Da Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou em Goiás o maior crescimento proporcional de votação entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Apesar de o estado ter mantido a preferência pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL), o petista conquistou quase 397 mil votos adicionais e ampliou sua participação nos votos válidos em 9,28 pontos percentuais.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Lula recebeu 1.188.880 votos em Goiás, o equivalente a 31,06% dos votos válidos. Já no segundo turno, disputado no domingo, 25, o presidente chegou a 1.585.555 votos, alcançando 40,34% da votação válida no estado.

O aumento foi de 396.675 votos em aproximadamente três semanas, uma alta de 33,37% em relação ao total obtido na primeira etapa da disputa. Mesmo com o avanço, Flávio Bolsonaro permaneceu à frente, com 59,66% dos votos válidos, consolidando uma diferença de 19,32 pontos percentuais em relação ao adversário.

O resultado coloca Goiás na primeira posição entre as unidades da Federação em crescimento proporcional da votação de Lula entre os dois turnos. O desempenho chama a atenção porque o estado apresenta uma vantagem eleitoral expressiva do campo bolsonarista.

Lula conseguiu virar o resultado em municípios goianos

O crescimento da votação petista também apareceu nos resultados municipais. Em algumas cidades, Lula conseguiu não apenas ampliar o número de votos, mas também superar Flávio Bolsonaro no segundo turno.

Um dos exemplos foi Três Ranchos, onde o presidente passou de 40,36% dos votos válidos no primeiro turno para 51,46% no segundo. O avanço de 11,10 pontos percentuais permitiu que Lula ultrapassasse a marca da maioria dos votos válidos no município.

Em Crixás, a disputa também mudou de direção. No primeiro turno, Lula havia sido derrotado por uma diferença de apenas 25 votos. Na votação decisiva, o petista conseguiu reverter o resultado e terminou 451 votos à frente de Flávio Bolsonaro.

As duas cidades integram um grupo de 211 municípios brasileiros nos quais o vencedor do primeiro turno foi diferente daquele que recebeu mais votos no segundo. Nesses locais, Flávio havia saído na frente inicialmente, mas Lula conseguiu virar o resultado na etapa final.

Os casos mostram que o crescimento da votação do presidente não ficou restrito aos grandes centros urbanos e também alcançou municípios menores, inclusive em regiões nas quais o candidato do PL havia conquistado vantagem na primeira votação.

Avanço também foi registrado em outros estados

O aumento da votação de Lula ocorreu em todas as 26 unidades da Federação e no Distrito Federal. Entretanto, o crescimento percentual observado em Goiás foi diferente do registrado em outros estados, onde o presidente também ampliou sua quantidade de votos, mas não conseguiu reverter a vantagem do adversário.

Em números absolutos, São Paulo concentrou o maior acréscimo de votos para o petista. Lula passou de 9.505.413 votos no primeiro turno para 12.119.274 no segundo, um aumento de aproximadamente 2,6 milhões de votos.

Apesar da ampliação, Flávio Bolsonaro venceu no estado paulista. Ainda assim, a diferença entre os candidatos diminuiu: a vantagem do candidato do PL, que era de aproximadamente 3,4 milhões de votos na primeira etapa, caiu para pouco mais de 2 milhões no segundo turno.

No Rio de Janeiro, Lula também avançou. Sua participação nos votos válidos passou de 39,41% para 46,90%. Com isso, a distância em relação a Flávio Bolsonaro diminuiu de cerca de 1,27 milhão para pouco mais de 603 mil votos.

Os resultados mostram que o crescimento da votação petista em diferentes regiões do país contribuiu para reduzir vantagens conquistadas pelo adversário no primeiro turno. Em Goiás, contudo, a ampliação não foi suficiente para alterar a liderança eleitoral do campo bolsonarista.

Minas Gerais foi o único estado com mudança de vencedor

Minas Gerais apresentou o resultado mais expressivo em termos de mudança de posição entre os candidatos. O estado foi o único do país em que o vencedor do primeiro turno não se manteve à frente na votação decisiva.

Na primeira etapa, Flávio Bolsonaro recebeu 48,24% dos votos válidos dos mineiros, enquanto Lula obteve 43,33%. No segundo turno, o presidente alcançou 50,41% e ultrapassou o adversário, que terminou com 49,59%.

A diferença também mudou de maneira significativa em números absolutos. Lula havia começado o segundo turno com uma desvantagem de 588.612 votos em Minas Gerais, mas conseguiu reverter o cenário e conquistar a maioria dos votos válidos no estado.

O desempenho mineiro contrastou com o de Goiás, onde o petista apresentou o maior crescimento proporcional do país, mas permaneceu atrás de Flávio Bolsonaro. A comparação evidencia que o aumento da votação entre os turnos não necessariamente resulta em vitória, já que o resultado final também depende da distribuição dos votos e da vantagem acumulada por cada candidato na primeira etapa.

No caso goiano, Lula ampliou sua votação em quase 400 mil eleitores, mas Flávio manteve uma diferença de 759.779 votos no segundo turno. Assim, Goiás terminou a eleição com uma vantagem expressiva do candidato do PL, mesmo registrando o maior avanço proporcional do presidente reeleito entre as unidades da Federação.