Da Redação

O senador eleito Gustavo Gayer (PL) voltou a atacar publicamente o senador Wilder Morais (PL) nesta segunda-feira, 26, e reacendeu as divergências entre os dois principais nomes do partido em Goiás. Em comentário nas redes sociais, Gayer cobrou que o colega assumisse uma posição mais contundente contra o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, vencido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e defendeu a anulação da votação.

A crítica foi feita em uma publicação de Wilder no Instagram, na qual o senador compartilhou um pronunciamento de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa presidencial. Na legenda, Wilder escreveu: “Mudaram a regra do jogo no meio do jogo! Inaceitável! Não vamos desistir do Brasil”.

A manifestação foi considerada insuficiente por Gayer, que exigiu um posicionamento pessoal do colega. “Para de ser bunda mole. Para de pedir para seus assessores ficarem postando nas suas redes e bota sua cara nessa briga”, escreveu o senador eleito.

Na sequência, Gayer cobrou que Wilder mencionasse diretamente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), demonstrasse indignação com o resultado e defendesse publicamente a realização de uma nova eleição. O parlamentar também ironizou o colega ao perguntar se ele estaria em seu barco, em Brasília, tomando vinho.

Até a publicação das primeiras notícias sobre o episódio, Wilder não havia respondido publicamente às provocações.

Gayer questiona resultado das eleições

O confronto ocorreu depois de Gayer publicar um vídeo em que questiona o resultado do segundo turno presidencial e pede a anulação da eleição. Na gravação, o parlamentar contestou uma decisão que atribuiu ao ministro Cristiano Zanin, do STF, relacionada à prorrogação do horário de votação.

Gayer classificou o resultado como “matematicamente impossível”, mas não apresentou cálculos ou provas que demonstrassem irregularidades na contagem dos votos.

O senador eleito também questionou o fato de Lula ter ampliado sua votação em todas as unidades da Federação, apesar de Flávio Bolsonaro ter terminado o primeiro turno à frente em parte do país. A diferença entre o desempenho dos candidatos, contudo, não constitui, por si só, evidência de fraude eleitoral.

A cobrança feita a Wilder expôs uma diferença de postura entre os dois integrantes do PL. Enquanto Gayer passou a defender abertamente a anulação do segundo turno, Wilder compartilhou a manifestação de Flávio Bolsonaro e criticou a mudança nas regras durante a votação, sem fazer, naquela publicação, a mesma defesa explícita de uma nova eleição.

Divergências começaram antes da campanha

O novo episódio retoma uma disputa interna que se intensificou ao longo de 2026, durante as articulações para as eleições estaduais. As divergências envolveram a estratégia eleitoral do PL em Goiás, a formação de alianças e a influência dos dois políticos sobre os rumos da legenda.

Wilder Morais, presidente estadual do partido, defendia uma candidatura própria ao governo de Goiás. Gayer, por sua vez, articulava uma aproximação com a base governista ligada ao então governador Ronaldo Caiado (PSD) e ao vice-governador Daniel Vilela (MDB).

A possibilidade de uma composição com o grupo governista também envolvia a formação das candidaturas ao Senado, incluindo a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil). A estratégia defendida por Gayer contrariava o projeto de Wilder de fortalecer uma candidatura própria do PL ao Palácio das Esmeraldas.

As diferenças provocaram afastamentos em agendas políticas e alimentaram especulações sobre uma disputa pelo comando e pela orientação partidária em Goiás.

Ausências em eventos expuseram o racha

Os sinais de desentendimento ficaram evidentes em abril, quando Wilder não compareceu ao evento “Acorda Goiás”, organizado por Gayer em Goiânia. O encontro reuniu lideranças da direita, entre elas o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Dias antes, Gayer também havia faltado a uma reunião do diretório estadual convocada por Wilder. As ausências foram interpretadas como demonstrações da falta de alinhamento entre os dois grupos.

Apesar das divergências, Gayer tentou minimizar a crise em declarações públicas. Em abril, afirmou que não havia rompimento com Wilder. Em maio, durante um encontro do PL, declarou que os desentendimentos estavam superados e anunciou apoio à pré-candidatura do senador ao governo estadual.

Na ocasião, Gayer afirmou que trabalharia pelo projeto eleitoral do colega. As declarações, entretanto, não eliminaram os sinais de distanciamento, e os dois continuaram a participar de compromissos políticos separados em diferentes momentos.

Atritos também envolveram Márcio Corrêa

As divergências em torno da estratégia eleitoral do PL também alcançaram outras lideranças da direita em Goiás. Um dos episódios envolveu o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), que declarou apoio ao projeto de Daniel Vilela para o governo estadual, em vez de acompanhar a candidatura de Wilder.

Em setembro, Gayer classificou o conflito entre Wilder e Márcio Corrêa como uma questão pessoal. Segundo o senador eleito, o prefeito apoiava nomes ligados ao grupo político de Jair Bolsonaro, mas havia deixado de acompanhar Wilder por causa de um desentendimento entre os dois.

O episódio reforçou a percepção de que as disputas no partido ultrapassavam as diferenças sobre alianças eleitorais e envolviam também relações pessoais e a distribuição de influência entre as lideranças da legenda.

Disputa pelo comando do PL em Goiás

Além das divergências sobre o posicionamento político do partido, a relação entre Gayer e Wilder envolve a disputa pela presidência estadual do PL.

Após as eleições estaduais, Wilder manifestou interesse em continuar à frente da legenda, apesar do resultado obtido na disputa pelo governo de Goiás. O senador terminou a eleição com 21,96% dos votos válidos, enquanto Daniel Vilela venceu no primeiro turno.

Gayer, eleito senador, passou a ser apontado como possível substituto de Wilder no comando estadual. A eventual mudança dependerá de articulações internas e de uma decisão da direção nacional do partido, presidida por Valdemar Costa Neto.

Integrantes da legenda também defendem uma aproximação com o governo de Daniel Vilela, posição que contrasta com a estratégia de oposição sustentada por Wilder durante a campanha.

O novo confronto nas redes sociais acrescenta mais um capítulo à disputa entre os dois políticos. Embora ambos tenham declarado anteriormente que as divergências estavam superadas, as cobranças sobre o resultado presidencial mostram que as diferenças de estratégia e posicionamento continuam presentes no PL goiano.