parlamentar, que não conseguiu se reeleger, disse que a representação foi elaborada com o auxílio de seus advogados.
A deputada Duda Salabert também anunciou que solicitou a apreensão do documento. Em publicação na rede social X, ela afirmou que Flávio poderia tentar se mudar para os Estados Unidos para evitar o andamento de investigações. A parlamentar citou a possibilidade de o senador se juntar ao irmão, Eduardo Bolsonaro, que vive no país norte-americano.
Já Rogério Correia declarou que pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar impedir uma eventual saída do senador do Brasil. O deputado relacionou a iniciativa a denúncias e suspeitas que mencionou durante a campanha eleitoral.
Até o momento, não há confirmação de que a Justiça tenha determinado a apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro ou proibido que ele viaje para o exterior. Os pedidos apresentados pelos parlamentares dependem da análise das autoridades competentes.
Investigações envolvendo Flávio Bolsonaro
A movimentação ocorre em meio a investigações que envolvem o senador. Uma delas apura possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio.
A investigação examina possíveis repasses de Daniel Vorcaro para a produção do longa-metragem. Mensagens analisadas no âmbito da apuração indicam que Flávio teria cobrado valores do empresário. A origem, a destinação e a utilização dos recursos estão entre os pontos investigados.
Outra frente apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo operações financeiras, empresas e plataformas de apostas, além da atuação do advogado Willer Tomaz. As apurações ainda precisam esclarecer os fatos e eventuais responsabilidades. As suspeitas não equivalem a uma condenação criminal.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma ter buscado recursos privados para financiar o filme sobre o pai.
Declaração de Eduardo Bolsonaro repercutiu após a eleição
Os pedidos para restringir uma eventual viagem do senador também ganharam força depois de uma declaração de Eduardo Bolsonaro. Em entrevista concedida na sexta-feira (23), antes do segundo turno, o ex-deputado afirmou que apoiaria a saída do irmão do Brasil caso ele perdesse a eleição presidencial.
Eduardo vive nos Estados Unidos desde março de 2025 e tem criticado decisões de autoridades brasileiras. A declaração sobre a possibilidade de Flávio deixar o país foi citada por parlamentares como um dos elementos que justificariam a preocupação com uma eventual viagem.
A manifestação, contudo, não comprova que Flávio tenha um plano concreto de deixar o Brasil.
Derrota nas urnas e fim do mandato no Senado
Flávio Bolsonaro foi derrotado por Lula no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O petista recebeu 51,79% dos votos válidos, enquanto o candidato do PL alcançou 48,21%.
O mandato de Flávio no Senado termina em fevereiro de 2027. Com a saída do cargo, ele deixará de contar com as prerrogativas relacionadas ao mandato parlamentar, embora a definição sobre qual instância deve analisar eventuais investigações dependa das regras jurídicas aplicáveis a cada caso.
Os pedidos de apreensão do passaporte foram apresentados após o resultado eleitoral, mas qualquer restrição ao direito de viajar depende de decisão das autoridades competentes. Até a última atualização das informações, não havia confirmação de uma ordem judicial que impedisse o senador de deixar o país.








