Da Redação

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O influenciador digital Felca, de 28 anos, revelou ter diagnóstico de fobia social e relatou as consequências do bullying sofrido durante a infância e a adolescência. Em um vídeo publicado no YouTube na madrugada desta terça-feira (20), ele compartilhou experiências de violência escolar, pensamentos suicidas e dependência de álcool, além de anunciar um projeto para enfrentar as dificuldades de interação social.

A publicação marca o retorno do criador de conteúdo à plataforma após mais de um ano sem lançar vídeos. Seu último grande sucesso foi “Adultização”, divulgado em agosto de 2025, que provocou repercussão nacional ao denunciar a exposição e a exploração de crianças e adolescentes na internet.

“Tenho fobia social, esse é meu laudo. É o vídeo mais sincero e mais difícil que já fiz”, afirmou Felca no início do depoimento, que tem mais de uma hora de duração.

Agressões na escola marcaram a infância

Durante o relato, Felca contou que começou a sofrer bullying aos 12 anos. Segundo ele, as ofensas verbais deram lugar a agressões físicas, humilhações públicas e episódios de exclusão que se prolongaram durante a adolescência.

Um dos momentos mais marcantes aconteceu no banheiro da escola, onde cinco estudantes mais velhos e fisicamente mais fortes o agrediram. O influenciador também descreveu situações em que era ridicularizado pelos colegas e sentia que não recebia o apoio necessário dos adultos que presenciavam o ambiente escolar.

“Dos 14 aos 18 anos, eu sobrevivi”, declarou ao recordar o período.

As experiências afetaram sua autoestima e a maneira como passou a se relacionar com outras pessoas. Felca explicou que o medo de enfrentar novamente um ambiente escolar contribuiu para que desistisse da ideia de cursar uma faculdade. Na época, afirmou aos pais que preferia produzir vídeos para a internet a voltar a frequentar uma sala de aula.

O influenciador também revelou que enfrentou períodos de ideação suicida durante a adolescência, quando o sofrimento provocado pelas agressões parecia não ter fim.

Felca usava álcool para enfrentar situações sociais

Mesmo depois de conquistar reconhecimento na internet, Felca continuou enfrentando dificuldades em situações que exigiam contato com outras pessoas. Ele relatou sintomas físicos intensos de ansiedade, incluindo aceleração dos batimentos cardíacos, mesmo durante compromissos profissionais que conseguia concluir.

Para lidar com o desconforto, passou a consumir bebidas alcoólicas antes de participar de entrevistas, eventos, gravações externas e encontros profissionais.

“Eu bebia só para enfrentar pessoas”, explicou.

O influenciador contou que costumava beber antes de sair de casa e levava um cantil com vodca para continuar consumindo álcool durante os compromissos. Com o aumento da frequência das atividades profissionais, percebeu que havia desenvolvido dependência da bebida.

Um dos episódios mais graves ocorreu durante a gravação de um vídeo em que pretendia abordar pessoas em um shopping. Segundo o relato, ele passou o dia bebendo para conseguir realizar as entrevistas. Ao voltar para casa, desmaiou no banheiro e sofreu uma queda.

No dia seguinte, procurou atendimento médico com a ajuda dos pais e descobriu que havia quebrado duas costelas. A recuperação, segundo ele, envolveu um período de aproximadamente dois meses com uso de medicamentos para controlar a dor.

A experiência fez com que refletisse sobre a maneira como estava conduzindo a própria vida e sobre os riscos de depender do álcool para enfrentar situações cotidianas.

Projeto propõe desafio de 90 dias

Como parte de seu esforço para enfrentar a fobia social, Felca anunciou o projeto #SimFel, uma iniciativa de três meses em que pretende aceitar convites e participar de atividades que normalmente evitaria por medo ou ansiedade.

A proposta é sair de casa com mais frequência, conhecer pessoas e se permitir viver novas experiências. O influenciador pretende compartilhar parte da jornada nos stories do Instagram e incentivar os seguidores a participarem do desafio.

Ele contou que passou aproximadamente cinco meses praticamente sem sair de casa e que percebeu a necessidade de mudar a rotina para recuperar o contato com outras pessoas.

A iniciativa também busca mostrar que o enfrentamento do medo pode ocorrer de maneira gradual, respeitando os limites individuais. No caso de transtornos de ansiedade, a exposição a situações temidas deve ser conduzida com cuidado e, quando necessário, com acompanhamento profissional.

Influenciador anuncia palestras gratuitas contra o bullying

Além do projeto pessoal, Felca anunciou que pretende realizar palestras gratuitas em escolas públicas e particulares para falar sobre as consequências do bullying.

A intenção é compartilhar sua história, acolher estudantes que passam por situações semelhantes e conscientizar os jovens sobre os danos provocados por agressões e humilhações recorrentes.

“Eu não vou cobrar nada por isso”, afirmou ao explicar a proposta.

O influenciador pretende abordar tanto o impacto da violência na vida de quem sofre as agressões quanto a responsabilidade de quem pratica ou presencia esse tipo de comportamento.

O tema ganhou espaço no vídeo a partir de sua própria trajetória, marcada por episódios de violência que, segundo ele, continuaram afetando sua vida mesmo depois de alcançar sucesso profissional.

Retorno ocorre após repercussão de “Adultização”

Em agosto de 2025, Felca publicou o vídeo “Adultização”, no qual denunciou a exposição de crianças e adolescentes nas redes sociais e discutiu práticas que poderiam favorecer a exploração de menores. O conteúdo ultrapassou 50 milhões de visualizações e ampliou o debate nacional sobre segurança infantil no ambiente digital.

Após a repercussão, o influenciador passou por um período de afastamento e isolamento. No novo vídeo, ele relata que permaneceu meses sem sair de casa e que a dificuldade de enfrentar situações sociais continuou presente, apesar da visibilidade conquistada.

A publicação também marca a retomada do programa de entrevistas “Sofá do Felca”, projeto que o criador pretende voltar a produzir para ampliar o contato com convidados e com o público.

Ao encerrar o depoimento, Felca destacou a importância da conexão humana e manifestou o desejo de voltar a participar de atividades cotidianas sem que o medo determine suas escolhas.

O relato transformou seu retorno à internet em uma discussão sobre os efeitos duradouros do bullying, a dependência de álcool e os desafios enfrentados por pessoas com ansiedade social.